"Não podíamos fechar os olhos": Cão Miranha, encontrado com as quatro patas tortinhas, emociona ao receber ajuda
Por Beatriz Menezes em Proteção Animal
Uma história de mobilização e cuidados animais sensibilizou internautas após o resgate de um cachorro com severas alterações de mobilidade em Taquari, no Rio Grande do Sul.
Encontrado em situação de extrema vulnerabilidade física, o cão, batizado carinhosamente de Miranha pela equipe da Associação de Proteção aos Animais de Taquari (APAT), apresentava curvatura acentuada nas patas e severa dificuldade para caminhar.
As imagens do animal repercutiram na internet devido ao formato incomum de suas pernas, gerando comoção e dúvidas de usuários sobre a veracidade do registro.
A entidade confirmou a veracidade do vídeo e relembrou a reação inicial da equipe ao receber os primeiros registros sobre o estado do cão.
"Quando recebemos esse vídeo, confessamos que assustou. A gente pensou: 'Meu Deus, como assim? Esse cachorro está vivendo desse jeito?'"
Diante do quadro e das limitações evidentes, os voluntários organizaram o recolhimento do animal para evitar a continuidade do sofrimento vivenciado na rua.
"Prontamente a gente optou por resgatar. Mais um cão, mais uma responsabilidade, mas a gente não podia fechar os olhos para meses de sofrimento. Prontamente pegamos ele."
Após o acolhimento, Miranha passou por banho e higienização antes de ser encaminhado para um lar temporário sob os cuidados do pai de uma das voluntárias da instituição. A convivência no novo espaço revelou traços positivos no comportamento do animal.
"Logo no início, ele já se demonstrou super dócil, super tranquilo e se adaptou muito bem com outros cães. Ele é o Miranha, que a gente apelidou carinhosamente pela sua condição."
A causa exata da deformidade física das patas de Miranha ainda permanece em investigação médica veterinária. A equipe ressaltou que diferentes possibilidades estão sendo consideradas pelos profissionais envolvidos no acompanhamento.
"Ainda não sabemos o que ele tem. Pode ter sido uma deficiência nutricional durante o seu crescimento, pode ser uma displasia, pode ser algo genético devido a cruzas feitas de forma irresponsável."
A ONG APAT Taquari reforçou a necessidade de apoio da comunidade para viabilizar os diagnósticos e tratamentos necessários.
"Temos um longo caminho pela frente de exames, consultas, e a gente conta com a ajuda de vocês, porque a gente jamais vai fechar os olhos para eles."
Um dos vídeos publicado em 10 de outubro conta com mais de 90 mil visualizações, 14 mil curtidas e 654 comentários.
"Eu tive um cachorro assim quando ele era filhote, minha falecida mãe, começou a enfaixar as perninhas dele e fazia massagem todos os dias, e com o tempo, começou a ter resultado. Estou orando por ele, pois sei que ainda vai ser muito forte e feliz".
"Já resgatei um cachorro assim e foi rápido o procedimento e ele acertou as perninhas".
"Vi um caso na internet que o cãozinho tinha as patinhas igual a dele …. Aí fizeram cirurgia e ele ficou normal".
Comentaram alguns internautas.
Para garantir a continuidade dos atendimentos de Miranha, a instituição disponibilizou a chave PIX do seu CNPJ para receber contribuições financeiras destinadas aos custos veterinários. Quer doar? CNPJ: 22.538.747/0001-30
O Amo Meu Pet aguarda retorno dos responsáveis pela ONG para obter mais informações sobre o cãozinho.
Cão com a pata torta: o que pode ser?
De acordo com o vetgarofallo a presença de uma pata torta em cães pode indicar diversos problemas ortopédicos, neurológicos ou má-formações congênitas.
Entre as causas mais comuns estão as deformidades angulares decorrentes do crescimento desigual dos ossos durante a infância, alterações metabólicas por falta de nutrientes (como o raquitismo) e anomalias de nascença, como a hemimelia.
Raças de porte pequeno e membros curtos possuem maior predisposição genética a esses desvios.
O problema também pode surgir ao longo da vida devido a traumas mal consolidados, como fraturas cicatrizadas fora da posição correta.
Além disso, doenças articulares crônicas (como luxação patelar ou displasia) levam o animal a redistribuir o peso do corpo para aliviar a dor, alterando seu alinhamento postural.
Lesões neurológicas na medula ou nos nervos também afetam o tônus muscular e a marcha.
Como as origens são variadas, é indispensável passar por avaliação veterinária especializada com apoio de exames de imagem, como radiografias e tomografias.
A definição do tratamento depende do diagnóstico preciso, podendo envolver desde uso de órteses, fisioterapia e acompanhamento clínico até intervenções cirúrgicas corretivas para devolver a mobilidade ao animal.