O Johnny é maravilhoso! Cachorro 'coroinha' faz sucesso e vira personagem de teatro de fantoches
Por Ana Carolina Câmara em CãesSe você é católico, ao ir à missa já deve ter percebido a presença dos coroinhas. Eles são jovens ou crianças que auxiliam o padre durante a celebração, cuidando do altar, dos objetos litúrgicos e de outros rituais importantes. Representam dedicação, respeito e o desejo de servir à Igreja desde cedo.
Mas na paróquia do padre Luiz, localizada em Barretos, no interior de São Paulo, na região de Ribeirão Preto, você vai encontrar algo a mais.
Lá, entre os fiéis e os coroinhas, quem também participa ativamente das missas é o Johnny, um vira-latinha caramelo que ganhou o título carinhoso de CÃOroinha.
Sim, é isso mesmo! Johnny acompanha as celebrações com postura serena, caminha ao lado do padre e até “ajuda” na entrada da procissão.
Sua presença encantadora não só atrai a atenção dos fiéis como também transmite uma linda mensagem de amor, acolhimento e respeito pelos animais.
Como Johnny se tornou CÃOroinha?
Em entrevista ao jornalista Chico Felitti, no projeto "A História do Cão", que percorre o Brasil em busca das histórias mais emocionantes sobre cachorros especiais, o padre Luiz compartilhou como tudo começou entre ele e Johnny.
Segundo o padre, Johnny veio de uma situação de abandono. Foi resgatado das ruas no dia 13 de dezembro, uma data carregada de significado: é o aniversário de padre Luiz e também o dia em que ele comemorava 10 anos de sacerdócio na Capela Nossa Senhora.
Naquele dia, ele e seus colaboradores preparavam um jantar especial para celebrar esse marco. No meio da tarde, o padre foi até a capela para verificar os últimos detalhes, garantir que tudo estivesse correndo bem e acompanhar os preparativos com carinho.
Como de costume, no porta-malas do carro levava um pacote de ração, pronto para alimentar os cães de rua que encontrasse pelo caminho. Amigo dos animais, ele não perdia uma chance de oferecer cuidado e compaixão.
Foi então que avistou Johnny, um cãozinho caramelo, magrinho, de olhar triste e corpo franzino, uma mistura de perdigueiro com beagle.
Quando o padre o chamou para comer, veio a surpresa: em vez de se aproximar da comida, Johnny pulou direto para dentro do carro.
Seria um pedido de ajuda? Ou quem sabe, uma tentativa ousada de forçar uma adoção? Parece que sim, né?
Naquele gesto simples e espontâneo, nascia uma amizade que mudaria a vida dos dois e, também, de toda a comunidade, que aprenderia com Johnny o verdadeiro significado de acolhimento e respeito aos animais.
Foi assim que Johnny entrou na vida do padre. Mas como, afinal, ele chegou até o átrio da igreja?
O padre contou que, com o tempo, percebeu um comportamento especial em Johnny: sempre que o sino tocava ou as músicas da igreja começavam a tocar, o cãozinho seguia em direção ao templo. Entrava e caminhava até o altar e se acomodava ali, quietinho, como se entendesse que aquele era um lugar sagrado.
A partir daí, o padre teve a ideia de vesti-lo como um coroinha, e parece que Johnny aceitou muito bem a nova função.
Com a pequena túnica sobre o corpo e o olhar sereno, ele passou a acompanhar ainda mais de perto as celebrações, se posicionando ao lado do altar com a naturalidade de quem sabe que pertence àquele lugar.
Agora, será que a comunidade aceitou bem a presença desse lindinho?
A resposta é um sonoro sim. Desde o início, os fiéis se encantaram com a doçura e o comportamento tranquilo de Johnny. Sua presença trouxe ainda mais leveza e alegria às celebrações, tocando os corações de adultos e crianças.
"O Johnny é maravilhoso", declarou uma fiel.
Johnny ficou tão conhecido na paróquia que até ganhou uma peça de teatro em sua homenagem.
"Eu acho ele bonitinho, né? Diverte as crianças, né?", comentou outra fiel.
Repercussão
A história de Johnny foi contada em vídeo e compartilhada no perfil do Instagram do jornalista Chico Felitti (@chicofelitti), no dia 26 de julho. A publicação trouxe à tona o carisma do famoso CÃOroinha e rapidamente conquistou a internet.
A legenda dizia:
"O CÃOroinha – Padre Luiz, de Barretos, é amigo dos animais. No dia do seu aniversário, foi dar ração para cachorros de rua. Um deles, mistura de perdigueiro com beagle, subiu no banco do seu carro e adotou o padre. Era Johnny. E lá foi o cachorro morar com o padre. Só que, toda vez que o padre ia rezar a missa, Johnny ia atrás e ficava no altar, quietinho. Não demorou pra Johnny ganhar uma batina e virar o coroinha mais amado da igreja."
A publicação acumulou mais de 527 mil visualizações e recebeu centenas de comentários cheios de carinho e humor.
"Pessoal que não gosta do Johnny precisa nem ir pra missa", brincou um internauta.
"Ele recebe a Eucãoristia?", perguntou outra seguidora, arrancando risos. Uma terceira respondeu: "Acho que ele ainda não fez a primeira CÃOmunhão."
Outro comentou: "Padre Léo dizia que 'é melhor um cachorro católico do que um católico cachorro'."
E teve quem compartilhasse experiências pessoais:
"Uma das coisas que mais gosto nas igrejas católicas é que nunca me proibiram de entrar com minha dog. Sempre que viajo, levo minhas duas filhas ou uma delas e visito as igrejas pela parte histórica. Sempre me dizem: pode entrar com ela."
Assista ao vídeo:
Fofura, né?
Amigo dos animais
Assim como o padre Luiz é amigo dos animais, na tradição católica também há um santo que dedicou sua vida ao cuidado das criaturas mais vulneráveis: São Francisco de Assis, o padroeiro dos animais e da natureza.
Nascido na Itália, no século XII, São Francisco é lembrado por sua vida simples, seu amor pelos pobres e sua conexão com todos os seres vivos. Ele acreditava que os animais eram irmãos da humanidade e que todas as criaturas faziam parte da criação divina.
Diz a tradição que São Francisco pregava para os pássaros, convivia com lobos e tratava todos os animais com respeito e ternura. Sua visão de um mundo mais justo, compassivo e em equilíbrio com a natureza inspira até hoje milhares de fiéis ao redor do mundo.
Na figura do padre Luiz e no carinho com que acolheu o cãozinho Johnny, muitos veem um reflexo desse espírito franciscano: a fé que se traduz em cuidado, acolhimento e amor pelas criaturas de Deus.
Johnny pode não conhecer a história de São Francisco, mas vive, todos os dias, o legado de quem ensinou que cuidar é uma forma de louvar a vida.
Redatora e apresentadora do Canal Amo Meu Pet.
Com formação em Design de Produtos e especialização em Design de Interiores pela Universidade de Passo Fundo, a Ana encontrou sua verdadeira paixão ao unir criatividade, comunicação e o amor pelos animais.
Apaixonada por contar histórias que tocam o coração, ela estudou Escrita Criativa com o escritor Samer Agi e participa do programa JournalismAI Discovery, organizado pela Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Iniciativa de Notícias do Google, buscando se aprofundar no universo digital.
Hoje, dedica-se a produção de conteúdos que informam, emocionam, conscientizam e arrancam sorrisos.