Cachorrinha encontrada sem os movimentos das patas hoje corre alegremente pela praia: "Ela vive em sua própria bolha de felicidade"
Por Larissa Soares em Proteção Animal
Georgia é um exemplo de como o cuidado e a reabilitação podem transformar a vida de um cãozinho com deficiência.
Encontrada sem conseguir movimentar as patas traseiras, a cachorrinha recebeu tratamento, passou por sessões de fisioterapia e começou a treinar natação.
Meses depois, recuperou parte dos movimentos e hoje consegue correr alegremente pela praia, embora ainda precise de ajuda para fazer suas necessidades.
A recuperação aconteceu graças à dedicação de Sybille Morch, ex-cirurgiã alemã que vive na ilha de Koh Samui, na Tailândia, onde fundou o santuário My Disabled Hairy Friends (MDHF), algo como "meus amigos peludos com deficiência".
O espaço acolhe cães de rua com deficiências físicas e neurológicas que enfrentam grandes dificuldades para conseguir uma família adotiva.
Encontrada sem conseguir andar
Em fevereiro de 2025, uma amiga de Sybille chamada Maddie encontrou a cachorrinha no meio de uma matilha que costumava alimentar.
A filhotinha não conseguia andar e precisava de ajuda. Diante da situação, Maddie procurou Sybille, que decidiu acolhê-la e iniciar os cuidados.
Os exames de raio-X mostraram que não havia lesões que explicassem a falta de movimentos nas patas traseiras.
Segundo o relato da protetora, Georgia havia sofrido uma infecção grave que provocou a paralisia.
Sem conseguir movimentar a parte posterior do corpo, ela também não conseguia esvaziar a bexiga sozinha, e Sybille precisou ajudá-la nessa tarefa.
Segundo a protetora, mesmo diante das dificuldades, a cachorrinha parecia sempre disposta a continuar.
Sybille iniciou o tratamento na esperança de que ela recuperasse a capacidade de andar. A evolução exigiria tempo, muitos cuidados e exercícios adaptados às limitações da paciente.
Pippilotta também participou da recuperação
Georgia não enfrentou a reabilitação sozinha. Pippilotta, outra cachorrinha que vive com Sybille, costumava ficar por perto enquanto a amiga fazia os exercícios.
A companhia tornava os tratamentos mais acolhedores, e as duas também brincavam juntas.
Depois das sessões, Georgia ficava exausta e precisava descansar. O esforço era grande para uma cachorrinha tão pequena, mas cada etapa era importante.
Entre os exercícios, os momentos de repouso e a companhia de Pippilotta, ela foi ganhando novas oportunidades de movimentar o corpo.
A natação também entrou no treinamento. Com a ajuda de um colete, Georgia conseguia se manter na água e movimentar as patas durante os exercícios. A atividade passou a fazer parte do trabalho para estimular sua mobilidade.
Até que veio uma conquista importante. Georgia conseguiu correr novamente.
Nem todos os movimentos voltaram ao normal. Sybille explicou que a cachorrinha provavelmente nunca vai andar perfeitamente.
No entanto, ela já consegue correr e se deslocar com muito mais autonomia do que quando chegou ao santuário.
A incontinência, porém, continua presente. Georgia ainda precisa da ajuda da cuidadora para esvaziar a bexiga e fazer suas necessidades.
Por isso, Sybille decidiu mantê-la sob seus cuidados permanentemente, garantindo assistência e acompanhamento mesmo com os avanços na mobilidade.
"Georgia se tornou essa cachorrinha maravilhosamente despreocupada e feliz, que parece não esperar nada de ruim do mundo. Ela simplesmente vive a vida em sua própria bolha de felicidade, completamente presente, completamente ela mesma", disse a protetora.
A ex-cirurgiã que dedica a vida aos cães com deficiência
Sybille Morch é uma ex-médica cirurgiã alemã que deixou a carreira na área da saúde humana para se dedicar ao resgate e à reabilitação de cães de rua com deficiências.
Ela fundou o My Disabled Hairy Friends, um santuário na ilha de Koh Samui, na Tailândia, voltado ao acolhimento de cães que precisam de cuidados especiais.
O trabalho começou depois que Sybille passou a ajudar animais abandonados na ilha. Ao longo dos anos, ela percebeu que cães com lesões graves, paralisia e outras deficiências tinham poucas chances de encontrar uma família disposta a assumir os cuidados necessários.
Hoje, o santuário funciona como lar permanente para esses cães. Além de oferecer abrigo, Sybille organiza rotinas de tratamento, exercícios, brincadeiras e acompanhamento veterinário.
Alguns precisam de cadeiras de rodas, enquanto outros participam de atividades na água ou passam por treinamentos adaptados às suas condições.
A cuidadora costuma compartilhar nas redes sociais o cotidiano dos cães e as etapas de suas recuperações.
As publicações mostram que uma deficiência não impede necessariamente um cão de brincar, explorar ambientes e aproveitar a vida.
Acompanhe o trabalho de Sybille Morch no Instagram, em @my.disabled.hairy.friends.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.