"Deu pra sentir o amor transbordando no vídeo": Gatos adotados juntos conhecem novo lar para sempre e momento emociona
Por Larissa Soares em Proteção AnimalQuando a porta se abriu, não era só uma nova casa que aguardava aqueles dois gatos. Era uma nova vida.
Carlito e Moca, dois felinos adultos, cheios de história e personalidade, chegaram ao lar de Duda e Lucas no início de novembro.
A adoção aconteceu por meio da ONG Casa do Vira-Lata, de São Paulo, idealizada e dirigida por Gabriel Santos Chaves.
A organização é conhecida por dar visibilidade a animais que costumam ser ignorados nas adoções, como adultos, idosos ou com alguma particularidade física. E foi exatamente isso que conectou a história dos gatos à de seus novos tutores.
Duda e Lucas já sabiam que queriam um gato novamente. Antes, eles haviam convivido com Lua, uma gatinha resgatada da rua que viveu com o casal por mais de dois anos e faleceu aos 16 anos de idade.
“Ela morava ali naquele condomínio do lado, os guardas tomavam conta dela, e a gente olhou e falou: ‘vamos buscar’”, relembrou Lucas.
Lua foi a primeira experiência do casal com um gato e deixou saudade suficiente para que o espaço fosse reaberto no coração.
Além disso, a casa já era compartilhada com duas cachorras resgatadas: Nana, uma pretinha de três anos, e Kiki, uma caramelo de sete. Tranquilas e já acostumadas a conviver com uma gata idosa, elas se tornaram um ponto-chave na decisão.
“Elas nunca avançaram, nunca estranharam a Lua”, contou Duda. “Tem até fotos da Nana com ela.”
Do outro lado, no abrigo, Gabriel já imaginava como seria essa adaptação.
“Vai acontecer algo muito semelhante com a Rutão”, disse ele, referindo-se à Moca, que antes era chamada de Rutão no abrigo.
“Ela vai ficar mais no cantinho dela. Já o Carlito é mais ursão. Se colocarem ele no colo, ele vai. Se as cachorras quiserem brincar ou deitar perto, ele não vai ligar.”
Moca e Carlito
Moca chama atenção logo de cara pelo pescocinho tortinho, um detalhe que virou seu charme.
“É desde o resgate”, explicou Gabriel. Ela foi encontrada em um ponto de ônibus em Guarulhos, sempre quietinha, deitada embaixo dos bancos.
Chamava atenção justamente por ser discreta demais em um lugar tão perigoso. Uma protetora chamada Ruth não conseguiu deixá-la ali, e a gata acabou indo para a ONG.
Já era adulta quando foi resgatada, com mais de cinco anos, o que ajuda a explicar por que demorou tanto para ser escolhida.
“Ninguém olhou para essa princesa”, comentou Gabriel. “Toda peludona, linda, tranquila.”
No abrigo, ela ganhou cuidados, banho, carinho. E, agora, um novo nome: Rutão virou Moca. “Ela tem uma cara de mocaccino”, brincaram.
Carlito também carregava sua história. Resgatado ferido por uma protetora, ele foi cuidado, tratado e mostrou o que sempre foi: um gato grande, bobão, carinhoso, com “cara de pantufa” e alma de ursão.
“Carlito é o nome perfeito pra você”, disseram no vídeo.
Novo lar
A chegada à nova casa foi planejada com cuidado. Nada de encontros forçados. Os gatos foram instalados inicialmente no escritório, um espaço só deles, longe das cachorras.
“Como eles acabaram de chegar, a gente vai deixar eles isolados aqui”, explicou Duda. “Não vamos estressar os bichinhos.”
A estratégia foi elogiada. “Isso é excelente”, comentou Gabriel.
“São energias muito diferentes. Mesmo que as cachorras não façam nada, elas vão querer cheirar, passar perto. Melhor respeitar o tempo de todo mundo”, completou.
Enquanto isso, Moca começou a fazer o que todo gato faz quando entende que chegou em casa: esfregar o rosto, marcar território, explorar cada cantinho.
“Ela já tá passando o cheiro dela em tudo”, observou Gabriel.
Duda se emocionou ao relembrar o momento em que viu Moca na lista de adoção. A idade, como sempre, foi um obstáculo.
“É uma pena como a idade já condena o bichinho”, refletiu Gabriel. “Ele já foi filhote um dia. E a gente não tá falando de um animal no fim da vida. Ainda tem tanto pra viver.”
No fim, Gabriel se despediu emocionado e desejou tudo de melhor para aquela nova família. E, então, começou oficialmente a nova fase.
Veja o vídeo:
Como fazer a adaptação entre cães e gatos?
Segundo o portal Cats, ao contrário do que muitos imaginam, muitas vezes é mais fácil apresentar um gato a um cachorro do que a outro gato, especialmente quando o cão já teve experiências positivas com felinos.
Veja algumas dicas:
- O primeiro passo é oferecer ao gato um espaço exclusivo, onde ele possa se sentir seguro.
- A troca de cheiros é uma etapa essencial: usar panos para transferir o aroma de um animal para o ambiente do outro ajuda a reduzir o impacto do primeiro encontro.
- Quando chega a hora da apresentação presencial, o cachorro deve estar na guia e calmo, de preferência após um passeio.
- O gato nunca deve ser forçado a se aproximar e precisa ter rotas de fuga ou lugares altos onde possa se refugiar.
- Recompensar comportamentos tranquilos com petiscos e elogios ajuda a criar associações positivas.
- Esses encontros devem ser breves e repetidos até que ambos demonstrem pouco interesse ou medo.
- Só depois disso o cachorro pode ficar solto, sempre com supervisão. E nunca se deve deixá-los sozinhos até ter certeza de que a convivência é segura.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.













