Garotinha insiste em salvar cão sem pelos e, anos depois, família mostra o lindo caramelo que ele se tornou
Por Larissa Soares em Aqueça o coração
Uma menina de Brasília insistiu para que a família resgatasse um cão encontrado em estado grave durante uma viagem a Ilhéus, na Bahia.
Quase quatro anos depois, Max, que chegou ao atendimento veterinário sem pelos, extremamente magro e cheio de problemas de saúde, se transformou em outro cachorro.
Hoje ele é um caramelo cheio de vida e continua fazendo parte da família, mesmo morando na casa do avô das crianças.
A história começou durante as férias de verão de 2023, quando Rosanna Britto e os filhos viajaram para Ilhéus para visitar familiares.
Durante um passeio por uma cachoeira, Angelina avistou um cachorro em condições que chamaram sua atenção imediatamente.
O cão estava muito magro, praticamente sem pelos e com machucados pelo corpo. Para a menina, que ficou emocionada ao vê-lo naquela situação, não havia como simplesmente continuar o passeio.
Angelina pediu que a família levasse o cachorro embora. Naquele momento, porém, os carros estavam cheios e não havia como transportar o cão imediatamente.
Mesmo assim, a família deu comida para ele e prometeu que não o deixaria para trás.
A imagem do cachorro continuou na cabeça de Rosanna depois que eles foram embora. A família então começou a mobilizar pessoas pelas redes sociais para conseguir recursos e organizar o resgate.
Quando finalmente conseguiram buscá-lo, a situação do cão chamou ainda mais atenção.
Ele estava tão debilitado que sentia dor quando era colocado no colo e chegou a chorar durante o transporte.
Antes de levá-lo definitivamente para tratamento, a família ainda tentou descobrir se ele tinha tutores.
Algumas pessoas chegaram a sugerir que o cachorro poderia pertencer a alguém da região. A busca, porém, revelou uma história diferente.
Segundo as informações reunidas pela família, o cão era um sobrevivente das enchentes que atingiram o sul da Bahia no ano anterior.
Sem uma casa ou alguém que cuidasse dele, passou a circular pela região enquanto tentava sobreviver. Foi então que aquele cachorro ganhou um nome: Max.
Uma lista de problemas de saúde
No atendimento veterinário, os exames mostraram que Max precisava de muitos cuidados.
Ele estava desnutrido e desidratado. Além disso, recebeu o diagnóstico de sarna negra, além de doença do carrapato e verme no coração.
Apesar da gravidade da situação, o resgate significava que ele finalmente teria acesso ao tratamento de que precisava.
Durante o caminho de volta, as crianças comemoravam a nova fase do cão. Max começou a ser acompanhado de perto e, nos primeiros dias de internação, já apresentava sinais de recuperação.
Os ossos que antes ficavam muito aparentes começaram a ficar menos visíveis e o cachorro passou a demonstrar mais disposição.
Como ainda não era possível levá-lo para Brasília, ele permaneceu em Ilhéus, na casa do avô das crianças.
Foi ali que começou outra parte importante da história. Max passou a receber alimentação, cuidados veterinários e atenção diária, enquanto a família acompanhava sua recuperação e voltava para visitá-lo.
Sarna em cães
A palavra sarna é usada para diferentes doenças provocadas por ácaros que infestam a pele.
De acordo com o Manual Veterinário Merck, esses parasitas microscópicos podem causar irritação, coceira, queda de pelos e inflamação.
Existem diferentes formas de infestação por ácaros em cães:
- Sarna sarcóptica, provocada pelo ácaro Sarcoptes scabiei var. canis. Essa forma é altamente contagiosa e pode ser transmitida por contato entre cães. Os ácaros também podem afetar outros animais e pessoas que entram em contato com um cão infectado.
- Demodicose, também conhecida popularmente como sarna demodécica. Ela está relacionada ao ácaro Demodex e, ao contrário da sarna sarcóptica, não é contagiosa. Ela pode ocorrer quando há uma queda ou falha no sistema imunológico do pet.
De cão sem pelos a caramelo
Conforme Max se recuperava, uma transformação chamou atenção da família. À medida que os pelos voltavam a crescer, a aparência original do cachorro começou a se revelar.
Escondida pelas lesões, a pelagem revelou, aos poucos, um cão de coloração caramelo.
Quatro meses depois do resgate, porém, surgiu outro problema. Max foi diagnosticado com um tumor na gengiva e precisou novamente de atendimento veterinário.
A família continuou acompanhando o tratamento e garantindo que ele recebesse os cuidados necessários. Mesmo com as visitas frequentes à clínica, Max seguia recebendo carinho e atenção na casa do avô.
Por que Max não mora com a família
Quase quatro anos depois daquele encontro na cachoeira, a história de Max continua ligada à família de Rosanna.
Mas uma pergunta aparece com frequência entre as pessoas que acompanham o caso: por que ele não mora com eles?
Rosanna explicou que, depois do resgate, a família passou por uma mudança importante.
Eles tinham planos de morar no litoral, mas precisaram interromper essa aventura para que Angelina se recuperasse de um acidente sofrido enquanto brincava em um touro mecânico.
Naquele período, levar Max para morar com a família não seria uma opção adequada. Em vez disso, eles decidiram mantê-lo na casa de férias dos pais de Rosanna, onde ele poderia continuar recebendo os cuidados necessários.
A escolha permitiu que Max permanecesse em um ambiente ao qual já estava adaptado, enquanto a família conseguia visitá-lo periodicamente.
Em uma publicação feita em 14 de setembro, Rosanna contou que a história do cachorro estava prestes a completar quatro anos e que a família continuava sonhando com o dia em que poderia tê-lo diariamente por perto.
Durante as férias, as crianças aproveitam para matar a saudade e reencontrar o cachorro que entrou na vida delas depois de um passeio pela cachoeira.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.