"Eles só queriam comer em paz": Mulher se comove com ataques a gatos de rua e cria 'porta' no muro para acolhê-los

"Não posso salvar o mundo, mas posso mudar a vida de alguns".

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em Gatos

Na casa de Karina Castro, em Goiânia, os gatos de rua não precisam pedir licença. Uma abertura no muro leva direto à garagem, transformada em um gatil com casinhas, telas de proteção, água e ração à vontade. Os animais chegam, comem, descansam e voltam para a rua quando querem.

A estrutura nasceu da violência. Antes do gatil, Karina deixava comida na porta de casa, e os gatos eram atacados.

"Havia pessoas que jogavam a comida fora, roubavam os potes de água, jogavam pedras e até machucavam os gatinhos", contou ao Amo Meu Pet.

"Precisávamos ficar vigiando enquanto eles comiam."

A rotina do abrigo virou conteúdo nas redes sociais de Karina @karinap_castr. Nos vídeos, os gatos aparecem atravessando a abertura no muro, dividindo a comida e tomando sol. Um vídeo publicado em 15 de setembro soma 107 mil visualizações, 13 mil curtidas e 632 comentários.

"Fico imaginando se o mundo tinha apenas pessoas assim, seria tão bom".
"Deus deve tá muito orgulhoso dessa filha dele".
"Amei a ideia assim que eu puder fazer um parecido que vou fazer".

Comentaram os internautas.

Um lugar seguro

Foi o marido de Karina quem decidiu tirar do papel a ideia de um cantinho protegido na garagem.

"Mais do que um espaço para colocar comida, queríamos oferecer a eles um pouco de segurança em meio a tantas dificuldades que enfrentam nas ruas", explica Karina.

Hoje, cerca de quatro gatos frequentam o gatil todos os dias, em horários variados, e outros três circulam pelo telhado e pela calçada. Somando os 11 gatos resgatados que vivem dentro de casa, a família cuida de cerca de 20 animais.

O cuidado também chega aos pássaros: na calçada, a família mantém potes com água fresca para as aves da região.

Castração e despesas por conta própria

Karina não sabe dizer quantos gatos já ajudou a castrar, mas o trabalho começou bem antes do gatil.

"Eu já ajudava outros protetores, inclusive contribuindo mensalmente para as castrações", conta.

A castração é a principal forma de evitar que novas ninhadas nasçam na rua.

A família não tem ajuda fixa nem apoio do poder público. Ração, sachês e veterinário são pagos com recursos próprios. Doações aparecem de vez em quando pelas redes sociais, mas não cobrem os gastos.

À espera de um lar

Os gatos do gatil que chegaram ao local pela mãe estão disponíveis para adoção. Os que já foram castrados também.

"Mostro a rotina deles e os cuidados que tenho nas minhas publicações diárias, mas, infelizmente, ninguém demonstrou interesse em levá-los para casa", lamenta Karina.

As perdas

Nem todos os gatos que passaram pela porta de Karina tiveram um final feliz. Frajola frequentou a casa por cerca de seis anos, e Negão, por nove.

"Já chegaram a passar pela nossa porta aproximadamente 15 animais para comer diariamente. Mas, com o tempo, muitos foram morrendo atropelados, sumindo ou sendo envenenados", conta.

"A gente se apega, se preocupa e sofre com cada perda, mas continua fazendo o que pode por aqueles que ainda precisam da nossa ajuda."

Maus-tratos a cães e gatos são crime no Brasil, com pena de 2 a 5 anos de reclusão, multa e proibição da guarda de animais (Lei 14.064/2020).

Se alguém quiser ajudar no projeto de Karina, a chave pix é 62985858012.

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.