"Espaço pra correr e ser feliz": Costelinha, cão que passou a vida acorrentado em cubículo, ganha lar que sempre sonhou

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em Proteção Animal

Durante muito tempo, a vida de Costelinha se resumia a uma corrente curta, fome, sede e abandono.

O cachorro vivia em condições insalubres, sem dignidade e sem qualquer perspectiva de um futuro diferente.

“Costelinha vivia amarrado sem água e sem comida. Até que ele foi salvo da morte certa e recebeu o tratamento necessário para uma segunda chance”, contou Cris Espinosa, da Coordenadoria de Bem-Estar Animal da Prefeitura de Mogi das Cruzes, SP, em uma publicação no Facebook.

Segundo ela, após o resgate, o cão passou por cuidados veterinários e acompanhamento até estar pronto para algo ainda mais importante: encontrar uma família.

Foram realizadas várias entrevistas até que a equipe tivesse certeza de que Costelinha iria para o lugar certo. Até que, enfim, aconteceu.

“Foi aí que essa família chegou. Que lhe deu amor e carinho. Agora ele tem todo esse espaço pra correr e ser feliz”, contou.

As imagens atuais mostram um cachorro completamente diferente.

Onde antes havia ossos aparentes e olhar cansado, agora existe um cão amado, com espaço para correr livre, receber carinho e simplesmente ser cachorro.

“Costelinha deseja um Feliz Ano Novo a todos que ajudaram a transformar sua dor em esperança e sua vida em recomeço”, escreveu Cris, agradecendo cada gesto, compartilhamento e ato de empatia que ajudou a mudar aquele destino.

Caso parecido

Infelizmente, a história de Costelinha não é um caso isolado.

Em outubro, uma situação semelhante aconteceu em St. Louis, no Missouri, nos Estados Unidos.

Enquanto fazia reparos em uma rua aparentemente tranquila, um técnico da empresa AT&T notou algo estranho do outro lado da via.

Atrás de uma cerca coberta por mato alto, havia um cachorro extremamente magro, acorrentado à parede de uma casa abandonada, com as janelas fechadas por tábuas.

O cão estava imóvel. Apenas observava, com olhos cansados e assustados.

O trabalhador soube, naquele instante, que não podia simplesmente ir embora. Ele pegou o celular e acionou o Stray Rescue of St. Louis (SRSL), uma organização conhecida por atuar em casos extremos de abandono.

Pouco tempo depois, a socorrista Donna Lochmann chegou ao local.

O cachorro, batizado de Chimpi, foi resgatado sem resistência. De volta ao abrigo, ganhou comida, banho e uma cama quentinha. Apesar da magreza, mostrou-se doce e extremamente carente.

“Ele é um garotinho tão amigável. Sua atividade favorita é carinho”, disse a equipe.

Quando é considerado maus-tratos?

Deixar um cachorro preso sob sol ou chuva é considerado crime federal de maus-tratos, conforme a Lei nº 9.605/1998.

Pode ser considerado infração situações como manter o animal preso a correntes, deixá-lo sem abrigo adequado, sem alimentação, sem água e sem cuidados veterinários.

Além disso, o acorrentamento pode ferir diretamente as chamadas Cinco Liberdades do Animal, princípios reconhecidos internacionalmente para garantir o bem-estar dos pets.

Entre elas estão a liberdade de não sentir fome ou sede, de viver sem dor ou desconforto e de expressar comportamentos naturais, o que é impossível para um cão preso a uma corrente.

Em Minas Gerais a legislação avançou ainda mais. Desde abril de 2025, manter um animal acorrentado de forma rotineira passou a ser oficialmente considerado maus-tratos. A multa pode ultrapassar R$ 5 mil, e o valor aumenta caso a prática resulte na morte do animal.

Riscos das correntes

Os riscos à saúde são inúmeros. Segundo a Cobasi, a exposição prolongada ao sol pode causar queimaduras, hipertermia, insolação e desidratação.

Já a chuva e a umidade aumentam as chances de doenças respiratórias, hipotermia, infecções de pele e até leptospirose.

O uso da corrente, por si só, pode provocar ferimentos graves no pescoço, sofrimento psicológico intenso e até risco de sufocamento.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.