Operários portuários seguem gritos por túneis escuros e encontram 4 focinhos com bigodes compridos pedindo ajuda
Por Gabriela Leandro em Proteção Animal
Uma situação inesperada mobilizou trabalhadores de um porto e uma equipe de resgate de animais marinhos na Cidade do Cabo, na África do Sul.
Quatro focas, que costumam nadar livremente pelas águas da região, acabaram presas em uma estrutura portuária e se esconderam em túneis escuros, onde ficaram perdidas.
O acontecimento se tornou uma operação delicada, que exigiu paciência, cuidado e uma estratégia especial para garantir que os animais voltassem em segurança para o oceano.
Focas entraram em dique enquanto o portão estava aberto
O episódio aconteceu na região do V&A Waterfront, conhecida por sua marina e pela presença frequente de focas que nadam pelo porto.
No local, plataformas instaladas por defensores da vida selvagem permitem que os animais descansem fora da água.
Dessa vez, porém, quatro focas curiosas entraram em um dique seco, uma estrutura utilizada para receber embarcações durante trabalhos de manutenção.
Elas aproveitaram o momento em que o portão estava aberto, mas acabaram ficando presas quando a passagem foi fechada.
Quando os trabalhadores perceberam o que havia acontecido, o dique estava cheio de água e havia uma embarcação no local.
Assustadas com o barulho das atividades, as focas fugiram para uma rede de túneis próximos e desapareceram na escuridão.
Trabalhadores seguiram os sons para encontrar os animais
Diante da situação, os funcionários entraram em contato com o Programa de Gestão da Vida Selvagem Marinha da Two Oceans Aquarium Foundation, organização que atua no resgate de animais marinhos.
Os profissionais Martine Viljoen, Abdullah Abrahams e Ayanda Cimani participaram da operação.
Depois que o dique foi esvaziado, a equipe colocou capacetes e roupas de proteção para percorrer os túneis e localizar as focas.
Guiados pelos sons emitidos pelos animais, os socorristas avançaram cuidadosamente até encontrá-los reunidos perto de uma válvula, em um trecho onde o túnel começava a subir.
O resgate, entretanto, não poderia ser feito às pressas. O ambiente era escuro, escorregadio e apertado, o que tornava perigoso tentar capturar as focas naquele espaço.
Resgate exigiu paciência e uma estratégia diferente
Como não seria seguro retirar os quatro animais de uma só vez, a equipe decidiu esperar que eles saíssem voluntariamente dos túneis.
Para incentivá-los, os profissionais reproduziram gravações de vocalizações de focas por meio de um alto-falante.
A espera foi longa. Somente no terceiro dia uma das focas colocou a cabeça para fora, em direção à claridade.
Os socorristas aproveitaram a oportunidade para capturá-la cuidadosamente com uma rede e transportá-la em uma maca até um local seguro.
Após verificarem se havia ferimentos, os profissionais devolveram a foca à água.
Ela voltou rapidamente ao oceano e começou a se movimentar e a se limpar, comportamentos considerados bons sinais de sua condição física.
No sexto dia, uma segunda foca também saiu do túnel e foi resgatada. Dez dias depois, outra conseguiu escalar as paredes do dique e retornar sozinha à água.
Após 17 dias, todas as focas estavam livres
A última foca precisou de mais tempo para deixar o local.
No 17º dia, quando o dique estava programado para ser novamente preenchido com água, um dos socorristas acompanhou o processo para garantir que o animal permanecesse em segurança.
Conforme a água subia, a foca conseguiu alcançar a parte superior da estrutura. O profissional então a orientou ao longo da parede do porto, até que ela finalmente voltasse ao oceano.
Com os quatro animais novamente em seu habitat, a equipe pôde respirar aliviada.
Apesar dos dias de confinamento e do estresse enfrentado durante a experiência, todas as focas foram encontradas em boas condições.
A atenção dos trabalhadores e a atuação de profissionais especializados foram fundamentais para evitar que o incidente terminasse de outra maneira. Com cuidado, os animais conseguiram retornar às águas onde vivem livremente.
Jornalista formada pela UFSM, mestranda em Comunicação e pós-graduada em Marketing. Gosta de contar histórias, conhecer pessoas e transformar informações em conteúdos que façam sentido. Já experimentou diferentes áreas da comunicação e busca, no dia a dia, novas experiências e maneiras de tornar a comunicação mais próxima e interessante.