“Não existe Juliana sem Quindim”: cão-guia emociona ao conduzir tutora com segurança em meio à multidão
Por Ana Carolina Câmara em Cães
Quindim é um cachorrinho muito especial. É por meio dele que Juliana, moradora da Vila Leopoldina, em São Paulo, e deficiente visual, consegue se deslocar com mais segurança e independência.
Em um vídeo compartilhado em seu perfil no Instagram, @quindimcaoguia, Juliana mostrou que Quindim não é apenas um cachorro que a ajuda a desviar de pessoas na calçada.
Ele é, na prática, os olhos dela durante o caminho.
Conforme Juliana explicou, Quindim percebe cada pessoa à frente, calcula o espaço disponível e conduz a tutora com segurança por um trajeto que ela não consegue enxergar da mesma forma.
"Enquanto muitos enxergam apenas um cão, eu sinto um companheiro trabalhando por mim. Sinto confiança. Sinto segurança. Sinto liberdade."
A relação entre os dois é construída justamente nessa confiança.
Como Juliana contou, Quindim não precisa que ela enxergue para saber por onde passar. E ela, por sua vez, não precisa enxergar tudo para confiar nele.
Os dois aprenderam a caminhar juntos, cada um entendendo o papel do outro.
"Quindim não é GPS. Ele é meus olhos quando meus olhos não conseguem dar conta. É parceria, treinamento, conexão e amor", disse.
E completou:
"Cada desvio desses, que pode parecer tão simples, me lembra diariamente o privilégio que é caminhar ao lado dele."
Veja:
Quem é Quindim?
Quindim é um labrador. Ele chegou à vida de Juliana por meio do Instituto Adimax, organização sem fins lucrativos que desenvolve programas voltados à inclusão social e ao bem-estar animal.
Segundo Juliana, a preparação de um cão como Quindim começa muito antes de ele conhecer a pessoa que irá guiar.
Nos primeiros meses de vida, ele permaneceu no Instituto e, depois, passou aproximadamente um ano com uma família socializadora.
A missão dessa família é muito especial: apresentar o mundo ao futuro cão-guia.
Veja a família que socializou Quindim:
Durante esse período, o filhote conhece diferentes pessoas, barulhos e ambientes e aprende a circular por lugares que farão parte de sua rotina no futuro, como supermercados, restaurantes, elevadores, ruas movimentadas e transportes públicos.
Depois dessa fase, o cachorro retorna ao Instituto para começar o treinamento específico de cão-guia, no qual aprende, entre outras habilidades, a identificar obstáculos e conduzir uma pessoa com deficiência visual com segurança.
É justamente aí que tarefas aparentemente simples ganham outro significado.
Um cão-guia precisa aprender a desviar de pessoas, postes, lixeiras e outros obstáculos, inclusive aqueles que estão acima do chão e que uma bengala pode não identificar da mesma maneira.
Quando todo o processo de formação termina, os cães aptos são encaminhados às pessoas selecionadas pelo programa.
Juliana também explicou uma dúvida que costuma receber: os cães não são comprados nem alugados. No programa do Instituto Adimax, eles são treinados e posteriormente doados aos usuários selecionados, após o processo de inscrição, avaliação e formação da dupla.
E foi assim que os caminhos de Juliana e Quindim se encontraram.
Em outro vídeo, ela mostrou uma situação que ajuda a entender toda a responsabilidade do companheiro. Durante uma caminhada, havia carros estacionados irregularmente sobre a calçada, bloqueando o caminho.
Quindim percebeu o obstáculo e, sem que Juliana precisasse enxergá-lo, mudou a rota e conduziu a tutora por um caminho seguro.
Veja:
Uma ação que pode durar apenas alguns segundos, mas que resume anos de socialização, treinamento e, principalmente, a confiança construída entre os dois.
Viu um cão-guia trabalhando? Evite distraí-lo
Por mais difícil que seja resistir à vontade de fazer carinho, existe uma regra: quando um cão-guia está usando o peitoral e conduzindo seu tutor, ele está trabalhando.
Nesse momento, o recomendado é não chamá-lo, acariciá-lo ou oferecer comida. Uma distração pode fazer com que o animal tire a atenção do caminho e coloque a dupla em risco. Caso queira interagir, o correto é falar primeiro com a pessoa acompanhada pelo cão e perguntar se aquele é um momento apropriado.
Porque, enquanto para quem passa pela rua Quindim pode parecer apenas um labrador caminhando ao lado de sua tutora, para Juliana cada desvio representa segurança, autonomia e liberdade.
Acompanhe Quindim e Juliana no Instagram, em @quindimcaoguia.
Redatora e apresentadora do Canal Amo Meu Pet.
Com formação em Design de Produtos e especialização em Design de Interiores pela Universidade de Passo Fundo, a Ana encontrou sua verdadeira paixão ao unir criatividade, comunicação e o amor pelos animais.
Apaixonada por contar histórias que tocam o coração, ela estudou Escrita Criativa com o escritor Samer Agi e participa do programa JournalismAI Discovery, organizado pela Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Iniciativa de Notícias do Google, buscando se aprofundar no universo digital.
Hoje, dedica-se a produção de conteúdos que informam, emocionam, conscientizam e arrancam sorrisos.