“Ela só precisava aprender a confiar”: Gatinha resgatada das ruas leva meses para aceitar carinho e emociona com transformação
Por Beatriz Menezes em Gatos
O acolhimento em lar temporário desempenha um papel decisivo na reabilitação física e emocional de animais resgatados. Algumas pessoas se dedicam à causa animal oferecendo um cantinho seguro e cheio de afeto para quem nunca soube o que é carinho.
Bettina Mello, moradora de Joinville, em Santa Catarina, é uma dessas protetoras dedicadas que abrem as portas de casa para curar feridas que não foram elas que causaram.
"Faço lar temporário há 6 anos, e comecei nessa jornada quando fui morar sozinha e resgatei e doei meu primeiro cachorro… A sensação de ter tirado ele das ruas em um estado deplorável e ver ele feliz e super bem cuidado em uma casinha mexeu muito comigo. A partir daquele momento, entrei em contato com algumas ONGs da minha cidade e me tornei lar temporário oficialmente. Desde então, nunca mais parei", contou Bettina em entrevista.
Recentemente, ela compartilhou no TikTok um registro detalhado e emocionante sobre a trajetória da gatinha Leona, acolhida em fevereiro deste ano.
Nas redes sociais, Bettina também usou os destaques do Instagram para detalhar cada etapa até a completa adaptação do animal ao calor de um lar doméstico.
Um início doloroso e cheio de medo
A história de Leona com Bettina começou em um momento dramático. A felina vivia nas ruas e buscou abrigo em uma 'casa de boneca' para tentar dar à luz, mas enfrentava complicações graves. Em entrevista ao Amo Meu Pet, a protetora relembrou os primeiros momentos.
"A Leona foi encontrada em trabalho de parto… Ela estava com muita dificuldade, então corri com ela para a veterinária, onde foi constatado um parto prematuro. A Leona já estava há alguns dias tentando parir. Eram três filhotes, mas infelizmente todos estavam sem vida e o útero dela estava completamente inflamado", relembrou a protetora.
Com tanta dor e traumas acumulados, Leona chegou ao lar temporário assustada e completamente na defensiva. Nos três primeiros dias, permaneceu isolada e, após passar pela cirurgia e usar a vestimenta de proteção pós-cirúrgica, recusava qualquer aproximação humana ou até mesmo o uso da caixa de areia.
Nas três semanas seguintes, a gatinha continuou arisca, rosnando e tentando arranhar durante os momentos de alimentação e limpeza do espaço.
Paciência, petiscos e o amor que cura
A virada na rotina começou a acontecer entre a quarta e a quinta semana de convivência. Para conquistar a confiança da felina sem assustá-la, Bettina usou uma estratégia delicada: oferecia sachês e petiscos à distância com o auxílio de colheres compridas.
Aos poucos, o medo deu lugar à tranquilidade. Na sétima semana, Leona mudou de cômodo e, a partir do segundo mês, finalmente permitiu os primeiros toques, aceitando carinhos e massagens na cabeça com escovas suaves.
A caminhada, no entanto, ainda reservava novos desafios de saúde. Durante o período de adaptação, Leona precisou passar por um novo tratamento e amputar uma pata machucada.
"A Lelê voltou bem mais arisca do que quando foi para a clínica, mas eu já imaginava, porque ela estava numa baia com várias pessoas mexendo nela. Tivemos que começar a amaciar do zero e voltar todas as etapas", relatou Bettina.
Todo o acompanhamento médico foi essencial para a recuperação da felina.
"Ela foi atendida pelo Centro de Bem-Estar Animal de Joinville. Teve que tomar medicações no sachê e tratar a pata que passou por cirurgia. Conforme o tempo passou e a dor sumiu, a evolução foi acontecendo até ela se sentir segura para conviver com os outros", explicou.
O papel especial do amigo 'Bino' na adaptação
Além da paciência incondicional de Bettina, a presença de outros felinos na casa exerceu um papel fundamental para que Leona perdesse o medo. Entre o terceiro e o quinto mês, ela começou a observar os companheiros da casa e a copiar seus hábitos.
Em especial, um gatinho virou seu grande porto seguro nessa jornada:
"Ela fez um melhor amigo aqui em casa, o Bino. Ele também está como lar temporário, já vai fazer 2 anos e ninguém quer adotar ele… Ele é um gato extremamente sociável e sempre me ajuda com os gatos novos aqui em casa. A Leona se apegou muito a ele… Com certeza, sem ele aqui, teria sido bem mais longo e difícil esse processo de adaptação dela com humanos", revelou a protetora.
Observar o amigo fez a insegurança de Leona se desfazer. A gatinha passou a circular livremente pelos cômodos, aproveitar os locais de descanso e buscar interação por conta própria.
Bettina, que chega a abrigar vários gatinhos ao mesmo tempo para salvar vidas, sabe bem o impacto que essa dedicação tem:
"A quantidade máxima que já abriguei foram 20 gatos, mas foi uma situação extraordinária mesmo… Como moro em um apartamento super pequeno, geralmente coloco um limite de 10 gatos por vez (claro que às vezes passa um pouquinho)", brinca a protetora.
Aos seis a oito meses de acolhimento, Leona alcançou a plena transformação. Hoje, ela vive em paz com os outros gatos da casa, participa alegremente da rotina e busca o carinho das pessoas espontaneamente.
Com a saúde renovada e o coração cheio de confiança, a única coisa que falta para essa história ter um final feliz completo é uma família definitiva.
"Atualmente a Leona ainda está comigo e à procura de um lar responsável", finaliza a protetora.
O primeiro vídeo sobre a gatinha conta com 4,9 milhões de visualizações, enquanto o segundo já obteve 70 mil visualizações.
"Muito satisfatório esse vídeo! Parabéns pelo trabalho".
"Muita gente não entende que confiança leva tempo parabéns, tive um processo de 1 ano para adaptar uma gata de 14 anos, levou tempo mas agora ela é um amor!"
"O amor salva".
Comentaram alguns internautas.
Veja outro registro de Leona:
Outras pessoas relataram dificuldade em conquistar a confiança de um felino resgatado. No Instagram Bettina contou o que faz para amansar os gatos ariscos.
Confira a dica: