“Eles têm uma ligação muito forte”: cachorro uiva ao ouvir voz de tutor que morreu aos 13 anos
Por Larissa Soares em Cães
Rocky, um jack russell que vive em São Paulo, começou a uivar ao ouvir a voz de Lucca, o menino de 13 anos que morreu em julho após enfrentar um sarcoma de Ewing.
A mãe do garoto, Fabiana Queiroz Romano, registrou a reação em um vídeo compartilhado em 22 de outubro.
Para ela, o comportamento está relacionado ao luto pela perda do amigo. Essa interpretação é reforçada pelas mudanças que ela vem observando no dia a dia do cão desde a morte do menino.
O registro reúne uma lembrança de quando Lucca estava em tratamento e conversava com Rocky por chamadas de vídeo.
Ao ouvir novamente a voz do garoto, o cão começa a uivar. Para Fabiana, a reação mostra a ligação que, segundo ela, os dois mantinham.
"Quando encontrei esse vídeo e o Rocky escutou a voz do Lucca, eu deixo pra vocês a reação dele", escreveu a mãe na publicação.
Ela contou que, durante o período em que o filho ficou internado para o transplante, os dois conversavam com o cãozinho todos os dias por videochamada.
Aquelas conversas se tornaram um momento de diversão em meio à rotina hospitalar.
"E era nossa diversão naquele quarto", relembrou Fabiana.
Rocky era o melhor amigo de Lucca
Segundo Fabiana, Rocky nasceu no mesmo dia em que a família descobriu o diagnóstico de Lucca.
O cão passou a fazer parte da rotina da casa enquanto o garoto enfrentava o tratamento contra o sarcoma de Ewing, um tipo raro de câncer que pode atingir os ossos e os tecidos moles ao redor deles.
Em janeiro de 2025, quando tinha 12 anos, Lucca caiu de bicicleta e, inicialmente, recebeu um diagnóstico de pancada no cóccix. Com a persistência das dores e o avanço das investigações médicas, a família descobriu a doença.
O tratamento envolveu períodos de melhora, uma recaída e a tentativa de transplante de medula óssea, tendo o irmão do menino como doador.
Durante a internação, as chamadas de vídeo com Rocky eram uma maneira de manter o contato com a rotina de casa.
Fabiana contou que o filho nem sempre tinha paciência para ouvir as pessoas conversando ou lamentando a situação. Com o cão, a relação era diferente.
"Ele falava e o Rocky só ouvia", escreveu a mãe ao recordar.
Segundo ela, o menino também dizia que era por Rocky que queria sair curado do hospital.
Na legenda, ela também recordou a risada de Lucca durante as chamadas e contou que, mesmo com saudade, ver Rocky pela tela conseguia arrancar um sorriso do garoto.
Mãe percebe mudanças no comportamento do cão
Em uma publicação de 7 de agosto, Fabiana já havia relatado que Rocky estava se comportando de maneira diferente desde a morte de Lucca.
Ela contou que procurou uma veterinária para investigar as alterações e ouviu que a saúde do cão estava bem, embora os hábitos tivessem mudado.
Segundo a tutora, Rocky continuava se alimentando, mas passava boa parte do dia dormindo e tinha pouco interesse em brincar ou passear.
A mudança chamou sua atenção porque, antes, ele era bastante agitado, a ponto de, nas palavras dela, ter chegado a roer as paredes do apartamento.
Fabiana também percebeu uma reação específica quando alguém mencionava o nome de Lucca.
De acordo com seu relato, Rocky ficava paralisado, olhando para o nada. Em outros momentos, quando ela começava a chorar, o cão se aproximava e a lambia, como se buscasse contato.
A mãe ainda contou que, nas visitas ao cemitério, o comportamento do pet mudava quando o carro se aproximava do local. Segundo ela, Rocky começava a chorar e ficava inquieto dentro do veículo.
Foi a partir dessas observações que Fabiana passou a interpretar as mudanças como sinais de luto. A reação ao ouvir a voz de Lucca na gravação reforçou essa percepção para ela.
Cães podem sentir a perda de alguém próximo?
Embora não seja possível perguntar a um cão o que ele está sentindo, mudanças comportamentais após a perda de alguém próximo podem ser observadas.
A VCA Animal Hospitals, rede de hospitais veterinários, explica que cães podem apresentar alterações compatíveis com o luto, como dormir mais, perder o interesse por brincadeiras, vocalizar com maior frequência, ficar mais dependentes das pessoas da casa ou se afastar do convívio.
Isso não significa que todos os cães compreendam a morte da mesma maneira que os humanos, mas indica que a ausência de alguém importante e as mudanças na dinâmica familiar podem afetar o bem-estar do pet.
Como ajudar um cão durante o período de adaptação
Quando um cão perde alguém próximo, manter uma rotina previsível pode ajudá-lo a se sentir mais seguro.
Horários regulares para alimentação, passeios, descanso e brincadeiras oferecem referências conhecidas em um momento de mudanças.
Também é importante respeitar o ritmo do pet, sem forçá-lo a brincar ou interagir quando não demonstra interesse.
A VCA recomenda oferecer companhia e atividades de que o cão goste, observando como ele reage.
Brincadeiras leves, passeios adequados à condição física e brinquedos que estimulem a busca por petiscos podem ajudar a recuperar o interesse pelas atividades cotidianas.
Sinais que merecem atenção
Mesmo quando há suspeita de luto, mudanças persistentes no comportamento precisam ser avaliadas por um veterinário.
Dormir muito mais do que o habitual, perder o apetite, deixar de brincar, apresentar vocalizações frequentes ou se isolar também podem indicar um problema de saúde.
Se as alterações forem intensas, durarem vários dias ou vierem acompanhadas de outros sintomas, o ideal é levar o pet para uma nova avaliação.
No caso de Rocky, Fabiana contou que já procurou atendimento veterinário e soube que a saúde dele estava bem.
Ainda assim, ela segue observando as mudanças e compartilhando as lembranças que guarda do filho e do cão.
Ao publicar a gravação em que Rocky ouve a voz de Lucca e começa a uivar, a mãe voltou a falar sobre a relação entre os dois e sobre a maneira como continua percebendo essa ligação no cotidiano.
Na legenda, ela explicou por que diz que olha para o cão e se lembra do filho:
"Quando eu digo que olho para o Rocky e vejo o Lucca é porque sempre soube da ligação que existiu e sei que ainda existe entre eles", escreveu Fabiana, antes de encerrar a homenagem com a frase "Daqui é para a eternidade".
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.