Morador de rua reencontra família depois de 30 anos e leva sua cachorrinha junto para casa

No ano passado, enquanto passava pelo Largo do Cambuci, em São Paulo (SP), a ativista Maria Fernanda Prado Orsini ‘flagrou’ um momento de puro amor e amizade entre um morador de rua e sua cachorrinha: eles estavam dormindo juntos, esquentando um ao outro. Encantada pela cena, Maria tirou uma foto.

Pela manhã, no dia seguinte, voltou a encontrá-los no mesmo local, agora acordados. Foi até o morador de rua, um senhor de idade, e mostrou a ele a fotografia. Ele adorou o registro e, sorridente, passou um bom tempo conversando com Maria.

A ativista logo descobriu seu nome – Ivanildo – e da sua fiel escudeira, Tullyy.

Situação do morador de rua

O homem estava naquela situação por conta de um alcoolismo crônico, que drenou sua vida em família e seu trabalho. Durante a conversa, Ivanildo também contou que tinha sérios problemas na coluna e era completamente cego de um olho.

Sensibilizada por sua história e condição de vida, Maria começou a levar algumas vezes por semana ovos cozidos e sal para lanchar ao lado de Ivanildo e de Tullyy.

Em um esforço contínuo para se manter sóbrio, o morador de rua confeccionava panelinhas e cinzeiros artesanais, feitos com latas de refrigerante, para vender na rua e tentar tirar algum sustento. Entre uma venda e outra, conseguia continuar subsistindo, ao mesmo tempo que alimentava sua cachorrinha.

Reviravolta

Maria Fernanda conta que há cerca de seis meses, repentinamente, Ivanildo perdeu a visão de um olho, ficando completamente cego. “Ficou complicado incentivá-lo a manter-se sóbrio e ele caiu com fé na cachaça. Só se via este homem caído, completamente bêbado, com a Tullyy deitada em cima pra protegê-lo. E ai de quem se aproximasse! Muito pouco se podia esperar dessa situação. Ou quase nada, mas não perdemos a esperança”, relata.

Eventualmente, um morador das redondezas resolveu procurar a família de Ivanildo pela internet. E a encontrou! Com sorte, eles ainda moravam em Olinda, Pernambuco. Uma irmã e um sobrinho vieram de surpresa ao encontro dele.

Estavam há mais de 30 anos sem notícias e sem saber o paradeiro do morador de rua. “Achavam que ele estava morto”, conta Maria Fernanda. “Eles chegaram aqui no início do mês e conseguiram o dinheiro necessário para o retorno dos quatro – Tullyy incluída, é claro.”

Na segunda-feira passada (16), houve despedida. Maria Fernanda conversou com Ivanildo uma última vez, desejou-lhe sorte, abraçou-lhe e pela madrugada, Ivanildo embarcou rumo à Pernambuco – de avião.

“Milagres acontecem! Fé, meu povo! O amor move montanhas!”, finalizou.

Fonte: Facebook (Relato)

Gabriel Pietro

Gabriel Pietro têm 20 anos, é redator e freelancer. Fundou o Projeto Acervo Ciência em 2016, com o objetivo de levar astronomia, filosofia e ciência em geral ao público. Em dois anos, o projeto alcançou milhões de internautas e acumulou 400 mil seguidores no Facebook. Como redator, escreveu para vários sites, como o Sociologia Líquida e o Segredos do Mundo. Ainda não sabe se é de humanas ou exatas, Marvel ou DC, liberal ou social-democrata. Ama cinema, política, ciência, economia e música (indie). Ainda tentando descobrir seu lugar no mundo.

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