Mesmo todo arrumadinho, cão que foi mais uma vez ignorado em feira, acreditava que seu destino era viver em abrigo

"Nenhum animal deveria viver uma vida em abrigo, um idosinho é mais difícil ainda aceitar"

Por
em Aqueça o coração

Pedrinho, um cãozinho de aproximadamente 10 anos, passou mais um domingo esperando por uma família em uma feirinha de adoção em São Paulo.

Arrumado com uma bandana no pescoço e acomodado em seu cercadinho, ele participou do evento em 18 de outubro, mas voltou para o abrigo sem encontrar um lar.

Cinco anos depois de ser acolhido pela ONG Batalha Animal, o cãozinho ainda aguardava uma oportunidade.

A história chamou a atenção da ativista da causa animal Sâmia Schnorr, que decidiu agir depois de ver a publicação sobre ele nas redes sociais.

Mais uma feirinha

A feirinha foi organizada pelo Abrigo do Wlad durante a Feira Criativa, realizada na Vila Mariana pelo projeto O Coletivo.

Os visitantes podiam conhecer Pedrinho até as 15h daquele domingo. Os voluntários esperavam que a carinha fofa do cãozinho conquistasse alguém, mas o dia terminou sem uma adoção.

Em uma publicação no Instagram, o abrigo mostrou Pedrinho dentro do cercadinho, olhando para fora enquanto aguardava a aproximação de possíveis adotantes.

"Nenhum animal deveria viver uma vida em abrigo, um idosinho é mais difícil ainda aceitar", lamentou o abrigo na legenda.

A publicação comoveu internautas, que deixaram mensagens de apoio.

"Você ainda vai encontrar uma família maravilhosa. Vai dar certo", desejou uma pessoa.

E a previsão acabou se confirmando poucos dias depois.

Cinco anos esperando por uma família

Pedrinho foi comprado como pinscher, mas acabou abandonado pela antiga família quando tinha cerca de cinco anos.

Segundo a ONG Batalha Animal, ele chegou cheio de traumas e não permitia que as pessoas o pegassem ou tocassem. A desconfiança era uma forma de se proteger depois das experiências que havia vivido.

Cinco anos se passaram desde sua chegada à organização. Agora, com aproximadamente 10 anos, o cãozinho tem a visão limitada e os pelos brancos já tomaram conta de boa parte do focinho.

A equipe explicou que Pedrinho continua independente e consegue fazer muitas coisas sozinho, mas pode ficar assustado quando alguém se aproxima de maneira brusca, por causa da baixa visão.

Apesar das dificuldades, Pedrinho aprendeu a aceitar carinho e, segundo a ONG, ele ainda tem muito a viver.

Na publicação do Abrigo do Wlad, o pedido era para que alguém enxergasse além da idade e das limitações do cãozinho e lhe oferecesse um lugar para descansar, receber cuidados e fazer parte de uma família.

Foi justamente esse apelo que chegou até Sâmia Schnorr.

"Vou tentar fazer alguma coisa"

Sâmia já tinha experiência com resgates e adoção de cães idosos. Ao encontrar a publicação sobre Pedrinho no Instagram, ela se indignou ao perceber que ele havia passado cinco anos no abrigo sem conseguir uma família.

Em 27 de outubro, ela compartilhou nas redes sociais a decisão de tentar mudar o destino do cãozinho.

"Vou tentar fazer alguma coisa nessa situação, espera aí", anunciou.

Na sequência, mostrou que estava saindo de casa, entrando no carro e seguindo viagem. Ao chegar a uma residência, tocou a campainha e, pouco depois, apareceu com Pedrinho no colo.

"Vamos embora, Pedrinho!", disse, enquanto levava o cãozinho consigo.

A cena marcou o início de uma nova vida para um cachorrinho que esperou tanto tempo por esse momento.

A publicação recebeu mensagens de apoio e agradecimento.

"Pedrinho teve muita sorte, seja feliz Pedrinho no seu novo lar", escreveu uma internauta.
"Oi, moça, eu te amo por ter adotado esse bebê", comentou outra.

Adotar um cão idoso pode ser uma ótima escolha

Filhotes costumam chamar atenção nas feiras de adoção, mas cães mais velhos também podem se adaptar muito bem à vida em família.

A Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade contra os Animais (ASPCA) destaca que animais idosos frequentemente são deixados de lado em abrigos, apesar de terem características que podem combinar com diferentes estilos de vida.

Uma das vantagens de adotar um cão mais velho é que sua personalidade já está desenvolvida.

Isso permite que a família conheça melhor o temperamento, o nível de energia e as necessidades daquele cãozinho antes de levá-lo para casa.

A ASPCA também explica que, comparados aos filhotes, os cães idosos podem exigir menos supervisão e treinamento.

Muitos já passaram da fase de roer objetos e aprender hábitos básicos, embora cada cão tenha sua própria história e possa precisar de tempo para se adaptar a uma nova casa.

Outro ponto importante é que a idade não impede a formação de vínculos. A organização ressalta que animais mais velhos continuam capazes de criar laços com novos tutores.

Depois de cinco anos sob os cuidados da ONG, Pedrinho finalmente deixou o abrigo no colo de alguém que decidiu lhe dar uma chance.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.