Biólogo salva 2 filhotes de quero-quero presos em bueiro e reação da mãe é de aquecer o coração
"Se for difícil encontrar pessoas boas, seja uma".
Por Beatriz Menezes em Aves
Do lado de fora, no gramado, a mamãe quero-quero gritava sem parar. Embaixo da grade, no fundo de um bueiro, estavam dois filhotes.
Eles foram resgatados pelo biólogo Christian Raboch Lempek, da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama), perto da Arena Jaraguá, em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina.
Moradores perceberam os filhotes presos e pediram ajuda. Com luvas e uma haste de metal, o biólogo foi trazendo um filhote de cada vez até perto da grade e tirou os dois pelas aberturas.
Durante todo o resgate, a fêmea acompanhou tudo da vegetação ao lado.
Assim que os filhotes foram colocados no gramado, correram para debaixo da mãe, que os acolheu sob as asas.
O vídeo, publicado em 30 de setembro com a legenda "Se for difícil encontrar pessoas boas, seja uma", passa de 1,3 milhão de visualizações.
Por que os filhotes caem em bueiros?
O quero-quero (Vanellus chilensis) faz o ninho no chão, em áreas abertas como campos, gramados e terrenos perto de construções. Poucas horas depois de nascer, os filhotes já saem do ninho andando atrás dos pais.
Por serem pequenos, podem escorregar pelas grades de bueiros e outras estruturas urbanas.
Os pais defendem a ninhada com voos rasantes e gritos agudos, comportamento que rendeu à ave a fama de "sentinela".
Comum em quase todo o Brasil, o quero-quero é especialmente ligado à cultura gaúcha.
No Rio Grande do Sul, uma lei estadual de 2002 o reconhece, ao lado do cavalo crioulo, como animal-símbolo e patrimônio cultural do estado.
O que fazer ao encontrar um filhote de mamífero silvestre? Dicas do vet.tufts.edu
- Afaste-se e observe à distância: a mãe costuma limitar as visitas ao ninho para evitar a presença de predadores, como humanos. Se o filhote aparenta estar calmo, saudável e sem ferimentos, ele provavelmente está sendo cuidado e deve ser deixado em paz.
- Mito do toque humano: se o filhote estiver em local seguro e você souber onde fica o ninho, pode devolvê-lo com o auxílio de luvas. Ao contrário do senso comum, os pais não rejeitam o filhote após o contato humano.
- Crie um ninho substituto se necessário: caso não encontre o ninho original, utilize um recipiente plástico ventilado (com furos no fundo) forrado com grama macia ou pano sem fiapos para que os pais possam encontrá-lo.
- Como identificar se é órfão (caso dos gambás): filhotes de gambá costumam andar nas costas da mãe e podem cair sem que ela perceba. Se o gambá tiver menos de 18 cm de comprimento (sem contar a cauda), ele ainda necessita de cuidados e é considerado órfão.
- Acione órgãos especializados: se confirmar que o filhote está ferido, doente ou que os pais morreram, entre em contato imediatamente com o órgão ambiental do seu município, a Fujama, o CETRAS ou a Polícia Militar Ambiental. Lembrando que a captura e manutenção não autorizada de animais silvestres é crime ambiental.
Outro resgate que viralizou
Em 5 de setembro, Christian também resgatou um sagui com leucismo, condição genética rara que reduz a pigmentação da pele e dos pelos.
O animal tinha sido atropelado à beira de uma estrada e foi levado para exames em uma clínica veterinária.
"Esse provavelmente foi um dos animais mais diferentes que eu já resgatei", disse o biólogo no vídeo, que se aproxima de 1 milhão de visualizações.
Como a espécie não é nativa do Sul do Brasil, o sagui não pode ser solto na região e será encaminhado ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS), em Florianópolis.