Jabuti perde patinha após acidente com pitbull e corre risco de eutanásia, mas ganha nova chance com terapeuta e rodinhas improvisadas
Por Gabriela Leandro em Mundo Animal
Uma jabuti chamada Antonella, de aproximadamente 18 anos, sofreu um grave ferimento em novembro de 2025, após um acidente com um pitbull que resultou na perda de uma das patas. O animal foi resgatado em Santos, no litoral de São Paulo.
Com um ferimento grave e poucas perspectivas de recuperação, ela corria o risco de ser submetida à eutanásia caso ninguém aceitasse acolhê-la.
Foi então que a médica e terapeuta dos animais Larissa Kammer, moradora do Guarujá, decidiu assumir seus cuidados. Quase um ano depois, Antonella apresenta uma recuperação significativa e já consegue circular pela casa.

Em entrevista ao portal Amo Meu Pet, Larissa contou como acolheu a jabuti, relembrou os momentos mais delicados do tratamento e explicou como uma adaptação simples ajudou Antonella a recuperar parte da mobilidade. A evolução também foi compartilhada em um vídeo publicado no Instagram.
Um acidente que quase custou a vida de Antonella
Antonella vivia havia aproximadamente 18 anos com uma família e estava acostumada à presença de outros animais. Após o acidente, foi resgatada em Santos, no litoral de São Paulo.
O acidente aconteceu em meados de novembro de 2025, quando a família, que havia resgatado recentemente um pitbull, deixou os dois animais próximos.
Segundo Larissa, não é possível saber se o cachorro tentou brincar, se assustou ou atacou a jabuti. Entretanto, a força da mordida provocou um ferimento gravíssimo.
Antonella perdeu completamente uma das patas, além de grande parte da pele da região, impossibilitando o fechamento convencional da ferida.
A jabuti passou por procedimentos cirúrgicos, mas seu estado continuava delicado. Como a família não tinha condições financeiras de manter o tratamento, era necessário encontrar alguém disposto a acolhê-la.
Caso contrário, segundo Larissa, Antonella seria submetida à eutanásia.
Larissa decidiu acolher Antonella, mesmo sem conhecer a gravidade do caso
Ao saber da situação, Larissa se ofereceu para receber a jabuti. No entanto, o feriado da Consciência Negra dificultava a travessia de balsa entre Santos e Guarujá, onde mora.
Ela pediu que alguém permanecesse temporariamente com Antonella até que pudesse buscá-la.
A jabuti chegou aos seus cuidados logo após o feriado, ainda em recuperação pós-operatória.
Foi somente durante a retirada dos curativos, com a ajuda de uma veterinária, que Larissa compreendeu a extensão dos ferimentos.
Em entrevista ao Amo Meu Pet, ela relembrou a situação:
"Quando eu peguei Antonela ela tinha toda a musculatura aparente a a gordura aparente, ela tinha ainda a artéria braqueal ainda tava sangrando bastante"
Além da exposição dos tecidos, Antonella apresentava sangramento persistente e precisava ser alimentada por sonda.
O tratamento exigiria cuidados constantes, medicamentos e acompanhamento veterinário.
Os primeiros sinais de recuperação
Nos primeiros dias na casa de Larissa, Antonella surpreendeu a terapeuta.
Enquanto se movimentava, a sonda de alimentação acabou se soltando. Preocupada, Larissa entrou em contato com o veterinário responsável para saber como continuar alimentando a jabuti.
Felizmente, Antonella começou a comer sozinha.
Em janeiro de 2026, Larissa procurou a veterinária Maria Ângela, em São Paulo, que apresentou duas possibilidades: continuar o tratamento medicamentoso ou realizar uma nova cirurgia para tentar fechar a ferida.
A decisão inicial foi apostar nos medicamentos e acompanhar a resposta do organismo.
Durante meses, Larissa realizou os cuidados necessários para remover tecidos mortos e acompanhar a cicatrização, sempre com orientação veterinária.
Somente no começo de abril os resultados mais expressivos começaram a aparecer.
Larissa contou:
"a gente começou a perceber o processo de cicatrização após meses debridando ali tecido morto nela a gente começou a ver o estado de recomposição do tecido"
No início de maio, parte significativa da região já estava coberta por tecido novo. Era uma conquista importante, embora ainda fosse necessário acompanhar a possibilidade de novas infecções.
Rodinhas de móveis ajudaram Antonella a voltar a andar
Além do ferimento, Antonella enfrentava dificuldades para se locomover.
Sem conseguir sustentar adequadamente o corpo, o peso do casco pressionava as patas traseiras, provocando inchaço e problemas de circulação.
Foi então que Larissa encontrou uma solução simples: adaptar pequenas rodinhas utilizadas em móveis à parte inferior do casco da jabuti.
A adaptação ajudou a aliviar a pressão sobre as patas e permitiu que Antonella voltasse a se movimentar com mais facilidade.
Ao Amo Meu Pet, Larissa explicou:
"ela vai pra tudo quanto é lado tá ela se movimenta bem ela anda o dia inteiro na casa"
As rodinhas continuam sendo utilizadas e precisam ser substituídas periodicamente. Larissa também pretende buscar uma adaptação mais adequada para melhorar ainda mais a mobilidade da jabuti.
Um ano depois, Antonella está recuperada, mas ainda tem sequelas
De abril até novembro de 2026, a evolução de Antonella foi muito positiva.
A região ferida apresentou uma recuperação significativa e, segundo Larissa, já não há músculos, ossos ou gordura expostos.
Antonella se alimenta bem, movimenta-se pela casa e mantém uma rotina tranquila, embora tenha ficado com algumas sequelas.

Ela ainda apresenta dificuldades para apoiar corretamente uma das patas e precisa de atenção especial em superfícies ásperas, que podem provocar machucados.
Também necessita de auxílio com a higiene após evacuar, já que não consegue elevar a parte traseira do corpo como antes.
Apesar dessas limitações, Larissa destaca que Antonella é dócil e colaborativa, características que facilitaram os cuidados durante todo o tratamento.
Hoje, a jabuti convive com quatro cachorros, sempre sob supervisão, e tem até um hábito especial: todas as manhãs, procura o lugar da casa onde bate sol para descansar.
Depois de tantos meses de tratamento, vê-la aproveitar esses pequenos momentos é parte da nova rotina de Larissa, que resume:
"ela é a coisa mais gostosa do mundo, ela é a coisa mais linda do mundo e hoje ela tá bem!".
Jornalista formada pela UFSM, mestranda em Comunicação e pós-graduada em Marketing. Gosta de contar histórias, conhecer pessoas e transformar informações em conteúdos que façam sentido. Já experimentou diferentes áreas da comunicação e busca, no dia a dia, novas experiências e maneiras de tornar a comunicação mais próxima e interessante.








