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"Não tô dando comida a animal, tô dando comida a um deficiente": a história de Dona Severina e o jacaré Jacá

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em Mundo Animal

A moradora Severina Maria ganhou notoriedade nas redes sociais após publicar vídeos que registram a rotina de alimentação de um jacaré às margens de um canal próximo à sua residência.

O réptil, apelidado por ela de Jacá, atende aos chamados da moradora e se aproxima do barranco para receber pedaços de frango.

A relação entre a moradora e o animal silvestre teve início quando o réptil surgiu no local com ferimentos graves nas patas, severa limitação de mobilidade e dificuldades para se locomover na água e na terra.

De acordo com relatos de Severina Maria registrados nas gravações, o jacaré chegou ao local com lesões graves no braço e na perna.

A condição física do réptil impedia que ele se deslocasse com facilidade ou buscasse alimento por meios próprios na natureza.

Ao notar a situação de debilidade do animal, a moradora passou a oferecer pedaços de carne e frango de forma regular no mesmo ponto do canal para evitar que o espécime morresse em decorrência da falta de nutrição.

Com o passar das semanas, os ferimentos das patas do réptil apresentaram cicatrização. No entanto, o animal manteve o hábito de retornar com frequência ao trecho do canal vizinho à casa de Severina Maria.

Nos vídeos divulgados pelo Instagram, a moradora destaca que o jacaré continua sendo um animal totalmente livre e que não permanece preso em nenhuma estrutura artificial.

Ela explica que o réptil circula pelo curso natural de água e apenas retorna à margem quando escuta a voz da moradora chamando pelo apelido habitual.

A prática de alimentar o jacaré tem fundamentação na visão da própria moradora sobre as limitações físicas do animal silvestre.

Em suas declarações, Severina Maria argumenta que a oferta de comida não se trata de uma simples domesticação de fauna silvestre, mas de um auxílio prestado a um indivíduo com deficiência física permanente.

“Tem gente que fala: 'Ah, não é pra dar comida a animal' Eu não tô dando comida para os animais, eu tô dando comida para um deficiente, gente! Ele é diferente, esse daqui é deficiente. Ele não tem uma perna e não tem um braço. Ele é deficiente mesmo, tá vendo, gente? É diferente dos outros animais.", ressaltou Severina.

A moradora afirma que o animal não possui plena capacidade de caça devido às deformidades resultantes dos ferimentos antigos nas extremidades do corpo.

A interação constante entre a moradora e o réptil estabeleceu uma rotina no local. Toda vez que Severina Maria se aproxima da margem da água e pronuncia o nome do jacaré, o réptil emerge do canal e nada diretamente em direção à margem de terra.

A cena é gravada em vídeo e mostra o momento exato em que o alimento é depositado no solo para que o jacaré o recolha antes de retornar à água ou permanecer sob o sol.

O vídeo publicado em 5 de junho é o mais assistido do perfil de Severina contando com 638 mil visualizações, 70 mil curtidas e 3.955 comentários.

“Seria bom se recolhessem ele para um bosque, zoológico ou coisa assim. É uma pena ver ele nesse esgoto e ainda com deficiência. Mas parabéns pela atitude de alguma forma estar cuidando dele”.
“Engraçado que quando chama, ele atende”.
“Nos meus 26 anos sendo pcd, nunca imaginei que veria um jacaré PcD”.

Assista abaixo:

De acordo com o site animals.howstuffworks na natureza, os jacarés caçam com paciência e precisão, esperando o momento perfeito para atacar.

De pequenos mamíferos a peixes, aves e até mesmo répteis ocasionais, os jacarés-americanos são predadores de topo que dominam seus habitats .

Os filhotes de jacaré precisam começar pequenos como nascem dos ovos com apenas 15 a 20 cm de comprimento, suas primeiras refeições consistem em insetos, peixes pequenos, ovos de pássaros e anfíbios.

Ao saírem do ninho e crescerem, os jacarés começam a se alimentar de presas maiores, incluindo pequenos mamíferos e aves.

Os jacarés adultos são capazes de caçar animais maiores, incluindo peixes, tartarugas, cobras e até mesmo veados.

Eles usam suas mandíbulas poderosas e táticas de emboscada para capturar presas maiores, arrastando-as para debaixo d'água para afogá-las antes de comê-las.

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.