Cão que cavava o jardim para a avó de 96 anos perde sua companheira e a família encontra um jeito de consolá-lo

Em Wake Forest, na Carolina do Norte, Barbara Collins apontava o lugar e o Chewy abria o buraco em segundos.

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em Cães

Uma mulher de 96 anos decidiu plantar flores no quintal de casa, em Wake Forest, na Carolina do Norte. Como já não conseguia cavar, apontou para um ponto do canteiro e pediu ajuda ao cachorro da família.

Ele entendeu, foi até o ponto e cavou. Duas patas na terra e o buraco estava pronto.

Ela se abaixou, encaixou a muda, cobriu com terra e apontou para o ponto seguinte.

Não é truque de circo. É divisão de tarefa entre dois que se conhecem: ela sabia onde plantar, ele tinha a força.

"Vem cá e cava", ela pede no começo do vídeo. Depois, apontando: "Bem aqui."

A avó é Barbara Collins. O cachorro é o Chewbacca, um cão da raça terra-nova, aquele gigante peludo que em inglês se chama Newfoundland. Tem 4 anos e todo mundo chama ele de Chewy. Quem filma é a neta, Amy Savino, que publica a rotina dos dois no perfil @chewythenewfie.

São 14 segundos, que 14 milhões de pessoas pararam para ver.

O acordo dos dois

A ABC News foi atrás da família e descobriu os anos anteriores.

Barbara e Chewy moravam um ao lado do outro. Era todo dia, não era visita de fim de semana. Eles passeavam juntos e ficavam vendo o pôr do sol.

Tinha um detalhe da casa que a neta filmou depois. Toda vez que a Barbara subia a escada, o Chewy ficava parado no pé dos degraus, olhando para cima, até ela chegar.

E ela costurava roupa para ele. Inclusive pijamas combinando com os dela.

Perguntada se esperava que ele fosse cavar, ela respondeu sem rodeio:

"Eu sabia que ele ia fazer"

Oficialmente o Chewy é da neta. A Barbara discordava com todas as letras:

"Ele é meu cachorro, na verdade. Espero que ela saiba, que ela perceba que ele é meu cachorro"

No fim do trabalho, ela dá o veredito:

"Você fez muito bem"

O que veio depois?

O jardim foi plantado em abril. Barbara Mabel Collins faleceu em 29 de junho de 2026, aos 96 anos, cercada pela família.

Ao escrever o obituário, a família teve que escolher o que cabia numa vida inteira. Escolheu o que ela gostava de fazer: costurar, pintar, montar quebra-cabeça e ficar perto de quem amava.

E escolheram guardar ali um nome que não é de gente. Está no meio da despedida, escrito por eles: ela tinha um carinho especial pelo tempo que passava com o Chewy, e as visitas dele lhe traziam alegria sem fim e sorrisos sem conta.

É pouca gente que ganha um parágrafo no obituário de alguém. O Chewy ganhou.

Pouco antes, a neta tinha dado um presente para os dois: uma caixa de correio só deles, com o endereço publicado para quem quisesse escrever. A Barbara abriu o pacote azul na varanda, com o Chewy do lado, e não chegou a ver a maior parte das cartas que vieram.

Semanas depois, ela filmou o que estava na porta: uma caixa transbordando de envelopes de gente que nunca conheceu nenhum dos dois. Sentou no chão para abrir, com o Chewy ao lado.

O nome que ficou

Em julho, um filhote novo chegou à família, de noite, dentro de uma cesta de vime. O Chewy se levantou para ver o que tinha dentro.

A neta escreveu uma frase só na tela, e ela explica o resto: ele tinha perdido a alma gêmea dele havia pouco tempo.

Chamaram a filhote de Mabel.

É o nome do meio da avó: Barbara Mabel Collins. O cachorro que chegou depois leva o nome dela.

Numa das falas à ABC News, Barbara explicou o que sustentava aquela rotina:

"Também acho muito importante amar, e acho que a gente se ama. Eu amo o Chewy, ele me ama. De que adianta se vocês não se amam?"

O jardim que os dois plantaram naquele dia de abril continua no mesmo lugar, ao pé da árvore. As flores amarelas e rosa abriram no verão americano, meses depois de a mão que as escolheu não estar mais ali para regá-las.

Quem cavou cada um daqueles buracos ainda mora ao lado.

Camila é técnica em vestuário e formada em design de moda, então repara no caimento de tudo, inclusive no pelo dos próprios cachorros. Mora com o Bilbo, um Yorkshire, e a Sara, uma Lulu da Pomerânia, dupla que garante que nenhuma roupa preta dela sobreviva a uma tarde inteira. Gosta de tecido, de cor e de entender como as coisas são feitas por dentro, hábito que levou para o jeito de escrever sobre pets.