De latinha em latinha, mulher consegue castrar cães e gatos e encontrar novos lares: "Se cada um fizesse um pouco"
Por Ana Carolina Câmara em Aqueça o coração
Kika é moradora de Toledo, no Paraná, e encontrou uma forma especial de ajudar os animais que vivem nas ruas: ela recolhe latinhas e transforma o dinheiro arrecadado em castrações de cães e gatos.
Sentindo que precisava fazer mais por esses animais, Kika teve a ideia há poucos meses e, desde então, sua iniciativa já possibilitou a castração de sete fêmeas.
Em um vídeo compartilhado em seu perfil no TikTok, @daalata, no dia 14 de julho, ela contou que, no início, recolhia as latinhas sozinha. Por isso, levava bastante tempo até conseguir juntar o valor necessário para castrar um animal.
Foi então que surgiu outra ideia: por que não aproveitar a visibilidade das redes sociais para pedir ajuda e ampliar esse trabalho?
Com o apoio de outras pessoas, as gatinhas Chiquinha, Florinda, Popis, Amora, Polaca e Paty, além da cachorrinha Pitoca, já foram castradas.
Kika não é ONG, não possui abrigo e nem atua oficialmente como protetora de animais, mas isso não a impede de fazer o que está ao seu alcance para evitar que mais cães e gatos nasçam e acabem enfrentando o abandono nas ruas.
A castração é uma importante forma de controle populacional, ajudando a evitar ninhadas indesejadas e, consequentemente, o aumento do número de animais abandonados.
A iniciativa de Kika chamou a atenção nas redes sociais. O vídeo acumulou milhares de visualizações e recebeu centenas de comentários de pessoas admiradas com seu trabalho.
"Obrigada! Você é um ser humano incrível."
"Importantíssimo o seu trabalho!"
"Se cada um fizesse um pouco, a situação estaria melhor para os animais."
Assista:
Latinhas que salvam
Com o lema "latinhas que salvam", Kika incentiva a população a separar materiais recicláveis que muitas vezes acabariam no lixo, como latinhas de alumínio, lacres, tampas plásticas, tampinhas de garrafas long neck e cápsulas de café.
Depois de arrecadados, esses materiais são separados e vendidos para reciclagem, onde podem ser reaproveitados como matéria-prima na fabricação de novos produtos.
O valor obtido com a venda é destinado às castrações de cães e gatos, principalmente daqueles que vivem nas ruas, além de contribuir para a alimentação desses animais.
Dessa forma, Kika conseguiu unir duas causas importantes em uma mesma iniciativa: o cuidado com os animais e a preservação do meio ambiente.
Aquilo que para muitas pessoas poderia parecer apenas lixo reciclável passa a ter um novo significado e se transforma em uma forma concreta de ajudar.
Por isso, ela reforça que qualquer contribuição é bem-vinda. Uma latinha pode parecer pouco, mas, quando muitas pessoas ajudam, a arrecadação cresce e pode resultar na castração de mais um animal.
Confira:
Como funciona o trabalho de Kika?
Como Kika faz questão de explicar, ela não é uma ONG e não possui um espaço próprio para acolher os animais. Mesmo assim, sempre que realiza uma castração, abre as portas de sua casa para cuidar do bichinho durante o período de recuperação.
Após o procedimento, os animais permanecem com ela por cerca de oito dias, tempo necessário para acompanhar a cicatrização e garantir que estejam bem antes de seguirem para o próximo destino.
Durante esse período, Kika também tenta encontrar uma família disposta a adotá-los. Quando isso não acontece, o animal precisa retornar ao local onde vivia, mas com uma diferença: castrado.
Foi assim com uma gatinha que recebeu o nome de 15, uma das beneficiadas pelo projeto.
Depois de ser castrada e passar pelo período de recuperação, ela teve ainda mais sorte: Kika conseguiu encontrar uma família para a felina.
No dia 31 de agosto, chegou a hora da despedida.
"A 15 foi viver para sempre com sua família, que prometeu cuidar dela enquanto existir seu sopro de vida", contou Kika.
Espia:
Se você é de Toledo, já sabe como pode contribuir com a causa: separando materiais recicláveis que possam ser destinados ao projeto.
Agora, se você mora em outra cidade, vale a pena procurar por protetores independentes, ONGs ou projetos de proteção animal da sua região.
Muitas dessas iniciativas sobrevivem graças à ajuda da própria comunidade, seja por meio de doações, divulgação, lar temporário ou até mesmo separando materiais recicláveis.
Às vezes, uma ajuda que parece pequena para uma pessoa pode representar uma castração, um tratamento ou até a chance de um novo lar para um animal.
Redatora e apresentadora do Canal Amo Meu Pet.
Com formação em Design de Produtos e especialização em Design de Interiores pela Universidade de Passo Fundo, a Ana encontrou sua verdadeira paixão ao unir criatividade, comunicação e o amor pelos animais.
Apaixonada por contar histórias que tocam o coração, ela estudou Escrita Criativa com o escritor Samer Agi e participa do programa JournalismAI Discovery, organizado pela Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Iniciativa de Notícias do Google, buscando se aprofundar no universo digital.
Hoje, dedica-se a produção de conteúdos que informam, emocionam, conscientizam e arrancam sorrisos.