Bonita, resistente e perigosa: paisagista alerta sobre planta comum em áreas públicas que ameaça cães e gatos
Por Beatriz Menezes em NotíciasA presença da Cycas revoluta na arquitetura urbana e no paisagismo de grandes cidades brasileiras é uma realidade consolidada pela estética marcante e pela resistência da espécie.
Conhecida popularmente como cica, sagu-de-jardim ou palmeira-sagu, a planta de origem asiática compõe cenários cotidianos em praças públicas, calçadas de condomínios e jardins privados sem despertar suspeitas na maioria dos transeuntes.
Sob a aparência de uma pequena palmeira ornamental, contudo, a espécie esconde uma alta concentração de componentes tóxicos capazes de provocar a falência orgânica e a morte de animais domésticos que venham a interagir com as suas estruturas.
O alerta sobre o risco do vegetal ganhou repercussão após um vídeo publicado no Instagram pelo perfil @jardimdobicho, no qual a paisagista e pesquisadora Simone Arthur Nascimento aponta as consequências devastadoras da ingestão da planta por pets.
Embora seja frequentemente confundida com uma palmeira verdadeira, a cica pertence à família das cicadáceas. De acordo com a especialista, o perigo real reside na cicasina, o principal agente tóxico da planta, que ataca de forma agressiva o sistema hepático dos animais.
Todas as partes do vegetal contêm a substância, desde as raízes e folhas até os brotos, mas a maior concentração do veneno reside nas sementes.
Estruturas arredondadas e de coloração alaranjada, as sementes costumam atrair a atenção de cães devido ao formato semelhante ao de pequenos brinquedos ou bolinhas.
Os primeiros sinais podem surgir poucas horas após a ingestão e incluem:
• vômitos e diarreia, eventualmente com sangue;
• falta de apetite e prostração;
• dor abdominal;
• aumento da sede;
• manchas roxas ou sangramentos;
• mucosas e olhos amarelados;
• tremores, desorientação e convulsões.
Agir ao notar esses sintomas é fundamental. A intoxicação pode evoluir para distúrbios de coagulação, insuficiência hepática e morte, inclusive após a aparente melhora dos sintomas gastrointestinais iniciais.
Melhor do que esperar pelos sintomas é levar o animal para atendimento veterinário até mesmo em caso de apenas suspeitar da ingestão.
Não ofereça alimentos, leite, óleo, carvão ou qualquer medicamento e não tente provocar o vômito sem orientação veterinária, pois procedimentos caseiros podem agravar o quadro.
Em 24 horas a publicação já conta com 3,4 milhões de visualizações, 66 mil curtidas e 1.655 comentários.
“Eu tinha 2 cicas na chácara com mais de 30 anos enormes mais depois de ver em uma clínica um golden enorme morer porque comeu uma bolinha desta ,cheguei em casa pedi pro jardineiro arrancar as duas ,não vou correr risco com meus cachorros, mesmo estando em outro ambiente da chácara não quero isso em casa”.
“Obrigada pelo vídeo moça, extremamente necessário”.
“Perdemos uma linda cachorra por conta dessa planta. Eu vi ela comendo mas pensei que não tinha problema. Más infelizmente ela morreu. Afetou todos os órgãos começando pelo rim”.
Comentaram alguns internautas.
Confira abaixo:
A conscientização sobre o tema ganha força com o histórico de registros fatais acumulados nos últimos anos.
Ainda no vídeo de alerta Simone conscientiza sobre o caso do labrador Atlas, de apenas um ano de idade, que veio a pela ingestão da planta.
O histórico de vítimas, contudo, é extenso. De acordo com o G1, em 2025, outro cão da mesma raça, chamado Pudim, de nove anos, morreu em São Paulo por falência hepática dias após morder a planta em um canteiro público durante um passeio de rotina.
Já uma notícia de 2024 do Metrópoles, o jornalista Marco Antônio conta como perdeu a cadela Paçoca, que convivia com a família há oito anos, devido a complicações gastrointestinais severas causadas pela imagem e mastigação de folhas de cica em um condomínio.
Para Simone, a medida mais segura é não utilizar a Cycas revoluta no paisagismo em locais frequentados por animais ou crianças.
