“Tenho pavor de animais, mas não podia deixá-la”: Mulher enfrenta medo para salvar animal marinho gigante

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em Proteção Animal

Isabella Santos tem pavor de animais. Mas, ao encontrar uma tartaruga-verde gigante presa entre as rochas da Ilha das Mulheres, no Caribe mexicano, enfrentou o medo para salvar a vida do réptil.

Com a ajuda de outras pessoas, conseguiu deslocar o animal até que ele pudesse nadar novamente.

Gigante em apuros

Isabella mora na Ilha das Mulheres, um destino turístico localizado a cerca de 10 a 13 quilômetros da costa de Cancún, no México.

Por lá, encontrar animais faz parte da rotina, mas isso não significa que ela se sinta confortável perto deles. Diante da tartaruga gigante, porém, a preocupação falou mais alto.

"Uma tartaruga enorme! Caramba!", exclamou ao perceber o tamanho do réptil. Logo depois, veio uma preocupação ainda maior. "Ai, não! Será que está viva? Não sei se está viva!"

Isabella pediu ajuda, e outras pessoas se aproximaram para verificar a situação. Quando conseguiu chegar mais perto, comemorou ao perceber que o animal ainda estava vivo.

A tartaruga, no entanto, não estava se movendo. Já eram cerca de 14h, e o sol forte tornava a situação ainda mais preocupante.

O grupo decidiu agir. Como a tartaruga era muito pesada, foram necessárias três pessoas para começar a deslocá-la das rochas.

O trabalho exigiu esforço, mas, pouco a pouco, eles conseguiram aproximá-la do mar.

Durante o resgate, a tartaruga começou a reagir e levantou a cabeça. Quando a água finalmente a alcançou, o grupo respirou aliviado. O réptil conseguiu entrar no mar e nadou para longe.

Veja:

Na publicação, Isabella explicou que não sabia há quanto tempo a tartaruga estava presa. Ela também levantou a hipótese de que o animal tivesse saído da água durante a noite para desovar, mas não conseguiu retornar antes de a maré baixar.

"Tenho pavor de animais... e mesmo assim não consegui deixá-la morrer", escreveu na legenda.

Tartarugas podem pesar mais de 150 quilos

Segundo a NOAA Fisheries, agência norte-americana responsável por pesquisas e conservação de recursos marinhos, a tartaruga-verde (Chelonia mydas) é a maior espécie de tartaruga marinha com casco rígido.

Adultos costumam medir cerca de 90 a 120 centímetros de comprimento e podem pesar entre 135 e 180 quilos.

A espécie tem casco que varia entre tons de marrom, cinza e verde-oliva, enquanto a parte inferior costuma ser mais clara.

Apesar do nome, a coloração esverdeada vem da gordura corporal, e não da cor do casco.

Isso ocorre em parte por causa da alimentação, que, na fase adulta, é composta principalmente por algas e ervas marinhas.

A tartaruga-verde vive em regiões tropicais e subtropicais em diferentes partes do mundo.

Passa a maior parte da vida no ambiente marinho, mas as fêmeas adultas precisam chegar às praias para depositar os ovos.

Segundo a organização, elas costumam fazer isso à noite e podem percorrer centenas ou até milhares de quilômetros entre as áreas onde se alimentam e aquelas onde se reproduzem.

A espécie também enfrenta ameaças como captura acidental em equipamentos de pesca, colisões com embarcações, poluição marinha e perda de áreas adequadas para alimentação e desova.

Especialistas defenderam o resgate

Depois que Isabella compartilhou a história, a publicação alcançou dezenas de milhões de visualizações.

A repercussão também trouxe comentários de pessoas que questionaram a decisão de interferir, supondo que a tartaruga pudesse estar no processo de desova.

Outros internautas, incluindo pessoas que afirmaram ter experiência profissional com tartarugas marinhas, defenderam a atitude do grupo.

Uma pessoa que se identificou como especialista na espécie afirmou que o grupo salvou a vida do animal.

Outro comentarista que disse já ter trabalhado com tartarugas explicou que as fêmeas costumam desovar à noite. Por isso, encontrar o animal fora da água durante o dia, ainda mais no calor, é preocupante.

Ainda assim, o ideal é sempre contar com a orientação de profissionais que trabalham com fauna marinha nessas situações.

A NOAA Fisheries recomenda que pessoas que encontrem tartarugas marinhas encalhadas, feridas ou debilitadas procurem os serviços locais especializados em resgate de animais marinhos.

A recomendação vale tanto para proteger o animal quanto as pessoas, já que as tartarugas podem morder (e, segundo os especialistas, a mordida não é nada agradável).

Não foi a primeira tartaruga encontrada em dificuldade na ilha

Depois da repercussão, Isabella publicou uma atualização para contar que o episódio não foi o primeiro resgate desse tipo que presenciou na ilha.

A moradora contou que, no ano anterior, também encontrou uma tartaruga encalhada durante um passeio.

Eram cerca de 7h quando um homem começou a gritar por ajuda ao perceber o animal preso entre as pedras.

Na ocasião, foi necessário buscar mais pessoas, já que a tartaruga era pesada demais para ser deslocada por apenas uma pessoa. O grupo conseguiu ajudá-la a voltar para a água.

A atualização também serviu para Isabella mostrar um pouco da rotina na ilha, onde moradores e visitantes podem encontrar diferentes espécies marinhas.

"Aqui, o mar é, literalmente, o nosso quintal!", disse.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.