Cadela de 4 anos que perdeu as patas ao tentar salvar os filhotes ganha caminha e uma família que respeita seu medo de gente
Por Larissa Soares em Cães
Uma cadela chamada Branquinha passou boa parte da vida tentando sobreviver longe das pessoas.
Encontrada em uma região rural de Portugal, a cachorrinha teve as patas traseiras mutiladas, enfrentou situações de perigo e passou anos sem conhecer o conforto de uma casa.
Agora, depois de ser acolhida por uma família, ela está descobrindo aos poucos que nem todo contato humano precisa terminar em medo.
A mudança foi compartilhada em 30 de outubro pela médica veterinária Maria Estrela, especializada no apoio ao luto pet e tutora da cachorrinha.
Em uma publicação, ela mostrou imagens da cadelinha vivendo nas ruas e, depois, aproveitando um banho quentinho, com a tutora segurando delicadamente uma de suas patinhas para que ela se sentisse mais segura.
Um passado marcado pelo medo
Maria ficou sabendo sobre a Branquinha ao ver um pedido de ajuda urgente, publicado pela CRAPAA, organização que acolhe animais abandonados e oferece cuidados veterinários.
A cachorrinha precisava de uma família de acolhimento temporário porque o piso úmido do abrigo estava provocando feridas nas extremidades das patas traseiras, que haviam sido mutiladas.

Com aproximadamente quatro anos, Branquinha passou boa parte da vida em uma matilha que vivia em uma zona rural.
Segundo o relato compartilhado por Maria, ela nunca teve contato frequente com pessoas, e as poucas experiências foram traumáticas. A cachorrinha também tinha ninhadas sucessivas, mas a maioria dos filhotes não sobrevivia.
De acordo com a história relatada aos voluntários, a cachorrinha perdeu as patas em um incidente.
Um homem teria tentado retirar os filhotes de Branquinha de um buraco durante o inverno, usando uma enxada para escavar. A cadela tentava se aproximar para proteger os bebês e acabou tendo as patinhas cortadas durante a ação.
Voluntárias que acompanhavam a matilha e levavam alimento tentaram resgatá-la diversas vezes. Em algumas ocasiões, chegaram a utilizar armadilhas, mas Branquinha não permitia que se aproximassem o suficiente para capturá-la.
O resgate só aconteceu depois que ela ficou presa em um arame, que acabou se enrolando em seu abdômen. Foi nessa situação de vulnerabilidade que a cachorrinha finalmente aceitou receber ajuda.
Pedido de ajuda virou adoção
Quando Maria viu a publicação, já estava considerando adotar um cãozinho. Ela havia perdido outros pets e sentia que era hora de abrir novamente o coração para outro companheiro.
A situação de Branquinha chamou sua atenção, e ela decidiu conversar com o abrigo.
A adaptação, no entanto, exigiria paciência. Branquinha não estava acostumada a viver em uma casa, dormir em uma caminha ou brincar com brinquedos.
Além disso, ela precisava descobrir que as pessoas ao seu redor não representavam uma ameaça.
Maria conta que não tem pressa para conquistar a confiança da cachorrinha. Mesmo que ela demore a aceitar aproximações ou talvez nunca se torne um pet muito sociável, já tem um lugar onde será protegida e respeitada.
A tutora também explicou como Branquinha consegue se locomover. Uma das patas traseiras foi cortada apenas na extremidade, e é justamente essa parte que ela utiliza como apoio. A outra teve uma amputação mais próxima do tornozelo e permanece suspensa, sem tocar o chão.
A deficiência não impede que ela tenha uma vida confortável.
Conquistar a confiança pode levar tempo
Conquistar a confiança de um pet que tem medo de pessoas pode levar semanas, meses ou até mais tempo. Não existe um prazo igual para todos, e o avanço nem sempre acontece em linha reta.
A Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade contra os Animais (ASPCA) orienta a não forçar o contato.
O ideal é permitir que o próprio cãozinho escolha quando quer se aproximar. A postura perto do cão deve ser calma, e petiscos podem ajudar nesse processo.
Se o cãozinho demonstrar medo, o melhor é interromper a interação e dar espaço a ele. Broncas e punições não ajudam a construir confiança e podem intensificar a associação negativa com pessoas ou situações.
Por enquanto, Branquinha não precisa aprender a confiar em todo mundo, nem superar todos os seus medos de uma vez. Ela só precisa descobrir, um dia de cada vez, que tem uma família disposta a respeitar seu tempo. E, depois de tantos anos sem uma caminha, agora pode aproveitar a sua sempre que quiser.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.







