Doberman quase destrói quarto sozinho e só se acalma ao lado de irmã enlutada
Por Larissa Soares em Aqueça o coração
Depois de perder o companheiro com quem dividiu a vida desde filhote, Karma, uma doberman de dois anos, passou a demonstrar uma tristeza que preocupou sua família.
A cadela, que antes era animada e vivia chamando o irmão mais velho para brincar, começou a passar o dia deitada sozinha no quintal.
Para tentar ajudá-la, os tutores decidiram voltar ao abrigo onde a haviam adotado e procurar um novo amigo de quatro patas.
Foi assim que Asher chegou à casa, em setembro, e encontrou em Karma uma parceira para brincar, dormir juntinho e descobrir uma nova vida.
Karma sofreu com a partida do irmão
Karma havia sido adotada ainda filhote em um abrigo especializado em dobermans e cresceu ao lado de Axel. Os dois eram inseparáveis.
Segundo a família, começavam e terminavam os dias juntos, e o cão mais velho estava sempre por perto para acompanhar as brincadeiras da irmã.
A morte de Axel, em abril, mudou o comportamento da cadela. Em uma publicação de 14 de maio, os tutores contaram no Instagram que Karma parecia sentir a ausência do companheiro.
"Os momentos que ela normalmente passava incentivando-o a brincar agora são passados deitada sozinha na grama ou no pátio", contaram.
A família também sentia falta de Axel e sabia que a perda afetava todos os moradores da casa.
"Ele era uma parte tão importante de nossas vidas, e acho que todos nós sentimos muita falta dele, mais do que podemos expressar em palavras."
Para tentar animar Karma, os tutores procuravam oferecer atividades diferentes, como passeios na praia. Mesmo assim, perceberam que a presença de outro cão poderia fazer diferença.
Asher chegou cheio de carinho e energia
Em setembro, decidiram visitar novamente o abrigo onde haviam encontrado Karma. Foi lá que conheceram Asher, um doberman adulto cujo passado era desconhecido.
A família não sabia como Asher havia sido tratado, o que tinha vivido ou como reagiria a outro cachorro dentro de casa. Ainda assim, decidiu dar uma chance a ele.
O primeiro contato já foi animador. Quando os tutores foram buscá-lo no canil, Asher mostrou que era um cão animado e carinhoso.
Depois, ao conhecer Karma, os dois começaram a correr e brincar. A interação foi tão boa que parecia que já se conheciam havia muito tempo.
Em 12 de setembro, a família compartilhou os primeiros registros dos novos irmãos juntos. As imagens mostravam os dois brincando, trocando carinho e até dormindo lado a lado.
"Às vezes, um cão só precisa de uma segunda chance para mostrar quem é", escreveu a família.
A primeira noite sozinho foi mais difícil
Em uma das atualizações, os tutores contaram que a primeira experiência de Asher sozinho em casa não saiu como esperavam.
A família imaginou que deixá-lo em segurança no quarto seria uma boa maneira de ajudá-lo a se sentir confortável enquanto estavam fora.
Uma câmera instalada no ambiente mostrou, porém, que o doberman ficou ansioso. Ele latiu, andou de um lado para o outro e chegou a arrancar as persianas.
O comportamento indicava que ainda tinha dificuldade para lidar com a separação e com a nova rotina.
No dia seguinte, resolveram testar outra abordagem. Em vez de deixá-lo separado no quarto, permitiram que ficasse na sala principal com Karma.
A câmera registrou a mudança, que trouxe uma diferença importante. Com a companhia da nova irmã, Asher ficou mais calmo e pareceu mais confortável.
A família reconheceu que ainda havia muito a aprender sobre o comportamento do cão e que continuaria fazendo adaptações para ajudá-lo a se sentir seguro.
"A regra dos 3. Vai melhorar logo! Só precisa de um pouco de adaptação. Ele vai ficar ótimo! Ele tem pais amorosos ao seu lado", tranquilizou um internauta nos comentários.
E assim aconteceu. Com o passar dos dias, Asher foi se adaptando à casa e aproveitando cada vez mais a companhia da doberman.
O que é a regra 3-3-3 na adoção de cães?
A chamada regra 3-3-3 descreve três etapas gerais que podem ajudar tutores a compreender o processo de adaptação de um cão resgatado.
A ideia é considerar os primeiros três dias, as primeiras três semanas e os primeiros três meses como períodos diferentes de familiarização com a nova casa.
Segundo a ASPCA, entidade americana de proteção aos animais, nos primeiros três dias o cão pode se sentir sobrecarregado, assustado ou confuso.
É possível que se esconda, fique mais quieto, tenha alterações no apetite ou apresente sinais de ansiedade.
Nesse período, o ideal é oferecer um espaço seguro, evitar excesso de visitas e permitir que ele conheça o ambiente no próprio ritmo.
Nas três semanas seguintes, o animal tende a começar a compreender melhor a rotina da família.
Pode demonstrar mais personalidade, explorar a casa com confiança e aprender quais são os horários de alimentação, passeio e descanso.
É também uma fase importante para estabelecer limites com reforço positivo, técnica que recompensa os bons comportamentos, e manter uma rotina previsível.
Já os primeiros três meses são considerados um período de construção de confiança e familiaridade. O cão pode se sentir cada vez mais à vontade, fortalecer o vínculo com os tutores e compreender melhor o funcionamento da casa.
Isso não significa que todos os animais estarão completamente adaptados ao fim desse prazo. A própria ASPCA ressalta que cada indivíduo tem seu ritmo e que alguns precisam de mais tempo.
A regra não deve ser tratada como um cronograma obrigatório, mas como uma referência para evitar cobranças excessivas durante a adaptação.
Recomeço para os dois dobermans
A família continuou compartilhando momentos da dupla e mostrando como Asher estava se acostumando à nova vida.
Em outra publicação, os tutores contaram que uma das partes mais especiais da adoção era acompanhar o cão experimentando tantas coisas pela primeira vez.
A chegada dele também trouxe uma mudança para Karma, que voltou a ter um companheiro para dividir as brincadeiras e os momentos de descanso.
Os tutores comemoraram a maneira como os dois se aproximaram e a facilidade com que Asher passou a fazer parte da rotina.
"Ele tem sido uma adição incrível à nossa família e adoramos dar a ele a vida que merece", escreveram.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.