Peixes do Apocalipse? Animal lendário emerge das profundezas do oceano e dá de cara com guia turística
Apelidado de "peixe do juízo final", o peixe-remo é associado no Japão à chegada de terremotos — crença que a ciência já descartou.
Por Rebecca Vettore em Mundo Animal
Uma guia turística e bióloga marinha se surpreendeu ao dar de cara com um "peixe do apocalipse" enquanto participava de um safári oceânico. O encontro aconteceu no início do ano.
Vindo diretamente das profundezas do oceano, o animal, de coloração azulada e prateada brilhante, apareceu diante de Isabelle Nelson Morales. A profissional atua como guia da Apex Ocean Divers, uma agência de turismo ecológico localizada em Cabo San Lucas, no México.
"Acabamos de ver uma coisa enorme e brilhante na água que eu nunca tinha visto antes... Eu literalmente não fazia ideia do que era", disse a profissional Nelson, em entrevista ao site The Dodo.
Durante o passeio, em que ela esperava encontrar golfinhos, baleias e tubarões, a bióloga avistou um peixe prateado e extremamente comprido nadando próximo à superfície.
Como a espécie quase nunca é vista viva, foi o capitão da embarcação quem fez a identificação: um peixe-remo (Regalecus glesne), habitante de águas profundas.
"Normalmente encontramos muitas espécies diferentes… Mas o peixe-remo foi algo que eu jamais imaginei", disse Nelson.
Olhares atentos do barco seguiam cada movimento do peixe-remo em seu ritual — círculos suaves, mergulhos breves no azul profundo para logo depois emergir novamente.
Notando a docilidade do misterioso habitante marinho, o grupo decidiu ir ao seu encontro. Entraram na água em silêncio, maravilhados, admirando de perto aquele momento raro, mas mantendo uma distância segura.
"Ele parecia super confortável com a nossa presença", contou a guia. "Basicamente, vinha direto na nossa direção, e nós ficávamos desviando."
O encontro que marcou a vida da bióloga
Na publicação, feita em março em sua página no Instagram, a bióloga deu mais detalhes sobre o acontecimento.
"Ontem, vivenciei um encontro tão raro que jamais imaginei ser possível — algo que nem constava na lista de sonhos oceânicos que carrego por toda a vida. A sensação foi como ganhar na loteria. O peixe-remo é o peixe ósseo mais longo do mundo e habita as profundezas do oceano, onde não há luz."
Ela continuou:
"Com corpos compostos majoritariamente por tecido gelatinoso, eles dependem das correntes marinhas. Conhecido como o 'peixe do juízo final', está ligado a lendas japonesas que associam seu aparecimento a terremotos. Em japonês, é chamado de 'mensageiro do palácio do deus do mar'. Para mim, significou o oposto: foi um bom presságio. Estar no lugar certo, na hora certa. Foi um presente do oceano e da vida."
O que diz a ciência sobre o "peixe do juízo final"
A associação entre o peixe-remo e desastres naturais é antiga no Japão, onde ele é chamado de ryūgū no tsukai. A crença ganhou força depois do terremoto de Tohoku, em 2011, precedido por uma série de encalhes da espécie no país.
Não há, porém, evidência científica que sustente a lenda. Um estudo publicado em 2019 no Bulletin of the Seismological Society of America, conduzido por Yoshiaki Orihara e colegas da Universidade Tokai, cruzou 336 registros de aparições de peixes de profundidade com 221 terremotos ocorridos no Japão entre 1928 e 2011.
Os pesquisadores encontraram apenas um caso plausivelmente correlacionado — e nenhuma aparição nos 30 dias que antecederam tremores de magnitude 7 ou superior.
O que a aparição pode indicar
Se o encontro foi um momento especial para Isabelle, ele também tem um lado triste.
Por viverem no mar profundo, os peixes-remo raramente sobem à superfície: quando isso acontece, costuma ser sinal de que o animal está doente, desorientado ou chegando ao fim da vida, segundo a organização Ocean Conservancy.
"Encontrá-los vivos e conseguir realmente entender seu comportamento: isso não acontece com frequência", disse a guia.
Outro peixe gigante que chamou a atenção
Se o peixe-remo impressionou no mar, em terra firme outro peixe gigante protagonizou uma história marcante. Na Argentina, o senhor Julio comprou alguns filhotes sem saber que um deles era um bagre-de-cauda-vermelha, posteriormente batizado de Gordo.
O peixe cresceu muito mais do que a família imaginava e acabou ficando grande demais para um aquário doméstico. Pensando em seu bem-estar, Julio decidiu doá-lo ao Bioparque Temaikèn.
Meses depois, ele voltou ao local e se emocionou ao reencontrar Gordo nadando com conforto e muito mais espaço.