“Ele queria viver”: Veterinária se apega a cão de 63 kg que teria o pior destino e decide lutar por sua recuperação
Por Larissa Soares em Cães
Buddy tinha apenas cinco anos quando chegou a uma clínica veterinária no Kansas, nos Estados Unidos, pesando mais de 63 quilos e com uma perna gravemente fraturada que não havia recebido tratamento.
O cão estava tão acima do peso que tinha dificuldade até para ficar em pé e precisava de ajuda para ser transportado.
Mas foi justamente naquele momento de fragilidade que ele encontrou Jalessa, uma veterinária que decidiu mudar completamente o rumo dessa história.
Buddy não havia sido levado à clínica por causa da obesidade ou da fratura. Segundo Jalessa, que trabalhava no local quando o cão chegou, a consulta aconteceu por causa de problemas intestinais relacionados à dificuldade que ele tinha para se levantar.
Diante das condições em que o cachorro se encontrava, a equipe realizou radiografias e exames de sangue para investigar se havia alguma doença por trás do ganho de peso tão acentuado, incluindo possíveis alterações na tireoide.
Os exames, porém, não apontaram nenhuma doença que justificasse a obesidade. O que os veterinários encontraram foi uma infecção grave associada à fratura antiga e não tratada na perna.
O quadro era delicado e, naquele momento, Buddy tinha pouca mobilidade, carregava muitos quilos e ainda enfrentava as consequências de um ferimento que havia evoluído sem atendimento.
A situação fez com que os veterinários considerassem o caso difícil, enquanto os antigos tutores chegaram a cogitar a eutanásia.
Para Jalessa, entretanto, havia outro caminho a ser tentado.
Nova chance
Jalessa passou um fim de semana cuidando do cachorro e acabou se apegando a ele. Buddy ainda era jovem e, apesar de todas as limitações, parecia ter uma vontade de viver enorme.
Nos primeiros dias, ele precisava ficar em uma estrutura elevada e protegida para não sentar sobre a própria urina.
Mesmo assim, começou a apresentar pequenas evoluções. Pouco a pouco, Buddy foi conseguindo suportar o peso do próprio corpo por alguns instantes e até arriscou alguns passos.
A perna ainda estava machucada, mas Buddy começou a andar com ela sem que ninguém precisasse convencê-lo.
Para Jalessa, aquele esforço mostrava um cachorro que queria seguir em frente. Então ela decidiu montar, junto com a equipe veterinária, um plano para ajudá-lo.
Os antigos tutores aceitaram entregar Buddy. A partir daí, começou uma transformação que exigiria tempo, acompanhamento e muita paciência.
Novos hábitos
Em entrevista ao Cuddle Buddies, Jalessa contou que, nos primeiros dias, o cachorro atacava a comida assim que recebia a tigela.
Aos poucos, ela passou a trabalhar o comportamento durante as refeições, ensinando ele a esperar antes de comer e estabelecendo uma rotina de alimentação mais controlada.
O processo de emagrecimento também precisou levar em conta que Buddy praticamente não conseguia se movimentar.
Com a redução gradual do peso e o aumento da mobilidade, Buddy começou a fazer mais movimentos por conta própria. Ele se levantava, tentava andar e repetia o processo todos os dias.
O processo levou tempo, mas, para Jalessa, presenciar cada avanço foi gratificante.
Quatro anos depois de ser resgatado, Buddy está com 25,5 quilos, menos da metade do peso que tinha quando chegou à clínica.
A diferença também aparece na rotina. O cachorro agora passa as manhãs no quintal, gosta de tomar banho de sol, passeia de carro e se diverte perseguindo insetos pelo gramado da fazenda onde vive com Jalessa.
Mesmo seguindo uma dieta controlada, ele continua encontrando maneiras de tentar ganhar um agrado. Quando percebe a tutora comendo vegetais, por exemplo, Buddy aparece para pedir um pedacinho.
A mudança no corpo também devolveu ao cachorro a possibilidade de aproveitar atividades simples.
Antes, levantar-se já era um desafio por causa da combinação entre o peso elevado e a lesão na pata. Hoje, ele pode caminhar pelo quintal, explorar os arredores e acompanhar a família.
Obesidade canina
Segundo o VCA Animal Hospitals, cães são considerados com sobrepeso quando estão entre 10% e 20% acima do peso ideal e obesos quando ultrapassam 20%.
A condição vai além de uma questão estética, porque o excesso de gordura está associado a alterações metabólicas e inflamatórias que podem afetar diferentes órgãos e sistemas.
A obesidade canina pode aumentar o risco de problemas como:
- diabetes
- doenças cardíacas
- hipertensão
- artrose
- cálculos urinários
- alguns tipos de câncer
- degeneração das articulações
- complicações durante procedimentos anestésicos
O peso também interfere diretamente na mobilidade. Em um cachorro que já possui uma lesão nas articulações ou nos ossos, carregar quilos adicionais pode tornar os movimentos ainda mais difíceis e aumentar a sobrecarga sobre estruturas que já estão comprometidas.
Por isso, a perda de peso precisa ser conduzida com acompanhamento veterinário.
O veterinário poderá ajustar a alimentação de acordo com as necessidades, com controle de calorias, porções e frequência das refeições.
A estratégia também deve considerar a condição clínica e a capacidade de exercício de cada animal, já que simplesmente aumentar a atividade física pode não ser adequado para um cachorro com limitações de mobilidade.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.