Protetora se choca ao descobrir o paradeiro de mãe e filhote caramelo que ela protegia diariamente
Felizmente ela conseguiu encontrá-los e os levou de volta para o lar comunitário.
Por Beatriz Menezes em Proteção AnimalA rotina de cuidado de uma protetora de animais se transformou em um drama de busca e indignação.
Roe Ebel, conhecida por zelar por animais em sua comunidade, descobriu que dois cães comunitários sob sua proteção foram vítimas de um ato deliberado de abandono.
A cadela uma fêmea já idosa, e um caramelo, ambos sem raça definida foram levados de seu abrigo improvisado durante a noite.
A protetora encontrou os animais horas depois enquanto eles caminhavam exaustos por uma estrada tentando retornar ao lar. O caso foi documentado e publicado por Ro Ebel no Tik Tok dia 9 de outubro.
A história começou quando a protetora foi realizar sua visita diária aos cães. Ela alimenta a idosa há mais de um ano. A cadela e o filhote viviam como cães comunitários em um bairro tranquilo.
Eles ocupavam casinhas construídas e mantidas pela protetora na calçada. Segundo a mulher, a presença dos animais era pacífica e nunca havia gerado reclamações formais de vizinhos.
Naquela manhã, o silêncio no local das casinhas foi o primeiro alerta. "Eu fui procurar eles na casinha, eu não achei", relatou a protetora no vídeo que gravou após o resgate. A ausência de dois animais tão habituados àquele ponto específico era incomum.
A preocupação se intensificou e ela iniciou uma busca pela região. "Aí eu andei por tudo na Tapera, não encontrei eles", contou. A angústia da protetora aumentou quando a informação sobre o que realmente aconteceu começou a surgir.
Vizinhos ou pessoas que circulavam pela área trouxeram o relato que confirmou o pior cenário.
"Falaram pra mim que alguém colocou eles ontem à noite num carro e abandonaram", explicou.
O desaparecimento não foi um acidente ou uma fuga. Foi uma ação planejada! Alguém parou um veículo e levou os dois cães indefesos.
O ato de abandono, por si só cruel, ganhou uma camada extra de complexidade. A protetora relatou que boatos circularam.
"Simplesmente acharam que eles estavam sendo doados, acharam que foi eu que tinha doado eles", disse. Essa confusão inicial talvez tenha atrasado a percepção do crime. Mas testemunhas ajudaram a esclarecer. "Alguém viu colocando no carro".
Apesar da gravidade da situação, a protetora optou por manter a discrição sobre a identidade do suspeito.
"Não quer dizer quem foi, não quero denunciar", afirmou no vídeo, demonstrando um foco maior em garantir a segurança dos animais.
O resgate aconteceu por uma mistura de sorte e persistência. Após varrer o bairro, ela expandiu a busca encontrando a dupla em um local distante.
"Achei eles vindo lá na Estrada Nova, com a graça de Deus". Os dois animais, confusos e cansados, estavam tentando ativamente encontrar o caminho de volta para o único território que conheciam.
A cena filmada dentro do carro da protetora mostra o estado dos cães. O filhote, visivelmente sonolento, e a mãe, alerta mas exausta, estavam finalmente seguros.
"Deve ter andado a noite toda", supôs a protetora sobre o esforço dos animais para sobreviver. O abandono, ela confirmou, foi recente. "Foi ontem à noite, tá? Porque eu fui ali às 8 horas, eles ainda estavam ali".
A indignação da protetora é palpável pois ela começa a gravação com um desabafo.
A protetora explicou a difícil logística de seu trabalho e como ela estava levando os cães de volta ao ponto original. "Tô levando pra lá de novo onde eles estavam, porque eu não tenho onde colocar".
Esta é a realidade de muitos protetores independentes. Eles atuam sem um abrigo físico, gerenciando colônias de animais em locais públicos.
O caso expõe a vulnerabilidade dos cães comunitários, estes animais, embora cuidados por protetores, não possuem um tutor legal único. Eles vivem em um ‘limbo’. A protetora defendeu a presença deles.
Confira o vídeo:
"Esses cachorrinhos que não incomodam ninguém, não tão na casa de ninguém".
Ela descreveu o local onde os cães vivem.
"Tão num lugar legal. Legal entre aspas, mas é um lugar que não incomoda, não atrapalha vizinhos, não faz nada".
O vídeo mostra a chegada ao local. A protetora estaciona e aponta. "Aqui a casa deles. Aqui a casinha deles".
A estrutura é simples. Casinhas de madeira posicionadas em uma área de calçada larga, ao lado de um terreno baldio.
"Já arrumei, já botei água, comida”. O ambiente é de fato tranquilo, o que torna o ato de abandono ainda mais inexplicável.
O ato de abandonar animais é tipificado como crime no Brasil. A legislação federal, através da Lei 14.064/2020, conhecida como Lei Sansão, endureceu as punições para maus-tratos.
A pena para quem pratica abuso, fere, mutila ou abandona cães ou gatos pode variar de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda.
A ação de remover os cães comunitários de um local onde eram cuidados e alimentados para deixá-los em uma estrada configura claramente o crime.
Assista:
Os animais foram expostos a riscos graves, como atropelamento, fome e desorientação. Apesar da raiva e da frustração, a protetora transformou o incidente em um aviso.
Ela deixou claro que está atenta e que a comunidade também está.
"Então eu já avisei pra essa pessoa que eu tô em cima. Que se ele sair dali, eu vou descobrir quem foi".
O vídeo termina com a chegada ao local, em uma atualização podemos ver que, ao serem soltos do carro, a dupla não hesita e corre diretamente para suas respectivas casinhas.
Eles buscaram o conforto e a segurança do abrigo que um ser humano tentou lhes tirar. O cansaço da longa caminhada de volta para casa finalmente pôde ser vencido.
