Homem acorda de coma com sonho de resgatar 100 gatos e descobre colônia completa em casa recém-comprada
Por Larissa Soares em Proteção Animal
Após anos viajando pelo país, Joshua e Faye decidiram comprar uma casa nas montanhas Ozark, no Arkansas, nos Estados Unidos, onde finalmente poderiam se estabelecer.
Quando receberam as chaves, porém, descobriram que a propriedade já tinha moradores. Eram mais de 40 gatos vivendo por ali, sem comida, água ou abrigo adequado.
Para muita gente, a descoberta poderia significar procurar uma maneira de se livrar dos animais. Para Joshua, porém, havia uma ligação especial com aquela situação.
A casa veio com presentes
O casal já tinha experiência com adoção e resgate de animais quando decidiu comprar uma propriedade rural. Eles pretendiam adquirir o terreno e construir uma casa do zero, mas o processo de compra levou cerca de quatro meses.
Durante esse período, o antigo proprietário deixou o local. Quando Joshua e Faye finalmente puderam entrar na casa, perceberam que uma colônia inteira de gatos havia ficado para trás.
Os animais estavam em condições preocupantes. Segundo Faye, muitos estavam magros, debilitados e doentes. Algumas gatas estavam grávidas e, pouco depois, a família começou a encontrar filhotes com frequência.
"Começamos a encontrar gatinhos uma vez por semana", contou ela ao The Dodo.
Faye passou a chamar aquilo de um "tornado de gatos", uma brincadeira para descrever a quantidade de animais que aparecia pela propriedade.
O casal, entretanto, não queria simplesmente alimentar os gatos e deixar que a população continuasse crescendo. Eles perceberam que precisariam agir rapidamente.
O sonho dos 100 gatos
Joshua sempre teve interesse em ajudar animais resgatados, mas sua vida mudou completamente quando sofreu um acidente grave que provocou uma lesão cerebral traumática e o deixou em coma induzido.
Quando finalmente acordou, ele contou para a esposa que tinha tido um sonho muito específico: queria resgatar 100 gatos. "Cem gatos?", perguntou Faye na época. A resposta dele foi sim.
Quando os dois chegaram à propriedade no Arkansas e encontraram dezenas de felinos precisando de ajuda, a promessa feita anos antes ganhou outra dimensão.
O casal começou a aprender, na prática, como cuidar de uma colônia. Eles passaram a alimentar os gatos, cuidar dos filhotes que precisavam de mamadeira, capturar os adultos e buscar recursos para consultas e procedimentos veterinários.
"Construindo um avião enquanto voávamos", brincou Faye ao explicar como os dois foram aprendendo enquanto enfrentavam cada nova necessidade.
Hoje, 42 gatos vivem no Sunshine Pines Rescue.
Castrar era uma corrida contra o tempo
Uma das maiores preocupações do casal era impedir que a colônia continuasse crescendo. Com tantas gatas sem castração, cada nova ninhada poderia aumentar ainda mais o número de animais precisando de cuidados.
"Se não os levássemos para serem castrados, mais gatinhos apareceriam, então estávamos correndo contra o tempo", explicou Faye.
A preocupação tem fundamento. Gatas podem entrar no primeiro cio ainda muito jovens. Segundo a organização Alley Cat Allies, algumas podem engravidar a partir dos quatro meses de idade.
Por isso, a entidade recomenda que a castração seja discutida com o veterinário antes da maturidade sexual.
A organização também destaca que a esterilização interrompe o ciclo reprodutivo e reduz comportamentos associados ao acasalamento, como fugas, disputas entre machos e vocalizações relacionadas ao cio.
Nas fêmeas, a castração também elimina gestações e reduz riscos relacionados a algumas doenças reprodutivas.
No caso de gatos que vivem em colônias, a estratégia conhecida como TNR, sigla em inglês para captura, castração e retorno, é utilizada para controlar a reprodução sem retirar todos os animais do território onde vivem.
Em um programa acompanhado pela Alley Cat Allies em Cook County, nos Estados Unidos, mais de 17,5 mil gatos comunitários foram castrados, vacinados e devolvidos aos locais onde viviam entre 2008 e 2012.
Cinco anos depois do início do programa, a população registrada nas áreas acompanhadas havia caído de 1.329 para 788 gatos.
Outro levantamento realizado pela própria organização em uma clínica de castração de gatos comunitários mostrou a dimensão do problema. Entre mais de 6,5 mil gatos atendidos ao longo de dez anos, apenas 2% já haviam chegado castrados. Quase uma em cada cinco fêmeas estava grávida.
Uma gata pode gerar 10 mil gatos
A estimativa apresentada pela Clínica de Controle de Natalidade Animal Pet Refuge ajuda a visualizar como uma única gata pode contribuir para o crescimento de uma população quando os filhotes também permanecem sem castração.
Considerando sucessivas gerações e condições favoráveis de reprodução, a projeção chega a 10.736 novos gatos em quatro anos.
A conta exata varia conforme o número de filhotes, a sobrevivência dos animais, a idade em que começam a reproduzir e diversos outros fatores, mas serve para mostrar por que a esterilização precisa acontecer antes que uma colônia se torne grande demais para ser administrada.
Agora eles querem construir um santuário
Cuidar de 42 gatos não é uma tarefa pequena, especialmente para duas pessoas que também convivem com limitações físicas.
O casal está trabalhando para construir um gatil onde os animais possam viver com mais segurança e conforto.
Faye contou que o progresso tem sido lento, principalmente porque os dois precisam realizar o trabalho com apenas três braços entre eles e enfrentam o calor do verão do Arkansas.
Além da estrutura, existe uma lista diária de necessidades que inclui comida, areia e atendimento veterinário. Alguns dos gatos também têm suas próprias deficiências e precisam de cuidados adicionais.
Por enquanto, os animais do Sunshine Pines não estão disponíveis para adoção. Joshua e Faye estão concentrados em manter a colônia protegida e em conseguir recursos para finalizar o espaço destinado aos gatos.
Veja o vídeo publicado pelo The Dodo, dublado com inteligência artificial:
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.










