“Ela ensinou o caminho da liberdade, mas ele escolheu voltar”: Falcão emociona ao retornar para veterinária que o cuidou
Por Larissa Soares em Aves
A médica-veterinária e zootecnista Maria Ângela Panelli costuma acompanhar seus pacientes silvestres até o momento em que podem voltar à natureza.
Mas, durante uma das solturas, um pequeno falcão pareceu não ter tanta pressa para partir.
Depois de ser impulsionado para o voo, o quiriquiri retornou e pousou no ombro da profissional, que caiu na risada ao perceber o que havia acontecido.
"Ele não quer ir embora", comentou Maria Ângela, enquanto a ave permanecia perto dela.
A cena faz parte de um compilado de solturas compartilhado pela veterinária nas redes sociais.
Em outros momentos, corujas, beija-flores e papagaios também aparecem voltando para perto dela em vez de seguirem imediatamente para longe.
Veja o vídeo:
A sequência chamou a atenção dos seguidores.
"Nasceu pra cuidar de bicho mesmo", escreveu uma pessoa.
"Doutora com nome de anjo que é um anjo na vida dos animais", disse outro.
O quiriquiri, também conhecido como falcão-americano, é o menor dos falcões e uma das menores aves de rapina encontradas no Brasil.
De acordo com informações do WikiAves, a espécie ocorre em praticamente todo o território nacional, com exceção de áreas de floresta.
A ave também recebe nomes populares como cricri, gavião-pirata, gavião-canário, gavião-tatu e gaviãozinho. O nome quiriquiri tem origem na vocalização característica da espécie.
Apesar do tamanho reduzido, o falcão é um predador habilidoso. Sua alimentação inclui cobras, lagartos, roedores, morcegos, pardais e filhotes de pombos.
Ao capturar algumas dessas espécies, contribui para o controle de populações que podem se tornar numerosas em ambientes rurais e urbanos.
Uma carreira dedicada à recuperação de animais
Maria Ângela construiu sua trajetória profissional entre a medicina veterinária, a zootecnia e o desenvolvimento de soluções para animais com limitações físicas.
Conhecida nas redes sociais como a "ortopedista dos animais", ela trabalha com casos de traumas e alterações congênitas que comprometem funções importantes, especialmente em aves que perderam parte do bico ou nasceram com deformidades.
A profissional já atendeu mais de 10 mil animais domésticos e silvestres. Entre os pacientes estão tucanos, gansos, onças, corujas, gambás, tartarugas, papagaios e lagartos.
Sua relação com o cuidado de animais começou antes mesmo da graduação em medicina veterinária.
Na década de 1990, quando trabalhava como zootecnista em Goiânia, Goiás, Maria Ângela passou a ajudar animais domésticos abandonados em parceria com uma médica-veterinária.
Quando a colega deixou o projeto, ela decidiu estudar medicina veterinária para ampliar seus conhecimentos e atuar diretamente no tratamento dos pacientes.
Durante a graduação, conheceu a ortopedia veterinária e percebeu que os conhecimentos da área também poderiam ajudar animais silvestres.
Uma das experiências que marcaram esse caminho envolveu a reconstrução do bico de uma maritaca.
Ela desenvolveu uma prótese que permitiu à ave voltar a usar o bico. A partir daí, Maria Ângela percebeu que o tratamento poderia ser adaptado a outros casos.
Próteses que ajudam aves a voltar a se alimentar
Um dos atendimentos divulgados pela veterinária envolveu um ganso com o bico torto, uma deformidade que dificultava pegar os alimentos.
Depois do procedimento de reconstrução, a ave ganhou uma prótese que a ajuda a se alimentar.
"Como é bom podermos ajudar um animal a ter sua capacidade de se alimentar com uma prótese de bico. Isso preenche minha alma!", escreveu Maria Ângela ao compartilhar o caso.
O trabalho não se limita a reconstruir o formato do bico. A prótese precisa permitir que a ave execute movimentos importantes para conseguir comer, considerando as características da espécie e o esforço exigido durante a alimentação.
Atualmente, a veterinária também atende na Clínica Best Vet, em São Paulo, onde continua trabalhando com ortopedia e reconstrução para animais.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.







