"Casa mais segura do Brasil": mulher chega para fazer entrega e é recebida por exército de pinschers e aviso no portão

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Adriana Sant'Ana, de Cascavel, no Paraná, chegou a uma propriedade na região de Santa Helena para fazer uma entrega e encontrou uma recepção formada por mais de dez cães de pequeno porte.

Ela, que vive viajando pelo mundo em uma Kombi, se surpreendeu com a quantidade de cãezinhos reunidos na propriedade. Mas não eram apenas os pequenos.

"Você não viu nada, tem um baita de um pitbull, coisa mais linda lá em cima", comentou o homem que estava no veículo.

A informação fez Adriana rir ainda mais diante da placa instalada no portão. O aviso dizia que havia um cão bravo no local, seguido de uma descrição que combinava perfeitamente com a fama dos pequenos moradores da casa: metade tremedeira e metade fúria.

A quantidade de pinschers fez a propriedade ganhar, nas brincadeiras dos internautas, o título de paraíso dos pinschers. Outra pessoa comparou a concentração de cães a uma plantação de cachorros.

"O pitbull deve estar sendo refém", brincou outro internauta.

A fama dos pinschers como cães que parecem muito maiores do que são também apareceu nas brincadeiras.

Eles costumam chamar atenção pela postura alerta, pelos latidos e pela disposição para reagir quando alguma coisa desperta seu interesse.

Por que cães pequenos podem ser mais reativos?

Uma reportagem publicada pela Live Science abordou a relação entre tamanho corporal e comportamento em cães.

Segundo James Serpell, pesquisador da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia, cães com menos de 9 quilos tendem a apresentar maior reatividade.

A reportagem cita um estudo publicado em 2008 na revista Applied Animal Behaviour Science, que analisou relatos de tutores de mais de 30 raças por meio de um questionário comportamental.

Os resultados mostraram diferenças entre as raças em comportamentos relacionados à agressividade direcionada a pessoas, tutores e outros cães.

Dachshunds e Chihuahuas apareceram entre as raças com níveis acima da média em algumas medidas, enquanto Golden Retrievers e Labradores, por exemplo, apresentaram níveis mais baixos nos comportamentos avaliados.

Uma das hipóteses levantadas por Serpell é intuitiva. Para um cachorro muito pequeno, pessoas, outros cães e determinadas situações podem parecer mais ameaçadores por causa da diferença de tamanho. Uma reação de defesa pode surgir quando o animal se sente acuado ou com medo.

Nesse caso, aquilo que para uma pessoa parece um cachorro "bravo" pode estar relacionado a uma resposta de medo ou insegurança.

Rosnar, latir, mostrar os dentes ou avançar são alguns dos comportamentos que podem aparecer em situações de tensão.

O jeito dos tutores também pode influenciar

Outra hipótese discutida envolve a maneira como cães pequenos são tratados pelos próprios tutores.

Por serem menores e mais frágeis fisicamente, alguns acabam sendo tratados como se fossem bebês que precisam ser protegidos de qualquer situação desconfortável.

O problema é que, quando um cão não tem oportunidades adequadas de socialização e aprendizado, ele pode ter mais dificuldade para lidar com pessoas, animais ou ambientes desconhecidos.

Serpell também aponta que a genética pode participar dessa equação. O comportamento agressivo não surgiu apenas porque determinados cães são pequenos, mas pode haver relações entre características associadas ao tamanho corporal e alguns padrões comportamentais.

Os pesquisadores ainda não chegaram a uma explicação única para a maior reatividade observada em parte dos cães pequenos. Segundo a Live Science, medo, manejo pelos tutores e fatores genéticos podem participar da resposta, e diferentes fatores podem atuar juntos.

O estudo de 2008 também reforça que agressividade não é uma característica simples de definir. Os comportamentos variaram de acordo com o alvo, podendo ser direcionados a pessoas desconhecidas, aos próprios tutores ou a outros cães. A pesquisa ainda encontrou diferenças importantes entre as raças avaliadas.

Nem todo pequeno quer comprar briga

Apesar da fama, não dá para colocar todos os cães pequenos na mesma categoria. O próprio levantamento encontrou diferenças expressivas entre as raças.

Além disso, comportamento não depende somente do tamanho do corpo. Experiências anteriores, socialização, ambiente, treinamento, genética e a maneira como o cão é tratado podem interferir na forma como ele reage diante de determinadas situações.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.