“Eu estava completamente destruída”: Cães percebem que tutora passava momento difícil e se unem para apoiá-la
Por Larissa Soares em Cães
Andrea, atleta e criadora de conteúdo que vive no México com nove cães e três gatos, encontrou na própria "matilha" companhia durante uma das fases mais difíceis de sua vida.
Em um registro de 2023, Andrea está chorando junto à bicicleta quando dois dos cães vão até ela.
Ela interrompe o exercício e se senta na calçada. Outros cãezinhos saem de casa e também se aproximam, formando um grupo ao redor dela.
A jovem compartilhou a cena no Facebook em 16 de outubro, ao contar o que enfrentava naquela época e como os companheiros de quatro patas a ajudaram a atravessar aquele período.
Conhecida nas redes sociais como "Andrea Ra y la Manada Mortal", ela publicou o registro acompanhado de uma reflexão sobre a importância dos cães e gatos na vida de quem passa por momentos difíceis.
Para Andrea, os pets não precisam de explicações nem cobram que seus tutores estejam bem o tempo todo. Às vezes, a companhia deles já faz diferença quando até as tarefas mais simples parecem difíceis.
"Alguns dizem que são 'apenas cães'... e há aqueles de nós que sabem o que é receber apoio quando nem sequer conseguimos fazer algo sozinhos", escreveu.
"Eu estava completamente destruída"
A gravação foi feita em um período em que Andrea enfrentava duas situações dolorosas.
Segundo seu relato, poucos dias antes daquele momento, o sócio havia pedido que ela renunciasse ao cargo de diretora da empresa que ajudou a construir durante 14 anos. O trabalho representava um sonho ao qual ela havia dedicado grande parte da vida.
Na mesma época, a jovem também descobriu que o homem com quem pretendia se casar a traía havia sete anos. Ela contou que havia aceitado a ideia do casamento depois de três anos de insistência dele, mas descobriu a infidelidade cerca de um mês depois de tomar essa decisão.
A perda simultânea de projetos profissionais e afetivos abalou a segurança que Andrea tinha em si mesma.
"Meu sonho e meu coração foram totalmente estraçalhados, ao mesmo tempo", escreveu.
As dificuldades continuaram afetando sua vida nos meses seguintes. Andrea relatou que 2024 foi um dos anos mais sombrios que viveu, marcado pelo afastamento de pessoas, pelo isolamento e pela sensação de estar sozinha.
Em meio a tudo isso, ela percebeu que havia passado muito tempo tentando sobreviver, sem conseguir aproveitar a própria vida.
Foi nesse contexto que a presença dos cães e gatos ganhou um significado especial.
Segundo ela, os pets ficavam por perto sem exigir explicações ou esperar que estivesse bem.
Em alguns dias, chegavam a se deitar no chão ao lado dela quando faltavam forças até para se levantar.
"E lá estavam eles. A minha matilha", contou.
A matilha estava lá quando ela mais precisava
Segundo a jovem, a convivência com os pets a ajudou a perceber que precisava se levantar aos poucos, recuperar a qualidade de vida e buscar a pessoa que desejava ser.
A mudança, segundo ela, não significava tentar se tornar perfeita ou apagar tudo o que havia acontecido.
Tratava-se de aprender a se priorizar, cuidar da própria saúde e construir uma rotina que também permitisse oferecer melhores condições aos animais que dependem dela.
Andrea ressaltou que amar os pets profundamente também envolve cuidar de si mesma.
Afinal, o bem-estar de quem cuida influencia a capacidade de manter uma rotina de alimentação, passeios, atenção e cuidados veterinários para os companheiros de quatro patas.
Ao explicar por que decidiu compartilhar novamente o registro, Andrea fez uma observação importante. Naquele dia, sua intenção não era gravar a própria tristeza, mas registrar uma pequena conquista.
Ela havia conseguido subir na bicicleta e fazer um pouco de exercício depois de um período muito difícil.
Cães percebem quando estamos tristes?
Um estudo publicado em 2012 na revista científica Animal Cognition observou como cães reagiam quando pessoas choravam, conversavam ou cantarolavam.
Os pesquisadores verificaram que os cães se orientavam mais frequentemente para a pessoa que chorava e, em várias ocasiões, aproximavam-se, cheiravam, encostavam o focinho ou lambiam quem parecia estar sofrendo.
Os autores consideraram que esse padrão poderia estar relacionado ao contágio emocional e a experiências anteriores de interação com pessoas em sofrimento.

Uma pesquisa publicada em 2024 também investigou as respostas dos cães às emoções genuínas de seus tutores.
Os resultados mostraram que o comportamento dos animais variava conforme o estado emocional da pessoa.
Quando os tutores estavam tristes, por exemplo, os cães passavam mais tempo na parte do ambiente onde os tutores estavam, embora não tenham necessariamente se aproximado ou tocado neles com maior frequência.
Isso indica que nem todo cão reage à tristeza com lambidas ou contato físico. A forma de responder depende do temperamento, da experiência e do vínculo que o cão tem com a pessoa. Não existe uma única reação que comprove que o pet percebeu a tristeza do tutor.
Pedir ajuda também é um ato de cuidado
Andrea aproveitou a publicação para lembrar que ninguém precisa dar conta de tudo sozinho. Sua mensagem foi dirigida tanto a quem enfrenta um momento difícil quanto a quem convive com alguém que parece estar sofrendo.
No Brasil, quem precisa conversar e busca apoio emocional pode entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida, o CVV, pelo telefone 188. O atendimento é gratuito, funciona 24 horas por dia e oferece escuta sigilosa. Também é possível acessar os canais de atendimento pelo site oficial do CVV.
Andrea também escreveu que os cães e gatos estiveram ao lado dela quando mais precisava e que agora deseja transformar o que viveu em uma motivação para fazer mais pelos animais.
"Eles são família, e merecem muito mais do que o nosso afeto", escreveu.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.








