Voluntário pede corrente do bem para ajudar 6 rostinhos lindos que perderam sua mãezinha e aguardam socorro
Por Larissa Soares em Proteção Animal
Seis filhotes de vira-lata caramelo foram encontrados sozinhos em frente à delegacia de Silva Jardim, no Rio de Janeiro, no dia 8 de setembro.
Os cãezinhos estavam vivendo na rua e enfrentando a chuva, usando carros que ficam no local como abrigo.
Ao perceber a situação, o criador de conteúdo Renan Coutinho decidiu agir.
Com mais de 383 mil seguidores, ele aproveitou a visibilidade para mobilizar a comunidade em busca de famílias para os filhotes e também de ajuda para interromper o ciclo de reprodução das cadelas que viviam na região.
Seis filhotes caramelo
Renan contou que estava voltando de Silva Jardim quando passou pela delegacia e encontrou a ninhada.
Ele conversou com uma pessoa que estava próxima e descobriu que havia três cães adultos vivendo nos arredores do local.
Inicialmente, recebeu a informação de que seriam três fêmeas, todas irmãs e abandonadas juntas, que continuavam tendo filhotes com frequência.
Segundo o relato recebido por ele, uma delas dava à luz aproximadamente a cada dois meses.
A situação fez com que o voluntário procurasse uma forma de ajudar mesmo sem poder levar os cães para casa.
Renan explicou que já tinha outros cães sob seus cuidados e que Silva Jardim fica a quase duas horas de sua residência.
Em vez de simplesmente deixar o caso para trás, ele decidiu pedir ajuda a quem pudesse oferecer um lar aos filhotes ou colaborar com o atendimento dos cães adultos.
"Tenho certeza que vamos conseguir mudar a realidade daquela galerinha!", disse.
Filhotes precisavam de famílias
A primeira mobilização foi direcionada aos seis pequenos. Renan pediu que pessoas de Silva Jardim, Itaboraí, Niterói, Rio de Janeiro e cidades próximas entrassem em contato caso tivessem interesse em adotar.
Ele também se comprometeu a buscar os filhotes em Silva Jardim e fazer o transporte até as famílias interessadas.
O tamanho dos cães ainda não podia ser definido com precisão, mas a estimativa era de que eles chegassem a porte pequeno ou médio.
Nem sequer havia sido possível identificar o sexo de todos os filhotes naquele momento. Por isso, além de possíveis adotantes, Renan também pediu compartilhamentos, na esperança de alcançar pessoas dispostas a acolher um dos pequenos.
Mamães precisavam de ajuda
A mobilização também tinha outro objetivo. O voluntário queria encontrar uma solução para as três cadelas que viviam na região, já que novas ninhadas significariam a continuidade de uma situação difícil para os cães e para quem tenta ajudá-los.
A ideia era conseguir apoio de ONGs, protetores, veterinários e clínicas para realizar a castração dos animais.
Renan também explicou que, de acordo com a pessoa com quem conversou no local, funcionários da delegacia eventualmente colocavam ração para os cães. Quando chovia, eles buscavam abrigo embaixo de carros que ficavam próximos dali.
No dia seguinte, os filhotes já tinham sido resgatados
Na manhã seguinte, Renan voltou a Silva Jardim. Ele conseguiu um carro emprestado e percorreu novamente as quase duas horas de estrada, em meio à chuva, para descobrir o que havia acontecido com a família.
Ao chegar à delegacia, recebeu a notícia de que os seis filhotes já tinham sido resgatados.
A preocupação, porém, estava longe de terminar. Sem os filhotes no local, Renan encontrou os três cães adultos e percebeu que a situação deles também exigia atenção.
A informação inicial sobre o sexo estava incorreta. Eram duas fêmeas e um macho.
Uma das fêmeas apresentava diversas feridas pelo corpo e havia suspeita de que estivesse prenha novamente.
O macho também estava bem machucado e assustado, aparentando sentir muita dor.
Já a terceira cadela estava mais magra, o que indicava que havia passado recentemente pelo período de amamentação. Ela também apresentava uma ferida de grandes proporções.
A mãe dos seis filhotes ainda estava agitada e parecia procurar os bebês depois que eles foram retirados do local.
Tanto ela quanto o macho precisavam de um manejo mais cuidadoso para serem retirados dali, devido à dor e ao medo.
Resgate de Kinder
Renan conseguiu resgatar uma das fêmeas, que estava com muita fome e apresentava sinais compatíveis com uma possível gestação.
A cadela foi colocada no carro e levada imediatamente a uma clínica veterinária para receber atendimento e passar pelos exames necessários.
Naquele momento, o voluntário ainda não tinha conseguido um lar temporário para ela e pediu ajuda a moradores de Itaboraí, Niterói, Rio de Janeiro e região.
O exame de ultrassom trouxe uma nova informação para o caso. A cadela estava mesmo prenha e carregava cinco filhotes.
"Eu achei que estava resgatando uma cachorrinha para cuidar, tratar e depois encontrar uma família pra ela. Mas a vida tinha outros planos… A nossa doguinha está grávida e agora estamos esperando 5 bebês!", escreveu.
Foi então que ela recebeu o nome temporário de Kinder, em referência às surpresas encontradas no ultrassom.
A nova situação também aumentou as despesas. Kinder precisou permanecer internada para ser acompanhada de perto por causa das feridas. Depois, os exames mostraram que ela tinha doença do carrapato.
Depois de receber alta, Kinder tomou banho e começou uma nova etapa fora da clínica, mas ainda precisava de acompanhamento durante a gestação e do tratamento contra a doença do carrapato.
E os outros cães?
Enquanto isso, a situação dos outros dois cães adultos que permaneciam na região também continuava sendo acompanhada.
O Instituto Zé Pereira esteve no local para tentar fazer o resgate. A segunda fêmea, que também estava bastante debilitada e assustada após a retirada dos filhotes, precisou de uma abordagem cuidadosa e foi finalmente retirada do local depois de um trabalho conjunto.
No entanto, o macho não foi encontrado durante a tentativa de resgate. O contato do Instituto Zé Pereira foi deixado com um policial da região para que a equipe pudesse ser avisada caso ele retornasse ao local.
No Instagram, Renan agradeceu a todos que ajudaram no caso.
"Essa história ainda vai durar um pouquinho mais do que eu imaginava… mas, juntos, a gente vai até o fim", escreveu.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.