“Se eu partir antes dela…”: jovem deixa mensagem sobre o futuro de sua Golden caso não esteja mais ao lado dela
Por Larissa Soares em Cães
Rhaman Hamdar deixou um pedido para o que fizessem com sua cadela, Hoi An, caso ele partisse antes dela.
A mensagem foi compartilhada pelo tutor em janeiro de 2024, depois de anos de aventuras ao lado da Golden Retriever, e levantou uma questão que acompanha muitos tutores: o que um cachorro entende quando uma pessoa de quem ele é muito próximo morre?
Rhaman e Hoi An ficaram conhecidos pelo projeto Aventuras, compartilhado nas redes sociais pelo perfil @jornadagolden.
Os dois viajaram por milhares de quilômetros pela América do Sul a bordo de uma Kombi, dividindo com os seguidores cenas da rotina na estrada.
Em dezembro de 2022, a dupla passou por uma situação delicada durante uma viagem pelo Peru.
A Kombi sofreu um incêndio na região do motor, mas Rhaman e Hoi An conseguiram sair do veículo sem ferimentos. Depois do episódio, eles continuaram compartilhando as experiências vividas juntos.
Foi nesse contexto de uma vida ligada à companhia da cadela que Rhaman publicou a mensagem sobre o que gostaria que acontecesse caso sua morte ocorresse antes da de Hoi An.
O pedido de Rhaman
Na publicação, o tutor pediu que deixassem Hoi An ver seu corpo caso ele morresse antes dela.
Para Rhaman, permitir esse contato poderia ajudar a cadela a compreender que ele havia morrido, em vez de interpretar sua ausência como um abandono.
A mensagem dizia que os cães entendem a morte e que, depois de perceberem a perda, podem sofrer, mas teriam a possibilidade de seguir em frente.
Rhaman também comparou o pedido ao desejo de permitir que qualquer outro integrante da família pudesse se despedir de uma pessoa querida.
A ideia por trás da mensagem está relacionada a uma dúvida que pesquisadores ainda discutem. Não há uma resposta simples para afirmar até que ponto um cachorro compreende a morte da mesma maneira que uma pessoa.
Uma das pesquisadoras do assunto é a filósofa Susana Monsó, professora da Universidade Nacional de Educação a Distância, na Espanha, autora do livro Playing Possum: How Animals Understand Death (Fingindo de Morto: Como os Animais Entendem a Morte).
Em entrevista à Universidade de Chicago, ela explica que existe pouca literatura científica sobre a capacidade dos animais de compreender a morte e que o conceito não deve ser tratado como uma questão de tudo ou nada.
Cachorros sabem quando alguém morreu?
Segundo Monsó, compreender a morte envolve diferentes capacidades. Entre elas estão a percepção de que um indivíduo morto deixou de funcionar e a compreensão de que esse estado é irreversível.
Para ela, portanto, o entendimento da morte pode existir em diferentes graus de complexidade entre os animais.
A pesquisadora diferencia luto e entendimento da morte. Um animal pode apresentar comportamentos associados ao luto porque perdeu alguém com quem tinha um vínculo forte, sem que isso prove que ele compreenda conceitos como a irreversibilidade da morte ou a própria mortalidade.
Um cachorro pode perceber que determinada pessoa deixou de estar presente, procurar por ela e apresentar mudanças comportamentais, mas não é possível concluir apenas a partir dessas reações exatamente o que ele entende sobre a morte.
A mesma discussão aparece em observações de outras espécies. Há registros de animais que carregam ou permanecem próximos aos corpos de indivíduos mortos, comportamentos que podem estar relacionados ao luto.
Ainda assim, a existência de uma reação emocional não permite determinar sozinha qual é o conceito de morte presente na mente daquele animal.
Mesmo que a ciência ainda não consiga estabelecer exatamente o que um cachorro entende quando perde uma pessoa, há evidências de que a ausência de um indivíduo com quem ele possui forte vínculo pode provocar mudanças comportamentais.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.