"Alice não confia mais em humanos": Voluntários não conseguem fazer cachorrinha de abrigo parar de tremer

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em Proteção Animal

A cachorrinha Alice, de apenas quatro anos, passa os dias encolhida e tremendo de medo no abrigo da AlaAr, Associação Limiana para o Ambiente e Animais de Rua, em Ponte de Lima, Portugal.

Segundo os voluntários, o medo é tão intenso que, mesmo com os esforços da equipe, ela ainda não conseguiu recuperar a confiança nas pessoas.

Nas imagens compartilhadas pela AlaAr, a cachorrinha aparece com o corpinho encolhido, afastada e tremendo.

Para os voluntários, encontrar uma forma de ajudá-la a se sentir segura se tornou uma tarefa urgente, já que a rotina do local não permite oferecer a ela o tempo e a atenção de que precisa.

"Ela também só tem uma vida", escreveu a associação na publicação feita em 4 de outubro, ao pedir ajuda para encontrar uma família disposta a acolhê-la.

A equipe explica que são poucos voluntários para muitos cães e que, por mais que tentem se aproximar de Alice, ainda não conseguiram ajudá-la a voltar a confiar nos seres humanos.

A cachorrinha passa boa parte dos dias escondida e em pânico.

A associação acredita que ela precisa de um ambiente novo para ter a oportunidade de avançar. Por isso, além de uma adoção, os voluntários estão procurando uma família de acolhimento temporário.

Um lar temporário pode fazer diferença

Para cães muito assustados, deixar o ambiente do abrigo pode ser uma etapa importante do processo de recuperação.

A ASPCA, organização americana de proteção aos animais, explica que alguns animais ficam mais estressados em abrigos.

Um período em uma casa pode ajudar o animal a relaxar, mostrar comportamentos que não aparecem no canil e se preparar para uma futura adoção.

Isso não significa que simplesmente levar um cão assustado para casa faça o medo desaparecer. É preciso planejar o acolhimento de acordo com as necessidades de cada cão.

Paciência, acompanhamento da equipe responsável e uma rotina tranquila ajudam o animal a se adaptar aos poucos.

A própria ASPCA mantém programas específicos para cães que apresentam medo intenso, incluindo animais que chegam após situações de maus-tratos ou negligência. Nesses casos, o trabalho envolve cuidados médicos, redução de estresse e acompanhamento comportamental individualizado.

A entidade também destaca que o comportamento de um cão pode mudar bastante de acordo com o ambiente e o nível de estresse.

Um animal que demonstra medo intenso dentro de um canil pode reagir de outra forma quando está em uma casa, onde há menos estímulos associados ao abrigo.

Segundo a ASPCA, até mesmo uma permanência de uma ou duas noites em um lar temporário pode melhorar a qualidade de vida de um cão enquanto ele está fora do abrigo.

Tempo e segurança para recomeçar

Um dos exemplos acompanhados pela ASPCA foi o de uma cadela chamada Vanilla Bean, que chegou à organização muito assustada. Ela tinha dificuldade para sair do próprio espaço e demonstrava medo diante de diferentes estímulos.

Depois de um período de adaptação e acompanhamento, a equipe a encaminhou para uma família de acolhimento.

Na casa, a cadela continuou apresentando ansiedade, mas passou a ter uma rotina mais tranquila e recebeu acompanhamento da equipe comportamental.

O período de acolhimento permitiu que ela se acostumasse gradualmente à vida doméstica e desenvolvesse vínculos com as pessoas. Mais tarde, foi adotada.

Alice precisa de uma família com paciência

É justamente esse tipo de oportunidade que os voluntários procuram para Alice. A AlaAr pede uma família disposta a oferecer tempo, carinho e paciência para que a cachorrinha possa construir novas associações com as pessoas sem ser pressionada a interagir antes de estar preparada.

A expectativa não é que Alice chegue a uma casa e imediatamente se comporte como uma cachorrinha sociável.

Para um cão que vive em estado de medo, pequenas mudanças podem representar avanços importantes, como ficar no mesmo cômodo que uma pessoa, aceitar comida na presença dela, sair de um esconderijo ou apenas conseguir descansar sem ficar em alerta o tempo todo.

A ASPCA ressalta que cães com medo intenso podem precisar de abordagens individualizadas e que a recuperação depende das características de cada animal e da intensidade do medo que ele carrega.

Em programas especializados, o trabalho pode levar meses e envolve exposição gradual a situações, pessoas e estímulos, sempre considerando a resposta do cão.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.