“Meu herói tem uma canoa e um remo”: após duas horas tentando ajudar, pescador resgata ave silvestre no meio do lago
Por Rebecca Vettore em Aves
O engenheiro agrônomo Celio Souza estava vivendo mais um dia comum de pescaria quando se deparou com uma cena inusitada.
Ele encontrou um papagaio no meio do lago com a asa machucada.
Incapaz de não se sensibilizar com a cena, o morador da cidade de Querência, no Mato Grosso, tomou uma atitude: ajudar a ave.
Depois de ficar duas horas oferecendo auxílio, ele finalmente conseguiu usar o remo de sua canoa como instrumento de resgate.
Direcionando a ponta do objeto para o animal, segundos depois, o papagaio subiu no remo e, assim, o pescador continuou sua jornada.
Momentos depois, quando uma amizade já havia sido estabelecida, Celio até conseguiu fazer carinho no papagaio.
Repercussão
A história curiosa foi compartilhada no perfil @celio_souza_pesca, no TikTok, no dia 18 de setembro.
O dia comum, que virou um resgate, chamou tanta atenção que, até o momento, a publicação recebeu 2,1 milhões de visualizações, mais de 200 mil curtidas e 1,3 mil comentários.
Uma pesca diferente
Depois de andar com o papagaio por um tempo, usando um pano para cobri-lo, Celio tentou deixá-lo em um buraco dentro de um tronco, mas não teve sucesso.
Por isso, ele pegou a ave novamente e a colocou no barco até chegar ao outro lado.
Usando o braço para transportar a ave para fora do barco, o pescador a levou até terra seca.
Após conversar e dar um pouco de carinho ao animal, Celio se despediu dele e seguiu sua rotina.
Um resgate similar
Em maio, outro pescador também resgatou uma ave que precisava de ajuda em um rio.
Geovane de Souza Silva, que vive em Rondônia, estava navegando em sua canoa quando avistou um filhote de arara-canindé agarrado ao tronco seco de uma árvore.
Também usando a ponta do remo, o pescador colocou o instrumento embaixo da ave e esperou até que ela subisse.
Depois que a colocou dentro da canoa, navegou um pouco até encontrar o tronco onde ficava seu ninho.
Com paciência e muito cuidado, Geovane conseguiu devolver a ararinha ao seu lar.
Encontrei uma ave silvestre, e agora?
Em entrevista ao Amo Meu Pet, Morgana Prado, especializada em pets não convencionais Hospital Veterinário Taquaral, explica quais devem ser os cuidados ao encontrar uma ave silvestre.
"É importante dizer que nem toda ave encontrada no chão deve ser resgatada. Filhotes, por exemplo, que já estão empenados, podem estar apenas aprendendo a voar e os pais podem estar por perto. Por isso, observe antes de retirar o animal do local."
A profissional explica que o resgate precisa acontecer se a ave estiver machucada, sangrando, muito debilitada, presa, em perigo, incapaz de voar ou tiver sofrido o ataque de outro animal.
Antes de pegar o animal para transportá-lo, você deve agir com calma e evitar movimentos bruscos.
Utilizando uma toalha ou um pano, pegue a ave sem apertar o tórax e coloque-a dentro de uma caixa de papelão com pequenos furos para ajudar na ventilação, forrada com papel-toalha ou pano.
"Na sequência, se estiver de carro, evite soltar o animal dentro do veículo, para que ele não se assuste ou sofra novas lesões. Mesmo que queira, não force o fornecimento de água nem alimento sem orientação adequada. Se a ave estiver ferida ou debilitada, leve-a até um veterinário", conta Morgana.
Depois que o animal estiver bem novamente, você não deve ficar com ele.
"Resgatar não significa adotar. O objetivo é proteger, reduzir o estresse, oferecer atendimento quando necessário e encaminhar a ave para que possa retornar à natureza, quando possível."
A profissional também aconselha não faça a soltura por conta própria. "Ela precisa ser avaliada quanto à recuperação, capacidade de voo, alimentação e comportamento antes da destinação", concluiu a especialista.
Por fim, para entender como agir, peça orientação ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS) ou a um veterinário especializado.
Redatora do portal Amo Meu Pet.
Graduada em Jornalismo e com pós-graduação em Mídias Digitais pelo Senac, a Rebecca encontrou na comunicação sua vocação para contar histórias que tocam e emocionam.
Com mais de 10 anos de experiência na área, construiu uma trajetória colaborando com grandes portais de notícias como Folha de S.Paulo, UOL e Terra.
Hoje, une sua bagagem jornalística ao universo pet, dedicando-se a escrever conteúdos que dão voz ao mundo animal, conectam pessoas e transformam relatos em leituras inspiradoras.








