“Criando memórias com meu gato”: Sem filhos, jovem faz ‘brincadeira do fantasminha’ com gatos e resultado viraliza
Por Larissa Soares em Aqueça o coração
Apesar de não ter filhos humanos, a criadora de conteúdo Duda Clarki decidiu participar da trend de criar "memórias afetivas" com as crianças da casa.
Duda chamou cada um dos quatro gatos da casa para realizar a brincadeira do fantasminha – e o resultado não poderia ter sido melhor.
A brincadeira consiste em colocar fogo em um saquinho de chá vazio, transformando ele em um pequeno fantasma.
Depois que as chamas consomem boa parte do papel, o que sobra fica tão leve que pode subir pelo ar.
Duda, porém, decidiu adaptar a ideia e usou papel higiênico para fazer seus fantasminhas.
O fantasminha
O primeiro participante foi Chico Anisio, um siamês. No colo da tutora, o gato acompanhou a chama quase sem piscar enquanto o papel queimava.
Ele parecia muito interessado no que estava acontecendo, mas a experiência terminou de uma maneira diferente daquela que Duda esperava.
"Criando memórias com meu gato", escreveu Duda na publicação.
A reação dos internautas veio acompanhada de muitas risadas, principalmente porque o gato passou vários segundos observando a experiência e, no momento mais aguardado, não houve voo nenhum.
"Na hora que o fogo apagou me deu crise de riso kkkkkk", comentou uma pessoa.
"Ele prestando atenção", escreveu outra.
Na segunda tentativa, Duda chamou Cleber para participar. O gato também ficou sentado e acompanhou atentamente a chama, aparentemente tentando entender o que a tutora estava fazendo.
Mais uma vez, porém, o fantasminha não colaborou.
O resultado rendeu comentários sobre a expressão do gato, que parecia estar perdendo a paciência com o experimento.
"O gato: mãe, já posso ir embora? Tô com sono", brincou uma pessoa.
Depois de duas tentativas que terminaram com o papel queimando e caindo, o fantasminha finalmente voou.
A terceira gata levou alguns segundos para demonstrar interesse pela chama, mas logo passou a observar o que acontecia. Quando o papel queimou até chegar ao ponto certo, o fantasminha finalmente saiu voando.
A quarta participante também estava no colo da tutora e acompanhou tudo de perto. Quando o papel finalmente subiu, as duas olharam para cima ao mesmo tempo, surpresas com o voo.
No fim, Duda reuniu os quatro gatos para uma última tentativa. Dessa vez, felizmente para ela, o papel subiu.
Os animais demonstraram diferentes níveis de interesse, mas todos acabaram olhando para cima quando o fantasminha deixou o prato.
Os internautas também ficaram felizes por Chico Anisio, que já tinha participado da primeira tentativa e foi justamente o mais interessado.
"Ele vendo que dessa vez deu certo kskskks", escreveu um internauta.
Por que o fantasminha consegue voar?
Apesar da aparência de truque de mágica, o fenômeno tem uma explicação relacionada ao calor, à densidade do ar e às correntes de convecção. A experiência do saquinho de chá voador é usada há anos em atividades de ciência para demonstrar esses princípios.
O Science Learning Hub, da Universidade de Waikato, explica que, quando o saquinho vazio é queimado, o calor cria uma coluna de ar quente que sobe por convecção. Quando o material fica leve o suficiente, ele é carregado por essa corrente de ar.
O processo começa enquanto o papel ainda está pegando fogo. O ar dentro da estrutura é aquecido e fica menos denso do que o ar mais frio ao redor.
Como o ar quente tende a subir, ele cria uma corrente ascendente. Ao mesmo tempo, o próprio papel vai perdendo massa enquanto queima.
Esse segundo fator é importante. Conforme o fogo avança, sobra cada vez menos material. O que resta é uma estrutura muito leve de cinzas, que precisa de pouca força para sair do prato.
Quando a corrente de ar quente consegue superar o efeito da gravidade sobre esse material, o que parecia ser um fantasminha de papel acaba subindo.
O fenômeno é semelhante ao princípio que permite que um balão de ar quente suba. No caso do balão, o ar aquecido dentro dele fica menos denso do que o ar externo e produz sustentação.
No experimento, a estrutura é muito menor e o material vai sendo consumido pelo fogo, mas a movimentação do ar quente também participa do voo.
Por que algumas tentativas dão errado?
O resultado não é garantido em todas as tentativas. O tipo de material utilizado, seu peso, a forma como ele está montado e até as correntes de ar do ambiente podem interferir no resultado.
O saquinho de chá tradicional costuma ser usado porque pode ser aberto e transformado em um pequeno cilindro vazio e leve.
A atividade descrita pelo Questacon, centro australiano de educação científica, recomenda retirar o chá, o barbante e o grampo, abrir o saquinho e colocá-lo em pé sobre um prato resistente ao calor antes de acender a parte superior.
Duda utilizou papel higiênico nas gravações, uma adaptação que pode apresentar resultados diferentes justamente porque o material não tem as mesmas características do papel dos saquinhos de chá usados no experimento tradicional.
A brincadeira exige cuidado com o fogo
Embora pareça uma atividade simples, o fantasminha envolve uma chama e material inflamável, por isso não é uma brincadeira para deixar crianças ou animais participarem sem supervisão.
O experimento deve ser realizado na presença de um adulto responsável e sobre uma superfície não inflamável, longe de cortinas, tecidos e outros objetos que possam pegar fogo.
Em uma casa com gatos, o cuidado precisa ser ainda maior. Os animais podem tentar investigar a chama, brincar com o papel, se aproximar demais da superfície aquecida ou, como compartilhou essa internauta, ficar traumatizado:
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.









