Família pede ajuda após encontrar a maior espécie de polvo do mundo encalhada na lama
Por Larissa Soares em Proteção Animal
Uma família que passeava pelo Bay View Park, no estado de Washington, nos Estados Unidos, percebeu que havia um polvo enorme preso na lama. O animal estava longe o bastante da água para não conseguir voltar sozinho ao mar.
Em vez de seguir o passeio, eles procuraram o guarda-parque Brandon Hoekstra, que acionou a equipe da Reserva Nacional de Pesquisa Estuarina da Baía de Padilla.
A mobilização foi decisiva para ajudar o animal, um polvo-gigante-do-pacífico, considerado a maior espécie de polvo do mundo.
Gigante em apuros
O resgate aconteceu em março de 2023, enquanto a maré baixava cada vez mais.
De acordo com a reserva, duas funcionárias, Annie England e Mira Lutz, foram até o local acompanhadas do voluntário Sean Petersmark.
A equipe encontrou o polvo se contorcendo no sedimento, sem conseguir avançar o suficiente para alcançar a água.
A situação exigia rapidez. Fora do ambiente aquático, o polvo não conseguia se deslocar com facilidade devido ao próprio peso, e a distância até a água aumentava à medida que a maré recuava.
O animal estava a cerca de 60 metros do mar, segundo informações publicadas pelo portal GoSkagit.
Uma ajudinha que salvou a vida do polvo
Enquanto aguardava a chegada dos profissionais, a família que encontrou o polvo também tentou ajudá-lo.
A filha do grupo, uma menina de aproximadamente dez anos, usou um balde de brinquedo para buscar água e despejá-la sobre o corpo do animal, mantendo-o molhado até a chegada da equipe.

A atitude fez diferença. A educadora marinha Mira Lutz disse ao GoSkagit que o polvo provavelmente não teria sobrevivido sem a intervenção da menina e de sua família.
A água ajudava a evitar que o animal ressecasse enquanto os socorristas organizavam o transporte até uma área adequada.
O resgate
Quando chegaram, os profissionais precisaram encontrar uma maneira de mover o polvo sem machucá-lo.
A equipe o colocou em um recipiente grande e começou a levá-lo em direção à água.
Não era uma tarefa simples, já que o animal podia pesar entre 36 e 45 quilos e medir de 2 a 2,4 metros de comprimento, considerando a extensão dos braços.
Ao chegar à água, o polvo mostrou que, apesar da dificuldade para se locomover na lama, ainda tinha muita força.
Quando os socorristas inclinaram o recipiente, ele enrolou os braços nas pernas de Mira Lutz e se agarrou às botas da educadora.
Ela contou que ficou impressionada com a intensidade da sucção das ventosas, que permitiam ao animal se prender com firmeza.
A equipe teve cuidado para evitar o bico do polvo e, em seguida, voltou a acomodá-lo no recipiente.
Os profissionais procuraram um canal mais profundo, onde ele teria melhores condições para retomar a vida no ambiente marinho. Quando a equipe inclinou o recipiente novamente, o polvo se soltou e nadou para longe.
O grupo comemorou ao perceber que o resgate havia dado certo. Segundo Lutz, as famílias que acompanhavam a movimentação no parque ficaram animadas com o desfecho, e ela cumprimentou as crianças presentes.
Para Annie England, a experiência também foi marcante, já que, durante seus anos de trabalho na reserva, ela havia tido poucas oportunidades de encontrar um animal dessa espécie.
Ninguém sabe ao certo como o polvo encalhou. A equipe considerou que a maré pode ter recuado rapidamente enquanto o polvo explorava águas rasas, deixando-o preso em uma área que antes estava submersa.
O gigante de oito braços que vive no Pacífico
O polvo pertence à espécie Enteroctopus dofleini, conhecida como polvo-gigante-do-pacífico. Segundo o Monterey Bay Aquarium, ela é a maior espécie de polvo do planeta.
Os braços de um indivíduo adulto podem ultrapassar quatro metros de ponta a ponta, e alguns exemplares chegam a pesar mais de 22 quilos. Registros excepcionais apontam indivíduos ainda maiores.
A espécie vive nas águas frias do Pacífico Norte, desde regiões próximas ao Japão e à Coreia até o litoral do Canadá, dos Estados Unidos e do México.

Pode ser encontrada em diferentes profundidades, mas costuma utilizar áreas rochosas e tocas no fundo do mar como abrigo.
Apesar do tamanho, o polvo-gigante-do-pacífico é um animal sem ossos. O corpo flexível permite que ele passe por aberturas estreitas, desde que sejam grandes o suficiente para a passagem do bico.
Os oito braços são cobertos por ventosas que ajudam a agarrar superfícies, manipular objetos e capturar alimentos.
Essas ventosas também são importantes para explorar o ambiente. Elas possuem receptores capazes de perceber estímulos químicos e táteis, permitindo que o polvo investigue tudo o que toca.
Esse comportamento pode ser observado nesse registro da professora e mergulhadora canadense Andrea Humphreys, que, em 2022, recebeu um "abraço" de um polvo.
Olha só:
O polvo-gigante-do-pacífico se alimenta principalmente de crustáceos e moluscos, como caranguejos, camarões e mariscos, mas também pode capturar peixes e outras presas.
Para abrir conchas, utiliza o bico resistente localizado na região central dos braços.
Outro recurso impressionante é a capacidade de mudar a coloração e a textura da pele.
Essa habilidade ajuda o polvo a se camuflar entre rochas e outros elementos do fundo marinho, dificultando sua identificação por predadores e presas.
A espécie também pode se deslocar por propulsão a jato, expulsando água por uma estrutura chamada sifão.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.









