Caramelo Cleitinho é adotado por posto de combustíveis, ganha crachazinho e agora é mimado por clientes
Por Larissa Soares em Cães
Quem passa pelo Auto Posto Jardim Europa, em Vargem Grande Paulista, São Paulo, pode encontrar um funcionário baixinho, caramelo e cheio de energia.
Cleitinho, um vira-lata caramelo, chegou ao posto em setembro de 2024 depois de ser atropelado e sofrer uma luxação em uma das patinhas.
Na época, os funcionários perceberam que o cachorro estava machucado e decidiram levá-lo ao veterinário. Além do atendimento, passaram a oferecer comida e abrigo enquanto ele se recuperava.
Aos poucos, Cleitinho foi se acostumando com o movimento do posto, enquanto os funcionários se apegavam mais a cada dia.
Foi assim que Cleitinho acabou sendo “promovido” de hóspede para mascote. O caramelo ganhou casinha, caminha e até uniforme com crachá de gerente.
Funcionário de quatro patas
A rotina de Cleitinho é acompanhada de perto pelos funcionários do posto e por estabelecimentos vizinhos.
Os cuidados são divididos entre as pessoas que convivem com ele diariamente, formando uma rede para garantir comida, abrigo e atenção ao cachorro.
E, se depender dos clientes, carinho também não falta. Cleitinho se tornou uma figura conhecida entre quem frequenta o posto e costuma receber muitos agrados durante o expediente.
No Instagram do cão, a rotina compartilhada mostra que ele encontrou diferentes maneiras de ocupar o tempo entre uma soneca e outra.
Tem dias em que ele aparece descansando em algum cantinho confortável. Em outros momentos, a energia fala mais alto e Cleitinho se dedica às brincadeiras e às pequenas confusões que fazem parte da vida de qualquer cachorro.
Em uma das cenas compartilhadas pelos funcionários, ele aproveita um minuto de distração de um dos cuidadores para pegar o lanche que estava por perto.
Em outra, a expressão de Cleitinho entrega bem pouco arrependimento diante dos destroços da almofada de sua própria caminha.
Cleitinho é um cachorro comunitário
Assim como Cleitinho, os cães comunitários fazem parte da realidade de diversas cidades brasileiras.
São animais que vivem em determinada região e criam vínculos com várias pessoas, sem necessariamente terem um único responsável pela guarda.
Em São Paulo, a Lei Estadual nº 12.916, de 2008, estabelece que é considerado cão comunitário aquele que mantém laços de dependência e manutenção com a comunidade onde vive, embora não tenha um responsável único e definido.
A legislação prevê que, quando um animal é reconhecido nessa condição, ele pode ser recolhido para esterilização, registro e depois devolvido à comunidade de origem, mediante a identificação de um cuidador principal.
As orientações do Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo também explicam que o cuidador principal é a pessoa que acompanha o cão com frequência, ainda que não seja considerada dona do animal.
Esse cuidador pode providenciar o registro do cachorro como comunitário e buscar a castração por meio dos programas municipais disponíveis.
Cães comunitários têm até função na vizinhança
Além da companhia, os cães comunitários podem desempenhar uma função no espaço onde vivem.
Segundo as recomendações do Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo, esses animais podem permanecer em suas comunidades e ajudar a evitar que cães desconhecidos, inclusive alguns que possam apresentar comportamento agressivo, ocupem aquele território.
Isso não significa que o cachorro deva ficar sem acompanhamento. A orientação é que a comunidade ofereça condições adequadas de cuidado, com abrigo, alimentação, água limpa e atenção à saúde do animal.
A identificação também é importante para que fique evidente que aquele cão é acompanhado por cuidadores.
A castração e a vacinação fazem parte dos cuidados importantes para esses animais. O material do Centro de Controle de Zoonoses orienta que o cuidador pode buscar o registro do cão comunitário e o encaminhamento para castração, além da vacinação contra a raiva nos serviços disponíveis.
O treinamento também pode ser considerado quando a comunidade entende que ele é necessário, especialmente para melhorar a convivência entre o cão e as pessoas que circulam pelo espaço. Em situações de agressão com vítima comprovada, porém, o animal precisa passar pelos procedimentos previstos pelas autoridades de zoonoses.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.