"A regra era não se apegar": Com coração apertado, jovem se despede de filhotes que acolheu desde o nascimento
Por Beatriz Menezes em CãesUma ninhada de três filhotes de cachorro, frutos do cruzamento entre uma fêmea da raça Australian Cattle Dog (Blue Heeler) e um cão sem raça definida, conquistou novos lares após um período sob os cuidados temporários de Mônica.
A tutora temporária, que havia iniciado a busca por adotantes em maio, enfrentou uma despedida comovente ao entregar os animais aos seus novos donos, dois meses após o nascimento dos cães.
A trajetória dos filhotes começou a ser registrada no dia 5 de maio, quando Mônica publicou um anúncio no Instagram em busca de interessados que pudessem garantir um ambiente seguro e afetuoso para os recém-nascidos.
Nascidos em 17 de abril, os três machos apresentavam características físicas marcantes e personalidades ativas desde as primeiras semanas de vida.
Os animais carregam a herança genética da mãe, de porte médio para pequeno, combinada com a estatura do pai, um vira-lata de porte médio para grande.
Essa mistura de linhagens costuma resultar em cães de porte médio com facilidade de adaptação a diferentes ambientes e perfis de famílias.
Durante o período em que estiveram sob a guarda de Mônica, cada um dos filhotes recebeu identificações provisórias baseadas em suas características físicas específicas.
O trabalho de divulgação visual e descrição dos animais nas redes sociais foi um fator determinante para atrair potenciais adotantes e garantir que todos encontrassem novos lares rapidamente.
O primeiro cão, apelidado temporariamente de Pantera Negra, destaca-se pela pelagem predominantemente preta, com detalhes singulares de uma das patas e o peito na cor branca.
O segundo filhote, chamado de Dick ou Botinha Branca, apresenta marcas claras nas patas e na extremidade da cauda, assemelhando-se a pequenas meias.
O terceiro membro da ninhada, apelidado de Negão ou Bolofofo, obteve destaque pelo porte mais robusto e robustez física, além de pequenas marcações claras nas extremidades do corpo.
O acolhimento temporário desempenha um papel fundamental no controle populacional e no bem-estar de animais domésticos.
Essa prática permite que filhotes recebam os cuidados iniciais necessários, como a socialização primária e o acompanhamento do desenvolvimento físico saudável, antes de serem inseridos em suas famílias definitivas.
O encerramento do ciclo de lar temporário ocorreu cerca de dois meses após o nascimento dos cães, período necessário para o desmame correto e para o início do protocolo de vacinação básico.
O distanciamento dos animais revelou a complexidade emocional que envolve a atividade de protetores e cuidadores temporários, onde o vínculo diário entra em conflito com o objetivo final da doação.
No momento da entrega de um dos filhotes ao respectivo adotante, a cuidadora registrou o processo de transição em vídeo, visivelmente emocionada com a partida do animal que acompanhou desde os primeiros dias de vida.
"A regra era não se apegar, porque eles não são meus. E hoje chegou o dia de entregar ele pro dono... Ai gente, como que eu dou tchau? Tchau, neném", declarou Mônica durante a gravação realizada no momento da entrega.
O vídeo tem 253 mil visualizações, 45 mil curtidas e 1.962 comentários.
“Não tenho estrutura pra viver isso”.
“Eles são um amor, Mônica. Lindos demais meus cachorrinhos”.
“O maior amor do mundo”.
O adotante henriqueptrll comentou no vídeo falando que escolheu dois deles e que ambos estão muito bem crescendo juntos.
Mesmo após a confirmação de que os filhotes haviam sido adotados por novas famílias, Mônica optou por manter as postagens originais ativas em suas plataformas digitais.
Confira abaixo:
Quando separar os filhotes da mãe e enviar para adoção?!
Segundo o Digital Vet a recomendação de médicos veterinários comportamentalistas é clara: filhotes de cães e gatos não devem ser separados de suas mães e irmãos antes dos 60 dias de vida.
Esse período inicial é estruturado em fases de desenvolvimento essenciais que começam com o estágio neonatal, no qual os animais dependem inteiramente da mãe até para funções básicas como micção, seguido pelo período transicional, marcado pelo início da locomoção e pela abertura de olhos e ouvidos.
A etapa mais crítica desse processo é o período de socialização, que ocorre entre os 19 dias e as 12 semanas. Nele ocorre o desmame natural, impulsionado pelo nascimento dos dentes que faz a mãe se afastar gradualmente, e os filhotes passam a interagir ativamente entre si e com o ambiente.
É por meio de brincadeiras, mordidas e do convívio com a ninhada que eles aprendem limites de dor e desenvolvem o equilíbrio emocional. A separação precoce interrompe esse aprendizado social, aumentando drasticamente o risco de o pet desenvolver distúrbios de comportamento na fase juvenil e na vida adulta, como medo, ansiedade extrema e agressividade.
Além do aspecto comportamental, o período exige cuidados sanitários rigorosos. Os filhotes precisam ser apresentados a estímulos variados e socializar de forma segura mesmo antes de completarem o esquema vacinal.
Para evitar a exposição a vírus altamente resistentes e letais, como a parvovirose e a cinomose, que permanecem ativos no ambiente por até dois anos, a recomendação é promover essa socialização apenas em locais controlados e com animais comprovadamente saudáveis, sob constante supervisão para evitar traumas físicos ou emocionais que possam comprometer o temperamento do animal pelo resto da vida.
