Cachorrinho ansioso decide que boneco 'assustador' em tamanho real será seu melhor amigo
Por Larissa Soares em Cães
Alguns tutores se superam quando o assunto é promover o bem estar dos pets. E a americana Keandra McNeil merece cinco estrelinhas pela solução criativa que encontrou para ajudar Gus, seu cãozinho ansioso.
Desde sempre, Gus sofria com ansiedade de separação, um transtorno comum em cães, mas que pode trazer muito estresse para eles e seus tutores.
“No minuto em que saio de casa, ele anda de um lado para o outro e late sem parar por horas a fio. Ele não come nem bebe. Ele faz xixi e cocô e deixa rastros por todo lugar. Ele é uma pequena bola de demolição e isso estressa a casa inteira”, relatou ela no TikTok.
Keandra já tinha tentado de tudo: brinquedos, música ambiente, recompensas, medicamentos… mas nada parecia funcionar.
Até que ela viu que um “manequim de ansiedade de separação” estava fazendo sucesso entre os cães de uma casa de repouso para cães idosos em Rhode Island (EUA), a Vintage Pet Rescue.

Foi então que, em um momento de desespero, ela decidiu testar a ideia maluca: comprar um boneco humano em tamanho real.
O nascimento de uma amizade improvável
O boneco, comprado em uma loja de fantasias de Halloween, não parecia muito acolhedor.
“É definitivamente um pouco assustador. Eu não sabia o que estava fazendo. Eu só ia improvisar”, contou ela ao The Dodo.
Keandra vestiu o boneco e agiu como se fosse um amigo de longa data. E o mais surpreendente: Gus acreditou.
“Você vai ficar um tempo? Vai ficar conosco? Pode ficar o quanto quiser, contando que cuide do Gus”, disse ela ao boneco.
Assim que o boneco, que recebeu o nome de Fred, ‘sentou-se’ no sofá, o cachorro foi direto se aconchegar no colo dele, como se já se conhecessem há anos.
O verdadeiro teste, no entanto, seria deixá-los sozinhos. Keandra posicionou Fred no banheiro, o lugar favorito do cãozinho, e saiu para o trabalho.
Durante todo o dia, pelas câmeras, ela viu Gus deitado tranquilamente ao lado do novo amigo.
Nenhum latido, nenhum sinal de pânico. Pela primeira vez em muito tempo, ele parecia em paz.
“Uma parte de mim está feliz que isso esteja funcionando. A outra parte pensa: ‘Este é um estranho, Gus nunca conheceu essa pessoa falsa’”, brincou a tutora.
Uma família diferente, mas feliz
Com o tempo, Fred passou a ser presença constante na casa. Gus não só quer estar sempre ao lado dele, como também exige sua companhia no carro e em outras situações.
“Eles são inseparáveis neste momento”, disse.
Até o gato da família, Doug, parece ter aprovado o novo integrante, esfregando o rosto nas pernas do boneco.
“Sinceramente, ele também está me conquistando”, admitiu a tutora, rindo. “Acho que esse sujeito branco e assustador vai ficar por aqui”.
Ansiedade de separação em cães
Segundo o veterinário Dr. Michael Kearley, em um artigo no PetMD, a ansiedade de separação é um dos transtornos comportamentais mais comuns em cães.
Ela acontece quando o animal apresenta estresse e angústia sempre que fica longe do tutor.
Os sintomas podem incluir:
- Comportamento destrutivo (mastigar, arranhar, destruir objetos)
- Latidos, uivos ou choramingos excessivos
- Perda de apetite
- Tremores
- Salivação
- Vômitos ou diarreia
- Xixi e cocô dentro de casa
Em muitos casos, o cão começa a demonstrar ansiedade até antes do tutor sair, quando percebe sinais como pegar as chaves ou calçar os sapatos.
O que causa o problema?
Não existe uma causa única, mas fatores genéticos, experiências traumáticas na infância ou mudanças no ambiente, como a perda de alguém da família ou a mudança de casa, podem contribuir.
Até mesmo cães idosos podem desenvolver ansiedade de separação, já que são mais sensíveis a mudanças.
Como tratar ansiedade de separação em cães
De acordo com o PetMD, o tratamento exige paciência, consistência e, muitas vezes, acompanhamento profissional. Algumas medidas importantes incluem:
- Treinamento de dessensibilização: acostumar o cão aos sinais de saída (pegar chaves, colocar sapatos) sem realmente sair, para que ele deixe de associar esses gestos ao abandono.
- Rotina consistente: horários regulares para alimentação, brincadeiras e descanso ajudam o cão a se sentir mais seguro.
- Reforço positivo: recompensar comportamentos calmos, ensinando o cachorro a relaxar em locais específicos.
- Exercício físico e mental: passeios, brinquedos interativos e enriquecimento ambiental reduzem o tédio e o estresse.
- Atenção ao retorno para casa: ignorar o cão por alguns minutos ao chegar e ao sair evita reforçar a excitação excessiva.
- Espaço seguro: criar um ambiente tranquilo, com difusores de feromônio, música suave e brinquedos pode ajudar.
- Apoio profissional: em casos graves, pode ser necessário consultar um especialista em comportamento ou até usar medicamentos sob orientação veterinária.
O objetivo é ensinar ao cão que ficar sozinho não é algo ruim, mas sim uma situação normal e segura.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.