'Ainda dói contar essa história': Jovem se depara com três dogues alemães e resolve mudar suas vidas para sempre
Por Larissa Soares em Cães
Beatriz Nutti estava a caminho de um treinamento com um de seus cães quando encontrou três dogues alemães em uma estrada rural de Mogi das Cruzes, em São Paulo.
Os cães estavam muito magros, famintos e vivendo em condições precárias. Diante da situação, ela parou o carro para tentar ajudá-los, sem imaginar que aquela primeira tentativa de resgate se transformaria em uma busca que duraria seis meses.
Os três eram cães de uma raça conhecida pelo tamanho impressionante. Naquele momento, porém, o que chamava atenção não era a altura ou a estrutura corporal dos dogues alemães, mas a condição em que eles estavam.
Beatriz contou que os animais pareciam estar apenas pele e osso e que chegou a vê-los comendo restos encontrados na região para conseguir se alimentar.
Ela tinha um saco de ração de 15 quilos no carro e decidiu deixá-lo para os cães. Enquanto eles comiam, Beatriz percebeu que precisaria liberar espaço no veículo para conseguir transportá-los.
O carro estava cheio de objetos e os três cães eram grandes demais para simplesmente entrarem ali.
Ela se afastou por cerca de dez minutos para organizar o veículo. Quando voltou, os dogues haviam desaparecido.
Dez minutos que viraram meses
A partir daquele momento, Beatriz começou uma procura pela região. Ela contou que passou horas e dias tentando encontrar os cães, voltando à estrada, perguntando aos moradores e procurando qualquer sinal que pudesse indicar para onde eles tinham ido.
Como morava a cerca de três horas de distância, a busca exigia novas viagens. Mesmo assim, ela retornou diversas vezes ao local e tentou conseguir ajuda de protetores e policiais.
Sem saber exatamente de onde os cães tinham vindo ou quem poderia ser responsável por eles, as buscas não avançaram.
Durante meses, Beatriz continuou pensando nos três dogues. Uma possibilidade passou a ocupar sua cabeça. Talvez eles tivessem uma casa e estivessem circulando pelas proximidades.
Ela decidiu não desistir e, seis meses depois do primeiro encontro, uma ligação trouxe a informação que ela esperava. Um morador da região havia visto os cães novamente.
Dessa vez, Beatriz não demorou. Pegou o carro e voltou para a região. A procura levou algum tempo e teve partes que, segundo ela, não poderiam ser divulgadas, mas finalmente os cães foram localizados.
Quando chegou até eles, a situação continuava preocupante.
Infelizmente, Beatriz não conseguiu localizar as duas fêmeas que ela viu naquele primeiro dia. Ela contou que essa parte continua sendo difícil de lembrar, principalmente por não saber o que aconteceu com elas.
No lugar, estavam mais duas fêmeas.
Quatro dogues alemães
Os cães foram retirados da antiga propriedade e levados para atendimento veterinário. Além da magreza, apresentavam feridas e bicheiras. A fêmea mais velha estava em estado delicado e, segundo Beatriz, parecia estar abatida e sem forças.
Poucos dias depois, outra fêmea também foi localizada e resgatada. Assim, o grupo que passou a receber cuidados era formado por quatro dogues adultos, sendo três fêmeas e um macho.
A diferença entre o peso esperado para cães daquele porte e a condição em que eles chegaram chamava atenção. Segundo Beatriz, todos deveriam pesar pelo menos 50 quilos, mas a fêmea que estava em situação mais crítica tinha apenas 34 quilos quando foi resgatada.
O primeiro destino foi a clínica veterinária, onde os quatro passaram por avaliação. Depois, começaram uma rotina de alimentação, tratamentos e cuidados para recuperar a saúde.
Em poucas semanas, a transformação começou a aparecer. Cerca de um mês depois do resgate, os quatro já apresentavam outra aparência e outro comportamento.
Bartholomeu, o macho do grupo, ganhou 25 quilos durante o processo de recuperação. Aisha se mostrou uma cadela carinhosa e também bagunceira, enquanto Greta, a mais velha, chamou atenção pelo jeito tranquilo, calmo e companheiro.
Ivy foi a primeira a encontrar uma família. A adoção aconteceu logo no início da recuperação. Enquanto isso, Bartholomeu, Aisha e Greta continuaram esperando.
A busca por famílias também levou em consideração o tamanho dos cães e as necessidades específicas de uma raça gigante.
Um dogue alemão pode ocupar bastante espaço, além de demandar alimentação, cuidados veterinários e acessórios compatíveis com seu porte.
Adoção conjunta
No início de abril, chegou a vez de Bartholomeu e Greta deixarem o local onde estavam sendo cuidados. Os dois foram adotados pela mesma família.
Ainda faltava Aisha. A cadela acabou tendo uma nova oportunidade por meio de uma família que já conhecia outro dos cães resgatados. A família que havia adotado Ivy decidiu também receber Aisha em casa.
Sobre o dogue alemão
O dogue alemão é uma das maiores raças caninas e pertence ao grupo de cães de trabalho.
Segundo o American Kennel Club, machos podem chegar a cerca de 81 centímetros de altura na cernelha e pesar entre 50 e 79 quilos. Fêmeas podem chegar a aproximadamente 76 centímetros e pesar até cerca de 64 quilos.
O AKC destaca que a raça costuma ser amigável, social e muito ligada às pessoas, apesar da aparência imponente.
Esses cães precisam de socialização, treinamento e exercícios regulares, mas não são considerados uma raça que necessite de atividades físicas intensas o tempo todo.
A alimentação também merece atenção, principalmente durante o crescimento. O desenvolvimento acelerado de cães gigantes pode favorecer problemas musculoesqueléticos, e uma dieta adequada ajuda a evitar crescimento excessivamente rápido.
Já na fase adulta, o controle do peso é importante porque a obesidade pode aumentar o risco de problemas articulares e outras doenças.
O AKC aponta ainda que a expectativa de vida dos dogues alemães costuma ficar em torno de oito a dez anos, menor que a observada em muitas raças de menor porte.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.











