“Não acredito que peguei com a mão”: Homem descobre que animal que encontrou não era o que imaginava
Por Larissa Soares em Aqueça o coração
O apicultor Cristiano Faria levou o maior susto ao encontrar uma cobrinha dormindo enrolada.
Cristiano acreditou estar diante de uma jararaca, espécie peçonhenta que pode causar acidentes graves.
Ainda assim, ele chegou a pegar o bichinho com as mãos e gravou a situação antes de soltá-lo em uma bananeira.
"É menino, olha aqui, que perigo, se um bicho desse aqui morde, vai para terra do pé junto", disse Cristiano durante a gravação, enquanto mostrava a serpente.
Mesmo alertando sobre os perigos da suposta jararaca, ele seguia com ela na mão e não deixou de reparar na beleza do animalzinho.
"O perigo da roça!", escreveu na legenda.
Só que havia um detalhe importante. A cobra, para a sorte de Cristiano, não era uma jararaca.
Nos comentários, algumas pessoas logo reconheceram a serpente. Em vez de uma espécie peçonhenta, Cristiano havia encontrado uma dormideira, nome popular associado a serpentes do gênero Dipsas, conhecidas por serem inofensivas para seres humanos.
"É só uma dormideira cara... Não tem perigo nenhum nisso", escreveu uma pessoa.
"A dormideira: eu não sabia que tinha esse poder todo não", brincou outra.
"É uma dormideira, se fosse algum tipo de víbora, já teria mordido", explicou uma terceira.
E enquanto Cristiano enxergou a cobrinha como um animal perigoso, os internautas tiveram outra visão:
"A pronto agora quero uma", brincou uma pessoa.
"Ela, toda enroladinha, aninhadinha na bolotinha dela mesma, pronta para o sono dos justos…", descreveu outra.
"Uma cobrinha fofa", disse uma terceira.
A confusão não é tão difícil de entender. Algumas espécies de serpentes têm características que facilitam a confusão com outras, principalmente por pessoas que não têm experiência em identificação.
No caso das dormideiras, a coloração e o formato do corpo podem lembrar serpentes peçonhentas, incluindo algumas espécies de jararaca.
Por isso, mesmo quando a cobra parece pequena ou tranquila, identificar a espécie apenas olhando rapidamente pode ser uma tarefa complicada.
Outra dormideira já causou um susto
No início do ano, o biólogo Gilberto Ademar Duwe, conhecido como Giba, recebeu um chamado sobre um suposto animal perigoso.
O cenário que ele encontrou aumentava a apreensão. Um balde estava no meio da rua, tampado com dois blocos de cimento.
Moradores haviam colocado o recipiente daquela maneira para impedir que o que estava dentro escapasse.
Ao se aproximar, Giba imaginou que poderia encontrar uma serpente grande ou algum outro bicho que oferecesse perigo.
"Deve ser um bicho forte", comentou enquanto registrava a situação.
Quando retirou os blocos e levantou o balde, porém, a surpresa era bem menor do que a expectativa.
"Ah, não acredito, sério? Ah, cê já sabe o que que é, né?", reagiu o biólogo antes de identificar a serpente.
Era uma dormideira, da espécie Dipsas mikanii.
Dormideira
A Dipsas mikanii é uma serpente não peçonhenta e de hábitos predominantemente noturnos. O nome dormideira vem justamente do hábito de ela ser encontrada enquanto está dormindo durante o dia.
Segundo o Porto de Itapoá, trata-se de uma espécie semiarborícola, que pode ocupar tanto ambientes no solo quanto locais em árvores.
As dormideiras se alimentam principalmente de lesmas e caracóis. Para capturar essas presas, apresentam dentes adaptados para ajudar na retirada dos pequenos animais de dentro das conchas.
Serpentes desse grupo também podem desempenhar uma função importante nos ambientes onde vivem.
Elas costumam estar associadas a áreas úmidas e preservadas e podem funcionar como bioindicadoras da qualidade ambiental.
Mesmo uma cobra inofensiva não deve ser pega com as mãos
A espécie não representa riscos para os humanos. Isso não significa, porém, que uma pessoa deva tentar se aproximar de uma dormideira quando encontrar uma.
Saber que determinada espécie não oferece risco de envenenamento não transforma o manuseio em uma atividade segura.
Foi justamente esse o principal ponto de atenção no encontro de Cristiano. Embora a cobra fosse uma dormideira, ele não tinha essa informação quando a colocou nas mãos. Para quem encontra uma serpente, essa diferença é importante.
De acordo com orientação do diretor do Centro de Desenvolvimento Cultural do Instituto Butantan, Giuseppe Puorto, divulgada pela CNN Brasil, a recomendação ao encontrar uma cobra é procurar pessoas capacitadas para lidar com esses animais, independentemente de a serpente ser considerada perigosa ou não.
A orientação vale porque uma identificação equivocada pode colocar a pessoa em risco.
No Brasil existem diversas serpentes peçonhentas, entre elas a jararaca, a jararacuçu e a coral-verdadeira. Filhotes dessas espécies também podem oferecer risco, portanto o tamanho reduzido não deve ser usado como sinal de segurança.
Em uma situação assim, o mais indicado é manter distância e procurar serviços capacitados, como o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil ou o Controle de Zoonoses do município, conforme a disponibilidade local.
Além de proteger quem encontrou a cobra, deixar o manejo para profissionais também protege o bichinho de se machucar.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.