"Com quantos anos você descobriu que galinhas amam carinho?": Galinha Tereza fica famosa por demonstrações de afeto
Por Rebecca Vettore em Mundo Animal
Durante muito tempo, as galinhas foram vistas apenas como animais de criação. Mas quem acompanha a rotina de Tereza, uma galinha que vive com gatos e cachorros, descobriu que elas também podem criar vínculos, reconhecer seus tutores e até procurar carinho.
Ana, dona do perfil anadasgalinhas, compartilha no TikTok o dia a dia dos animais que vivem no quintal de sua casa em Campinas. A página já reúne pouco mais de 8,9 mil seguidores, e os vídeos de Tereza e das outras galinhas acumulam milhares de interações.
A história começou quando Ana e o marido decidiram criar galinhas para ter ovos. O que eles não esperavam era se apaixonar pelos animais e transformá-los em verdadeiros membros da família.
Tereza cresceu e continuou carinhosa
Tereza foi adotada ainda como pintinho. Na época, algumas pessoas diziam que, quando crescesse, ela ficaria arisca, se afastaria, não se lembraria dos tutores nem pediria carinho. Mas aconteceu justamente o contrário.
"Com quantos anos você descobriu que galinhas amam carinho?", brincou Ana em uma das publicações.
A adoção da galinha foi compartilhada
Em outro relato, Ana explicou como a relação entre as duas se tornou próxima:
"Quando eu adotei a Tereza, ela não saía de perto de mim, se sentia segura do meu lado. Sempre dá um jeito de ficar grudadinha. Receber carinho era seu momento preferido…"
Nos comentários, a experiência de Ana também desperta identificação.
"São um dos melhores pets para se ter, e pouco se fala nisso", escreveu uma seguidora.
Outra internauta lembrou a própria infância:
"Eu tinha uma quando era criança. Meu pai criava e todos eram ariscos. Mas tinha uma que era muito carinhosa, ela dormia no meu colo kkkk. Muito fofa!"
"Todo bichinho nos dá o amor que recebe!!", disse outra pessoa.
Atualmente, a publicação conta com 1,3 milhão de visualizações, 219,7 mil curtidas e mais de 2,6 mil comentários.
Além de Tereza, a convivência com outros animais também faz parte da rotina de Ana. Galinhas, gatos e cachorros dividem o mesmo quintal, em uma dinâmica que chama a atenção de quem acompanha os vídeos.
Galinhas podem ser animais de estimação?
Em entrevista ao Amo Meu Pet, Morgana Prado, médica-veterinária, especialista em pets não convencionais do Hospital Veterinário Taquaral, diz que galinhas podem ser animais de estimação. Inteligentes, curiosas e sociáveis, elas são capazes de reconhecer pessoas, criar vínculos e apresentar personalidades diferentes.
Para quem deseja ter uma como pet, porém, é preciso responsabilidade. Elas precisam de espaço seguro, proteção contra predadores, poleiros, higiene adequada, água fresca e alimentação completa, preferencialmente com ração específica para cada fase da vida.
Também são animais sociais e, em geral, não devem ser mantidas sozinhas.
A veterinária alerta ainda que as galinhas não são animais de "baixa manutenção". Elas podem apresentar parasitoses, doenças respiratórias, problemas nutricionais e outras alterações de saúde.
Mudanças de comportamento, falta de apetite, dificuldade para caminhar ou alterações nas fezes devem ser avaliadas por um profissional.
Também é importante considerar a rotina da família antes de adotar uma galinha.
"O tutor precisa estar preparado para os custos com alimentação, cuidados veterinários e manutenção do ambiente. Além disso, novas aves devem passar por um período de quarentena antes de serem colocadas junto às demais, reduzindo o risco de transmissão de doenças", explica Morgana.
A convivência com outros animais também exige cuidado.
"Mesmo quando cães e gatos parecem amigáveis, não se deve presumir que a interação seja sempre segura, devido ao risco de acidentes, brigas e transmissão de agentes infecciosos."
Para Ana, a experiência mostrou que uma galinha pode ocupar um espaço muito diferente daquele tradicionalmente imaginado.
Quais são as regras para criar galinhas?
No Brasil, não existe uma lei federal que proíba ter galinhas como animais de estimação ou que determine como deve ser a criação desses animais.
No estado de São Paulo, a Lei Estadual nº 5.326/1986, que trata da criação de aves e animais de pequeno porte em áreas urbanas, determina que essa prática seja exclusivamente para consumo próprio e receba fiscalização e supervisão das autoridades sanitárias e de saúde.
Já o Decreto Estadual n° 12.342/1978, que estabelece regras para a criação de granjas em espaços urbanos, diz que as galinhas podem permanecer nesses locais desde que estejam devidamente instaladas, e não causem prejuízos à saúde pública nem ao bem-estar da população.
Quando falamos dos cuidados com a vizinhança, se algum morador se sentir incomodado com o cheiro ou com a sujeira da casa ao lado e fizer uma denúncia à prefeitura, a Vigilância Sanitária fiscalizará o local. Por isso, o ambiente deve ser mantido limpo e em conformidade com as regras da cidade.
Por fim, quando falamos dos direitos dos animais domésticos, entre eles cachorros, gatos e galinhas, a Lei nº 15.449/2017 da cidade de Campinas, onde Ana mora, assim como legislações de outros municípios do país, estabelece normas para a proteção, a defesa e o bem-estar desses animais.
Por isso, antes de ter uma galinha como animal de estimação, fique atento às regras da sua cidade.
Como evitar a gripe aviária?
Segundo a médica-veterinária, para evitar que as galinhas domésticas contraiam a gripe aviária, os donos devem impedir que elas interajam com aves silvestres, principalmente as aquáticas.
"Além disso, para evitar a contaminação, o local onde as galinhas vivem deve ser mantido limpo. Antes de introduzir um animal novo no recinto, ele deve passar por quarentena. Um veterinário especialista precisa acompanhar essa criação, e a saúde dos animais deve ser monitorada. Ao constatar qualquer sintoma de gripe nos bichos, o especialista deve ser notificado", conclui Morgana.
Redatora do portal Amo Meu Pet.
Graduada em Jornalismo e com pós-graduação em Mídias Digitais pelo Senac, a Rebecca encontrou na comunicação sua vocação para contar histórias que tocam e emocionam.
Com mais de 10 anos de experiência na área, construiu uma trajetória colaborando com grandes portais de notícias como Folha de S.Paulo, UOL e Terra.
Hoje, une sua bagagem jornalística ao universo pet, dedicando-se a escrever conteúdos que dão voz ao mundo animal, conectam pessoas e transformam relatos em leituras inspiradoras.