Nico, filhote de 4 meses que nasceu sem os olhos, foi achado sozinho na rua, venceu a cinomose e procura um lar em MG
Por Beatriz Menezes em Aqueça o coração
Nico nasceu sem os olhos e foi encontrado sozinho na rua. Ainda filhote, enfrentou a cinomose, uma das doenças mais graves que atingem cães, e sobreviveu.
Agora, o cachorrinho de 4 meses espera por uma família na Unidade de Acolhimento de Animais de Nova Serrana, no Centro-Oeste de Minas Gerais.
A história foi publicada no Instagram da clínica veterinária Socorro Animais Nova Serrana em 26 de outubro e atualmente conta com 18 mil visualizações.
Resgatado andando sem rumo
Moradores perceberam o filhote caminhando sem direção em uma rua da cidade e acionaram o resgate. Ele chegou ao abrigo municipal em 7 de agosto.
Na avaliação inicial, a equipe veterinária constatou que Nico nasceu sem os dois globos oculares, condição chamada de anoftalmia. Por isso, ele depende do olfato e do tato para se orientar.
Os exames feitos na chegada trouxeram outra notícia ruim: cinomose. A doença é causada por um vírus e pode atacar os sistemas respiratório, digestivo e nervoso dos cães. Em filhotes, costuma ser fatal.
Sem sequelas
O Amo Meu Pet entrou em contato com a equipe da Clínica. Os veterinários Ravel, Alícia e Laura explicaram que Nico ficou internado e isolado durante 90 dias e respondeu bem ao tratamento.
Segundo a equipe, os novos exames não detectaram mais o vírus, e ele se recuperou sem sequelas motoras ou neurológicas.
"Ele segue em acompanhamento dos nossos veterinários, mas no momento é apenas acompanhamento de rotina, pois já finalizou o tratamento. Ele pode conviver com outros cães, desde que os companheiros estejam com o protocolo de vacinação ética (importada) em dia. Inclusive, ele ama ter companhia!"
Hoje, Nico é um filhote ativo e dócil com os cuidadores, e já está adaptado a viver sem enxergar.
"O protocolo de vacinação já foi iniciado, sendo necessário completá-lo ainda. Ele está vermifugado e ainda não é castrado por não ter idade para passar por tal procedimento. Acreditamos que ele será um porte pequeno/médio".
"Nico não precisa enxergar o mundo para sentir o amor. Ele só precisa de alguém que enxergue o quanto ele é especial", escreveu a veterinária Laura Viegas Anacleto.
Como é viver com um cão cego
"Os cuidados com um animalzinho especial requerem mais atenção e paciência, principalmente na adaptação. O ambiente deve ser previsível, evitando mudar móveis de lugar, mantendo água e ração no mesmo ponto, protegendo escadas, piscinas e varandas, e utilizando tapetes com diferentes texturas para orientação. Na interação, como ele não vê a aproximação, é preciso ter calma, conversar antes de tocar, usar comandos simples e não o acordar com toques inesperados. O cão cego pode e deve passear com peitoral e guia confortáveis, preferindo rotas fixas e calmas para explorar os cheiros. Por fim, atividades com brinquedos sonoros, estímulos olfativos, rotina estruturada e reforço positivo ajudam a vencer a insegurança inicial.", explicaram os veterinários de Nico.
Assista abaixo:
Como adotar
Os interessados podem visitar a UPA (Unidade de Atendimento aos Pets) na Rua França 139 Jardim Europa II ou ligar para a equipe pelo telefone (37) 99820-3285.