Atleta de MMA descobre que nasceu para cuidar de filhote de gambá e história emociona: “Agora eu sou a mãe”
Por Larissa Soares em Aqueça o coração
Kohl Laren é lutador profissional de MMA, acostumado à rotina de treinos, lutas e preparação física intensa. Fora do ringue, porém, ele encontrou uma atividade bem diferente para ocupar seus dias.
Depois de resgatar um filhote de gambá, Kohl passou a se dedicar aos cuidados com animais órfãos.
Mais tarde, ele acabou se tornando "pai" de Daisy, uma gambá que chegou até ele dentro de um cesto de roupa suja.
O primeiro contato com a espécie aconteceu quando Kohl saiu para andar de bicicleta e encontrou um filhote de gambá no meio da estrada.
Inicialmente, ele não sabia o que fazer. Ao colocar o pequeno animal em segurança, percebeu que se tratava de um bebê que ainda precisava de cuidados.
"Depois que joguei o gambá no mato, ele estava tremendo e olhando para mim, e percebi que era só um bebezinho. Então pensei, tudo bem, Rodrigo, você vem comigo", contou Kohl ao The Dodo.
O filhote recebeu o nome de Rodrigo e ficou sob os cuidados do lutador durante o período de recuperação.
O encontro acabou despertando em Kohl um interesse que ele não esperava desenvolver. Pouco tempo depois, outro chamado relacionado a um filhote de gambá chegou até ele.
Daisy apareceu dentro de um cesto de roupa suja
Dessa vez, a gambá havia sido encontrada dentro de um cesto de roupa suja. Quando Kohl recebeu a ligação sobre o resgate, ainda não sabia exatamente o que encontraria.
"Dentro do cesto, havia uma coisinha que parecia um abacaxi", contou.
A pequena estava sozinha e bastante assustada. Segundo Kohl, Daisy, como ela foi chamada, havia perdido a família ainda muito jovem e não teria condições de sobreviver por conta própria.
A história por trás do resgate também preocupava. De acordo com o relato apresentado pelo The Dodo, moradores encontraram Daisy depois que um vizinho estava tentando eliminar os gambás que apareciam na região.
A filhote provavelmente estava entre os últimos animais que conseguiram escapar.
Para Kohl, isso significava que Daisy poderia ter perdido não apenas a mãe, mas também a oportunidade de aprender comportamentos importantes com ela e com outros filhotes.
"Ela provavelmente não aprendeu muitas das coisas que eles aprendem com os irmãos e a mãe quando são filhotes", explicou.
Diante da situação, Kohl decidiu assumir os cuidados.
"Tudo bem, acho que agora eu sou a mãe", brincou.
Não demorou para Daisy se acostumar. Depois de cerca de uma semana, a gambá já gostava de ficar no colo do novo cuidador e começou a acompanhá-lo para todos os lugares.
Do ringue para os cuidados com a vida selvagem
A rotina de Kohl passou a ter uma combinação pouco comum. De um lado, os treinos e a preparação para as lutas de MMA. Do outro, mamadeiras, colo, cuidados de higiene e acompanhamento de uma bebê gambá.
"Sou lutador profissional de artes marciais mistas. Sou um lutador profissional. Sou conhecido por ser um oponente bastante formidável", explicou.
A situação também fez Kohl refletir sobre a maneira como as pessoas associam força física e masculinidade a determinados comportamentos.
Ele contou que um amigo chegou a dizer que cuidar de gambás tão pequenos era uma atitude de "cara durão".
Para o atleta, havia uma diferença interessante entre a imagem de alguém que compete profissionalmente em um esporte de combate e a rotina de cuidar de filhotes que dependem completamente de outra pessoa.
A experiência acabou influenciando a maneira como Kohl passou a enxergar sua própria relação com a vida selvagem.
Além dos cuidados com Daisy, ele começou a se envolver mais com trabalhos voluntários voltados aos animais.
Daisy também ajudou a mudar a opinião das pessoas
Uma das coisas que mais chamaram a atenção de Kohl foi perceber como a convivência com Daisy modificava a maneira como outras pessoas enxergavam os gambás.
Segundo ele, muita gente comenta que não imaginava que esses animais fossem tão interessantes.
Daisy acabou funcionando como uma espécie de apresentação da espécie para pessoas que normalmente poderiam ter medo ou antipatia por gambás.
"Ela tem feito um trabalho incrível mudando a opinião de muita gente", contou Kohl.
Enquanto não encontra um destino definitivo, Daisy continua sob os cuidados de Kohl. O lutador também pretende aproveitar os intervalos entre as competições para continuar trabalhando como voluntário na proteção da vida selvagem.
"Já aprendi muita coisa. Quero ajudar a vida selvagem e dedicar meu tempo ao voluntariado nos intervalos entre as lutas. Tenho muito orgulho de ser um 'pai de gambá'", afirmou.
Gambás são marsupiais e carregam os filhotes na bolsa
O gambá-da-Virgínia, segundo informações do Smithsonian's National Zoo, é um marsupial.
Depois de nascerem, os filhotes precisam chegar até a bolsa da mãe, onde permanecem durante parte importante do desenvolvimento.
Uma fêmea pode ter de quatro a 25 filhotes em uma ninhada. Os recém-nascidos são extremamente pequenos, com cerca de 14 milímetros, e entram na bolsa logo depois do nascimento.
Eles permanecem ali por aproximadamente dois meses, até estarem mais desenvolvidos.
O desmame ocorre depois de cerca de 105 dias, embora os filhotes possam começar a consumir alimentos sólidos antes desse momento.
Características
Esses animais possuem uma cauda longa, sem pelos e preênsil, capaz de ajudar na sustentação durante a escalada, além de patas com uma estrutura semelhante a um polegar que facilita a movimentação pelos galhos.
Outra característica conhecida desses marsupiais aparece quando eles se sentem ameaçados.
Os filhotes são conhecidos por fingirem estar mortos diante de situações de medo. Já os adultos podem mostrar os dentes, sibilar, emitir sons ou apenas fugir.
Os gambás-da-Virgínia são noturnos e solitários, ficando mais ativos entre o anoitecer e o amanhecer.
A alimentação é variada. Eles são onívoros e podem consumir pequenos mamíferos, aves, insetos, vermes, frutas, sementes e partes de plantas. Dependendo do ambiente, também podem comer répteis e anfíbios.
Por conta disso, os gambás são grandes aliados no controle natural de pragas urbanas e rurais, como os carrapatos, por exemplo.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.