Jovem decora quarto vazio em casa para receber grupo de caramelos adotados que viveram anos no relento
Por Gabriela Leandro em Cães
Um quarto com cama, cobertores, brinquedos e até piso aquecido. Poderia ser só mais um cômodo da casa, mas, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, quem ganhou um espaço exclusivo foram quatro cãezinhos.
Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, a tutora, Mikelyn de Freitas dos Passos, apresenta o cantinho e mostra os detalhes que fazem o ambiente parecer quase um quarto de hotel para pets.
Logo nas primeiras cenas, os quatro cães aparecem aproveitando o espaço, enquanto Mikelyn monta as caminhas.
Nas redes sociais, o cantinho chama a atenção por mostrar justamente o cuidado da família com os animais. Mas o quarto é apenas uma parte de uma casa inteira planejada também para eles.
O imóvel conta com um segundo pátio amplo, um espaço pet com chuveirinho próprio para banhos e recursos de casa inteligente que permitem aos tutores acompanhar os cães mesmo quando estão fora.
E a história de como esse quarto surgiu é tão especial quanto o próprio espaço.
Um amor que começou na infância
A relação da tutora com os cães começou muito antes da chegada da "gangue".
"Eu adoto cães desde pequena! Juntava os doguinhos na rua e chorava e batia o pé pros meus pais aceitarem!", conta.
Em 2017, ela adotou Hanna, uma cachorrinha caramelo. A cadela se tornou uma presença especial em sua vida.
"Ela foi e sempre será meu grande amor. Ela mudou a minha vida."
Em 2020, durante a pandemia, a tutora precisou aumentar os horários de trabalho. Com Hanna passando mais tempo sozinha, decidiu adotar uma companhia para ela.
Foi assim que chegou Doroty, uma pequena caramelo.
As duas passaram a fazer companhia uma à outra enquanto a família também começava a construir a nova casa.
Mas, em março de 2021, tudo mudou.
A despedida de Hanna
Durante um passeio, Hanna teve um mal súbito e morreu nos braços da tutora. A família tentou salvá-la, mas não conseguiu.
"Eu nunca chorei tanto na minha vida", lembra.
Doroty também sentiu a perda. Em meio ao luto, a tutora conta que pediu a Deus um sinal sobre o que deveria fazer. No dia seguinte, encontrou nas redes sociais uma cachorrinha chamada Belinha para adoção.
Belinha havia vivido uma situação de maus-tratos e precisava de um novo lar. A adaptação foi tranquila, mas a perda de Hanna deixou um trauma profundo na tutora.
Durante sete meses, ela não conseguiu sair para passear com Belinha e Doroty por medo de que algo acontecesse novamente.
Até que decidiu enfrentar o medo.
Ted apareceu no mesmo lugar onde Hanna morreu
Durante um passeio com as duas cachorras, a tutora encontrou Ted, justamente no local onde Hanna havia partido.
O cão começou a acompanhá-la durante a caminhada e, ao final, entrou no pátio da casa.
"Nunca mais saiu dele", brinca.
Para a tutora, aquele encontro foi um sinal de Hanna para que acolhesse Ted.
A adaptação, entretanto, foi bastante desafiadora. O cachorro sofria de ansiedade de separação e, quando ficava sozinho, destruía objetos.
A convivência com Ted levou a tutora a estudar adestramento e comportamento canino. Foi daí que surgiu o perfil nas redes sociais @50tonsdecaramelos, criado para compartilhar experiências e ajudar outros tutores que enfrentam desafios semelhantes.
A chegada de Doralice
Quando a família já estava morando na casa nova, outra cachorrinha apareceu. Doralice chegou como se já conhecesse a família.
Um dia, Doralice encontrou uma bolinha guardada como lembrança de Hanna e começou a brincar com ela exatamente como a antiga cachorrinha fazia.
Além disso, obedeceu a comandos que Hanna havia aprendido, mesmo sem nunca ter sido treinada para isso.
Para a tutora, foi mais um sinal da cachorrinha que havia partido.
A partir daí, o quartinho ganhou ainda mais significado.
A cama box foi escolhida porque mantém o colchão afastado do chão e ajuda a evitar a umidade. As cabeceiras protegem os cães do contato com as paredes frias e, no inverno, o piso elétrico mantém o ambiente aquecido.
Hoje, os cães fazem parte de toda a rotina da família. Os passeios são diários, os tutores voltam para casa no horário do almoço para vê-los e até as viagens são planejadas pensando neles.
Para quem pensa em adotar
A tutora aconselha planejamento financeiro, paciência e responsabilidade.
"Você terá que moldar sua vida incluindo ele junto."
Segundo ela, a adaptação pode levar um tempo, especialmente para animais que passaram por situações difíceis.
"Com amor, paciência e resiliência, eles vão aprendendo e se moldando à sua rotina."
E o retorno, para ela, é imenso.
"Eles são nosso suporte emocional e nos consolam em todos os nossos momentos mais solitários, sem questionar ou julgar você."
O quartinho é um espaço preparado para lembrá-los todos os dias de que, ali, eles são parte da família.
Jornalista formada pela UFSM, mestranda em Comunicação e pós-graduada em Marketing. Gosta de contar histórias, conhecer pessoas e transformar informações em conteúdos que façam sentido. Já experimentou diferentes áreas da comunicação e busca, no dia a dia, novas experiências e maneiras de tornar a comunicação mais próxima e interessante.









