Idoso com Alzheimer esquece de toda família, menos do border collie da neta e reencontro emociona
Por Larissa Soares em Aqueça o coraçãoMesmo depois do Alzheimer avançar a ponto do Sr. Otacílio deixar de reconhecer seus familiares, uma lembrança permaneceu intacta. O idoso ainda reconhece Benjamin, o border collie da neta, Lara Silveira.
Em uma publicação que emocionou milhares de pessoas, Lara, que vive em Fortaleza, no Ceará, mostrou uma visita que recebeu do avô.
Ainda no carro, um familiar perguntou ao idoso se ele gostaria de ver Benjamin. A resposta deixou a família emocionada.
“Ah, aquele cachorrão?”, respondeu Otacílio.
A frase tinha um significado enorme. Segundo Lara, o Alzheimer fez com que o avô deixasse de reconhecer pessoas da própria família, mas a memória relacionada ao cachorro permaneceu. E é só ver o reencontro dos dois para entender.
Quando Benjamin aparece, o idoso demonstra alegria e os dois retomam uma interação construída ao longo dos anos.
Na publicação, Lara reuniu diferentes momentos dos dois juntos e escreveu que, embora talvez chegue o dia em que o avô também não consiga mais reconhecer Benjamin, existe algo que permanecerá do outro lado dessa relação.
“O Benja nunca esquecerá do vovozinho”, escreveu a tutora.
“A bondade dos cachorros é algo encantador”, comentou uma internauta.
A publicação também trouxe relatos de pessoas que passaram por situações semelhantes com familiares idosos e seus animais de estimação.
Uma pessoa contou que a própria avó já não conseguia se lembrar dela, mas ainda reconhecia sua cadela, Cicareli. “Eu fico tão emocionada com esses momentos”, escreveu.
Uma terceira pessoa também relatou a experiência com uma cadela chamada Luna, que viveu com seus avós em um sítio.
Segundo ela, a avó desenvolveu Alzheimer, mas continuou reconhecendo a cachorra e mantendo uma relação de carinho com ela.
Além de ocupar um lugar especial na vida de pessoas idosas, os animais também podem trazer benefícios para pessoas mais velhas, especialmente quando existe uma relação de afeto e responsabilidade compartilhada.
A organização britânica Abbeyfield England, que atua com cuidados e moradia para idosos, destacou os efeitos positivos da presença de animais no dia a dia de seus moradores.
Um exemplo citado pela instituição é Twiglet, uma cocker spaniel que atua como cão de terapia na Abbeyfield Brecon Society.
A cadela participa da rotina dos moradores, circula pelos ambientes, visita quartos e acompanha momentos como o café da manhã.
Segundo a equipe da instituição, Twiglet parece adaptar seu comportamento às necessidades de cada pessoa.
Quando percebe que algum morador não está bem, permanece por perto de maneira mais tranquila, enquanto em outras situações participa das brincadeiras e interações.
A presença de um cachorro também pode ajudar a criar uma rotina para pessoas idosas. Alimentar o animal, levá-lo para passear, brincar e reservar momentos para carinho são atividades que oferecem estrutura ao dia e podem contribuir para a sensação de companhia e propósito.
Para quem vive sozinho, até mesmo a necessidade de cuidar de outro ser vivo pode representar uma oportunidade de manter hábitos e interações.
O contato físico com os animais também está associado a respostas emocionais positivas.
Acariciar um cachorro pode estimular a liberação de ocitocina, hormônio relacionado ao vínculo e ao bem-estar, além de ajudar a reduzir o estresse.
Os benefícios, porém, dependem das características de cada pessoa e do animal, e a convivência precisa sempre considerar as necessidades e limitações dos dois.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
