"Preciso encontrar meus bebês": Mãezinha resgatada não parava de olhar para fora até que tutora descobre motivo
Por Larissa Soares em Proteção Animal
A nutricionista Giselle Oliveira, de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, acolheu uma cadela magrinha e com sarna que vivia nas ruas acompanhada de um único filhotinho.
O que chamou sua atenção, porém, foi o comportamento da mãezinha depois que chegou à nova casa.
Mesmo recebendo comida, cuidados e carinho, ela chorava e tentava escapar pelo portão.
O resgate aconteceu em 20 de agosto. Ao encontrar os dois naquela situação, Giselle não conseguiu fechar os olhos.
A jovem levou os dois para casa e começou a cuidar deles, mas logo percebeu que a cachorrinha parecia ter um motivo para querer voltar às ruas.
"Ela não queria ficar dentro de casa e toda vez que eu abria o portão ela tentava sair e ficava chorando muito", contou Giselle em uma publicação no Instagram.
Giselle começou a desconfiar de que, além do Bolota, como ela chamou o cãozinho, havia outros filhotes por perto.
A suspeita ganhou força quando a mãe da nutricionista encontrou um vídeo no Facebook mostrando uma ninhada encontrada na rua. Curiosamente, eles também estavam com sarna.
Pelas características, a família acreditou que eles poderiam pertencer à cadela resgatada.
"Então levei ela até o local onde eles tinham sido vistos, mas quando chegamos lá, eles já não estavam mais", contou.
A busca, então, ganhou um novo objetivo. Além de ajudar a cadela e o filhote que já estavam sob seus cuidados, ela precisava descobrir onde estavam os outros bebês.
A busca reuniu a família aos poucos
Uma pessoa entrou em contato com Giselle avisando que tinha encontrado o primeiro filhote, que recebeu o nome de Pretinha.
No dia seguinte, a mesma pessoa localizou mais uma integrante da família: a Caramela. Quando chegou em casa, porém, Giselle percebeu que a pequena estava com um abscesso na barriga.
Giselle levou as recém-resgatadas ao veterinário para uma avaliação. Caramela precisava tratar o abscesso. Já a Pretinha também precisava tratar um problema na pata.
A busca pelo restante da ninhada continuou. Giselle contou que seguia voltando diariamente ao local, pois continuava recebendo relatos de pessoas que avistavam filhotes na região.
Durante uma dessas saídas, encontrou outra cachorrinha seguindo um menino pela rua. Ao perguntar se ela era dele, ouviu que não. Giselle pediu autorização para pegá-la e a levou para casa.
Com esse resgate, a família passou a ser formada pela mãezinha e quatro filhotes: Bolota, Pretinha, Caramela e Faísca.
Ainda havia sinais de que poderia existir pelo menos mais um bebê perdido. Em uma das gravações feitas por quem havia encontrado os pequenos, apareciam dois filhotes marronzinhos, mas apenas um deles estava com Giselle.
Enquanto tentava encontrar os filhotes que ainda faltavam, Giselle precisava administrar as consultas e os gastos, já que os cuidados estavam se acumulando.
O abscesso de Caramela havia fechado bem. Faísca, por outro lado, estava mancando. Pretinha também apresentava dificuldade para apoiar uma das patas.
A mãezinha estava com uma anemia leve. Além disso, toda a família precisava tratar a sarna.
A ajuda dos seguidores nas redes sociais tornou-se essencial para manter os tratamentos.
Quatro filhotes ficaram doentes
Em setembro, a família enfrentou uma complicação grave. No dia 15, Giselle percebeu que Bolota, o primeiro filhote resgatado, estava sem apetite e mais abatido.
Ela o levou ao veterinário, que levantou a suspeita de parvovirose e indicou medicação, observação e possível internação caso os sintomas continuassem.
Como o filhote não melhorava, Giselle o levou à clínica. O teste confirmou a doença, e Bolota foi internado para receber suporte veterinário.
A preocupação aumentou nos dias seguintes. Fumaça começou a apresentar sintomas e também testou positivo para parvovirose.
Depois, Caramela e Faísca adoeceram, e os exames confirmaram a infecção nas duas. Os quatro filhotes precisaram ser internados.
Em 24 de setembro, Giselle contou que Bolota havia reagido bem ao tratamento e poderia receber alta. Mas a notícia veio acompanhada de uma perda dolorosa. Fumaça e Faísca não resistiram à doença.
Caramela continuou internada, recebendo cuidados e sendo monitorada pela equipe veterinária. Segundo a atualização, ela ainda precisava de suporte, mas havia apresentado alguns sinais de melhora.
A parvovirose é uma doença viral contagiosa que atinge principalmente filhotes e cães não vacinados. Segundo a VCA Animal Hospitals, rede americana de clínicas veterinárias, a doença pode ser fatal.
Ela afeta principalmente o sistema gastrointestinal e pode provocar vômitos, diarreia, perda de apetite e desidratação.
Por isso, diante de sinais suspeitos, é importante levar o pet rápido ao veterinário. A vacinação é uma das principais formas de prevenção.
Felizmente, Caramela também se recuperou e pôde voltar para casa.
A mãe e os dois cãezinhos seguem sendo cuidados pela jovem. Quando eles estiverem prontos, estarão disponíveis para adoção.
Ao relembrar a trajetória, Giselle aproveitou para agradecer todo o apoio recebido dos seguidores.
"Essa história foi marcada por muita luta, algumas perdas que ainda doem muito, mas também por muita esperança. E eu só tenho a agradecer a todos que acompanharam, ajudaram, oraram e torceram por eles até aqui."
Acesse o Instagram de Giselle clicando aqui.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.