Ganso que não conseguia se alimentar tem bico reconstruído por veterinária brasileira e resultado impressiona
Por Larissa Soares em Mundo Animal
Um ganso que não conseguia se alimentar por causa de uma deformidade no bico ganhou uma nova oportunidade depois de passar por um procedimento de reconstrução realizado pela médica-veterinária e zootecnista Maria Ângela Panelli.
Conhecida nas redes sociais como a "ortopedista dos animais", ela desenvolve próteses para aves e outros animais que sofreram traumas ou nasceram com alterações que comprometem funções importantes.
O caso do ganso foi compartilhado por Maria Ângela nas redes sociais. Nas imagens, a ave aparece com o bico totalmente torto, uma condição que dificultava a alimentação. Depois do procedimento, o animal aparece com uma prótese capaz de auxiliar novamente na apreensão dos alimentos.
"Como é bom podermos ajudar um animal a ter sua capacidade de se alimentar com uma prótese de bico. Isso preenche minha alma!", escreveu a veterinária.
O trabalho, porém, vai muito além da aparência. Para Maria Ângela, uma prótese precisa ser funcional e permitir que a ave volte a desempenhar atividades importantes para sua sobrevivência.
É justamente por isso que a veterinária se tornou conhecida pelo trabalho de reconstrução de bicos.
Ao longo da carreira, ela já atendeu mais de 10 mil animais, entre espécies domésticas e silvestres, e passou a desenvolver soluções ortopédicas para casos que muitas vezes não tinham alternativas de tratamento.
A relação de Maria Ângela com os animais começou ainda antes da formação em medicina veterinária. Na década de 1990, quando trabalhava como zootecnista em Goiânia, Goiás, ela começou a ajudar animais domésticos abandonados por meio de uma parceria com uma médica-veterinária.
Quando a colega deixou o projeto, Maria Ângela decidiu cursar medicina veterinária para ampliar seus conhecimentos e poder atuar diretamente nos cuidados dos animais.
Foi durante a graduação que ela conheceu a ortopedia veterinária e percebeu que havia espaço para aplicar esse conhecimento também na reabilitação de animais silvestres.
Uma das experiências que marcou essa trajetória envolveu justamente uma ave. Na época, a produção de próteses para animais silvestres ainda era pouco comum.
Ao criar um novo bico para uma maritaca e conseguir fazer com que a ave voltasse a utilizá-lo, Maria Ângela percebeu que poderia desenvolver soluções semelhantes para outros pacientes.
Desde então, tucanos, gansos, onças, corujas, gambás, tartarugas, papagaios e lagartos estão entre os animais que já passaram por seus atendimentos.
Os motivos que levam esses pacientes a perder parte do bico são variados. Há aves que se chocam contra estruturas de prédios e condomínios, animais vítimas de atropelamentos, casos relacionados à caça e indivíduos que já nascem com alterações na formação do bico.
Em todos esses casos, o objetivo não é apenas fazer com que o animal tenha uma aparência semelhante à anterior. A prótese precisa cumprir sua função.
O desafio de fazer um bico que funcione
Um dos casos que ajudam a entender esse trabalho é o de Amelinha, uma arara-canindé que perdeu o bico depois de sofrer um acidente em uma fiação elétrica urbana.
Quando chegou para ser atendida, a ave conseguia comer apenas utilizando a parte inferior do bico como uma espécie de alavanca. A alimentação precisava ser composta por itens macios, já que Amelinha não tinha condições de quebrar sementes.
Maria Ângela desenvolveu uma prótese para a arara e o resultado permitiu que ela voltasse a consumir sementes.
A veterinária aproveitou o caso para explicar que construir uma prótese bonita não é suficiente. O formato precisa respeitar a anatomia e a maneira como a ave utiliza o bico para se alimentar.
Nas aves da família dos psitacídeos, como as araras, o bico participa de diferentes etapas da alimentação. A parte superior e a inferior trabalham juntas tanto para apreender o alimento quanto para quebrá-lo e processá-lo.
Por isso, uma prótese mal planejada pode até parecer perfeita nas fotografias, mas não oferecer a função necessária para o animal.
Maria Ângela destacou justamente essa diferença ao mostrar Amelinha utilizando a prótese para quebrar sementes.
Segundo a veterinária, também é necessário avaliar a resistência do material, a fixação e o conforto proporcionado ao paciente.
A força exercida pelo bico das aves é considerável, principalmente em espécies capazes de quebrar sementes e frutos mais resistentes.
O trabalho, portanto, envolve conhecimento de anatomia, biomecânica e comportamento alimentar da espécie.
A prótese também não precisa ter necessariamente a mesma durabilidade em todos os casos.
Maria Ângela explica que, para aves que se alimentam de sementes, a expectativa de duração pode ser de alguns anos, enquanto em pássaros que se alimentam exclusivamente de carne ela pode durar por toda a vida.
A diferença está, entre outros fatores, no tipo de esforço que o bico precisa suportar diariamente.
Atualmente, Maria Ângela também atende na Clínica Best Vet, em São Paulo, onde continua trabalhando com ortopedia e reconstrução para animais.
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Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.








