Cachorrinho surdo, que chorou ao ser resgatado, segue sem nenhum interessado, mesmo sempre sorrindo nas feiras de adoção
Por Beatriz Menezes em CãesA busca por um lar definitivo para Barão ultrapassa a marca de quatro meses sem uma previsão de desfecho.
O cão de grande porte, que sobreviveu ao abandono extremo em uma área de mata, permanece sob os cuidados de protetoras em um lar temporário pago no Litoral Norte de São Paulo.
A urgência na adoção cresce à medida que o tempo avança, pois a manutenção do animal em hospedagem particular depende de doações constantes e recursos que se tornam escassos a cada dia.
Localizado inicialmente debilitado e preso a uma corrente, Barão passou por uma transformação completa de saúde.
O animal hoje apresenta pelagem recuperada e um comportamento dócil, mas a deficiência auditiva diagnosticada após o resgate tem sido um fator que prolonga sua estadia no abrigo.
A trajetória do cão começou em um cenário de isolamento severo. Quando as protetoras o encontraram, o cão não tinha forças para se levantar e apresentava feridas profundas pelo corpo.
Ele vivia deitado diretamente na terra, contido por uma corrente curta que impedia qualquer movimento natural.
Mesmo diante do sofrimento, os relatos do resgate indicam que o animal nunca demonstrou agressividade, mantendo uma postura mansa durante a aproximação das equipes de socorro.
Após meses de reabilitação e acompanhamento veterinário, os exames confirmaram que Barão é surdo.
A condição explica o fato de ele não responder a chamados sonoros, guiando-se exclusivamente pela visão e pelo olfato.
Cães com essa deficiência desenvolvem uma conexão visual profunda com os humanos, tornando-se extremamente focados na linguagem corporal e nos gestos dos tutores.
Cuidados clínicos e manutenção diária
O cachorro está com o protocolo de saúde atualizado para ser integrado a uma nova família. Ele foi castrado, vacinado e vermifugado, além de receber proteção regular contra pulgas e carrapatos.
O esforço das protetoras garantiu que o animal chegasse ao estado atual de vitalidade, restando apenas um cuidado específico que o adotante precisará assumir na rotina doméstica.
Devido às sequelas do período em que viveu sem assistência médica na mata, o cão necessita do uso diário de colírio nos olhos.
O tratamento é fundamental para garantir o conforto ocular e evitar inflamações, devendo ser mantido possivelmente por toda a vida.
Trata-se de uma aplicação simples, mas que exige compromisso e responsabilidade do futuro tutor para preservar a qualidade de vida do animal.
Comportamento e convivência no lar temporário
No espaço onde aguarda a adoção, Barão demonstra ser um animal cheio de energia e afeto.
Ele é descrito como um companheiro leal e carinhoso, ideal para quem busca um animal que valoriza a companhia humana.
A convivência com outros animais de estimação requer um processo de adaptação supervisionado. Por ser de porte grande e possuir a deficiência auditiva, a comunicação com outros pets acontece de forma visual e tátil, sendo o monitoramento inicial essencial para uma integração segura.
O treinamento do pet é feito por meio de sinais de mão, técnica que ele absorve com facilidade por ser um animal muito atento aos estímulos visuais.
A pressão financeira da hospedagem paga
O fato de Barão estar há mais de quatro meses em uma hospedagem paga torna a situação crítica para as protetoras.
Manter um cão de seu tamanho em um local seguro gera custos fixos elevados com estadia e alimentação.
A rede de apoio realiza campanhas constantes para custear a permanência dele, mas o objetivo principal é a transferência para um lar definitivo onde ele possa finalmente ter estabilidade e um espaço próprio.
Cães surdos ou que dependem de medicação contínua costumam enfrentar esperas muito mais longas em abrigos do que animais considerados saudáveis.
No entanto, a experiência de quem adota animais com esse perfil revela que o vínculo criado é extremamente forte, baseado em uma comunicação silenciosa e profunda.
Assista o vídeo abaixo:
Em 18 de outubro o Hyppet compartilhou a história do cão, porém ele segue esperando por uma família. A última publicação sobre o pet foi em 14 de dezembro pelo perfil de outra protetora. A @edeniteresa contou que ele estava apresentando um pouco de tosse.
Sendo assim foi levado para avaliação cardiológica e ecocardiografia, os resultados apontaram que está tudo certo com seu coração. Possivelmente a tosse surgiu a partir de um processo inflamatório infeccioso, mas as protetoras afirmam que continuarão monitorando a saúde do cão.
Como realizar uma adoção responsável
Interessados em adotar o pet devem entrar em contato direto com a rede de proteção no Litoral Norte. O contato para quem deseja conhecer o animal é realizado pelo telefone (12) 9.8700-0763.
A adoção responsável implica entender que o animal precisará de um tempo para se sentir seguro em um novo ambiente após tantos meses de espera e transições.
Barão já provou sua resiliência ao vencer a doença e a fome na mata, aguardando agora apenas a oportunidade de retribuir o cuidado recebido com a fidelidade característica de sua espécie.
O cão segue sentado à porta do lar temporário, atento aos movimentos do portão, à espera do dia em que alguém o levará para casa definitivamente.
A equipe do portal Amo Meu Pet buscou contato com o perfil Marinheira Pet, responsável pela divulgação original de Gabriel, para verificar se houve novos interessados nos últimos dias.
Até o fechamento desta notícia, não obtivemos retorno sobre pretendentes ou atualizações sobre o processo de adoção.
