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Estudo avalia a relação da proximidade com os tutores na hora de dormir e problemas comportamentais em cães

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em Comportamento

Comportamentos que geralmente indicam ansiedade de separação ou agressividade são mais frequentes em cães que dormem fora de casa e longe de seus tutores

Você sabia que cães que dormem dentro de casa menos frequentemente exibem comportamentos associados com problemas de ansiedade de separação e agressividade?

Em um estudo publicado este ano na revista Society & Animals, Alexandre Rossi e sua equipe, além da pesquisadora Caroline Marques Maia, descobriram isso através de um questionário disponibilizado online nas mídias sociais da empresa Cão Cidadão, de Alexandre. Mais de 60 mil tutores de cães distribuídos por diversos estados brasileiros e até mesmo em outros países responderam ao questionário.

A ideia do estudo foi avaliar se a proximidade dos cães com seus tutores na hora de dormir à noite está associada com a ocorrência de comportamentos relatados pelos tutores que muitas vezes podem indicar que o cãozinho está com ansiedade de separação, tais como destruir objetos, latir muito ou fazer xixi ou cocô em locais inadequados quando ele fica sozinho em casa. Os pesquisadores também investigaram se essa associação existe quando se trata de outro problema comportamental muito frequente em cães, que é a agressividade excessiva, observada nos comportamentos de latir, rosnar ou morder as pessoas.

A proximidade com os tutores durante o sono à noite foi avaliada em três níveis: cães que dormem fora de casa, cães que dormem ao menos dentro de casa ou aqueles que dormem dentro do quarto do tutor.

Considerando a ansiedade de separação, tanto o comportamento de destruir de objetos como latir muito foram menos frequentes quando os tutores relataram que seus cães dormiam ao menos dentro de casa, sendo que destruir objetos foi ainda menos frequente quando os tutores disseram que seus cães dormiam dentro de seus quartos.

Já em relação à agressividade com humanos, os comportamentos de latir ou rosnar – que são considerados ameaças, apresentaram o mesmo tipo de associação, mas o comportamento de morder – uma agressão mais direta, não foi associado com a proximidade entre cão e tutor durante à noite.

Os pesquisadores concluíram que os cães que dormem dentro de casa, ou seja, mais perto de seus tutores, parecem exibir ameaças agressivas e comportamentos problemáticos que são comumente associados à ansiedade de separação com menos frequência do que aqueles que dormem fora de casa.

Por ser um estudo de associação, os pesquisadores ainda não sabem se existe alguma relação de causa e efeito entre dormir dentro de casa e a menor frequência de comportamentos indicativos de ansiedade de separação e agressividade com humanos nos cães.

Mas os resultados dessa pesquisa trazem achados importantes para estudos futuros nessa área e já parecem contrariar a crença popular de que quanto mais ‘apegado’ o cão for de seu tutor, maior a chance dele desenvolver problemas comportamentais.

Veja o artigo na página da revista aqui.

Carol é bióloga, mestre e doutora em Zoologia pela Unesp e especialista em Jornalismo Científico pelo Labjor da Unicamp. Faz parte da equipe FishEthoGroup (FEG) de cientistas internacionais, desenvolvendo perfis de comportamento e bem-estar de espécies de peixes criadas em cativeiro, participando de pesquisas e fazendo divulgação científica, além de ser colaboradora no Instituto GilsonVolpato de Educação Científica - IGVEC. Em 2016 criou o blog ConsCIÊNCIA Animal para divulgar comportamento e bem-estar animal para as pessoas em geral, que comanda até hoje. Tem publicado diversos materiais jornalísticos em veículos como ComCiência, Observatório da Imprensa e Ciência na Rua. Ama animais e o meio ambiente, gosta de pintar e adora assistir um bom filme ou série.