"Não é culpa do Pipoca": Cão de abrigo se arruma todo para conhecer nova família, mas é devolvido dias depois sem ter culpa

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em Proteção Animal

Pipoca, um Lhasa Apso de apenas 2 anos, passou a vida inteira limitada a um cercado no fundo do quintal.

Mas tudo mudou quando ele foi resgatado pelo Projeto Animais Sem Teto, de Ribeirão Preto (SP), no final de novembro.

Algumas semanas depois, ele foi adotado. Mas, infelizmente, poucos dias após a adoção, Pipoca precisou ser devolvido.

A devolução, no entanto, não aconteceu por falta de amor, muito menos por culpa do animal.

Ela expôs algo ainda mais importante: a necessidade de adoções conscientes, alinhadas ao perfil do cão e da família.

Um passado sem afeto e uma nova chance

Pipoca chegou ao projeto no dia 18 de novembro, após mais um caso de separação familiar em que, como tantas vezes acontece, o cão acabou “sobrando”.

Sem entrar em detalhes para preservar os envolvidos, os voluntários explicaram que ele vivia isolado, preso em um cercado de madeira, sem contato afetivo, sem convivência e sem estímulos.

Após o resgate, Pipoca tomou banho, foi tosado, vermifugado e iniciou o protocolo veterinário necessário.

Ainda precisaria ser castrado e vacinado, mas já estava pronto para algo que nunca havia tido: uma família de verdade.

Mesmo vindo de um ambiente de privação, o Lhasa mostrou rapidamente seu temperamento doce.

Ele era carente, gostava de pessoas, se dava bem com outros cães e só não convivia com gatos.

“Ele não conhece o amor”, escreveu o projeto em uma das postagens, resumindo uma vida inteira de ausência emocional.

“A vida começa agora”

No dia 12 de dezembro, veio a notícia que encheu o coração dos voluntários de esperança. Pipoca havia sido adotado por uma família cuidadosamente selecionada.

Ele ganhou um novo nome, Loki, um irmão canino para dividir travessuras e, pela primeira vez, liberdade para correr, brincar e simplesmente ser um cachorro.

“Sem palavras para descrever a alegria em ver este menino lindo correndo e brincando”, publicou o projeto.

Para quem passou a vida limitado a poucos metros quadrados, aquele novo mundo parecia finalmente possível.

A adoção não foi divulgada imediatamente porque Loki estava em período de adaptação. Tudo indicava que, enfim, aquela seria sua virada definitiva.

A devolução que ninguém queria, mas precisou acontecer

Pouco mais de uma semana depois, no dia 21 de dezembro, veio a atualização triste. Pipoca, ou Loki, havia voltado ao abrigo.

Segundo o Projeto Animais Sem Teto, a adoção não deu certo porque o cão não conseguiu se adaptar à convivência com crianças pequenas.

Apesar de ser carinhoso e sociável, o contato constante, os apertos e a falta de noção natural das crianças acabaram deixando o cão estressado e inseguro.

A ONG foi clara: a devolução não é culpa do Pipoca. Cada animal tem seus limites, sua personalidade e suas necessidades emocionais. Respeitar isso também é uma forma de amor, mesmo quando dói.

Agora, Pipoca busca novamente uma família, sem crianças, que respeite seu espaço, seu tempo e seu jeitinho.

Ele precisa de pessoas presentes, pacientes e conscientes de que nem todo cão se adapta a qualquer contexto.

Adoção responsável começa antes do “sim”

Adotar é um compromisso de longo prazo e precisa ser uma decisão pensada com cuidado.

De acordo com a Four Paws International, antes de adotar um animal é fundamental avaliar se a pessoa está realmente preparada para atender às necessidades físicas, emocionais e comportamentais do pet ao longo da vida.

Isso inclui tempo, paciência, estrutura, custos veterinários e disposição para lidar com fases de adaptação.

A organização também destaca a importância de conhecer bem o animal antes da adoção, visitar mais de uma vez, conversar com os responsáveis pelo resgate e alinhar expectativas.

Nem sempre o “animal perfeito” aparece de imediato e esperar pelo perfil certo pode evitar devoluções dolorosas.

Perfil da família também importa

A Humane Colorado reforça que o processo de adoção deve considerar não apenas o desejo de ter um pet, mas a dinâmica da casa.

Crianças pequenas, outros animais, rotina de trabalho, nível de atividade e até tolerância a comportamentos naturais, como sujeira, latidos e necessidade de passeios, precisam entrar na conta.

Outro ponto essencial é o impacto nos animais que já vivem na casa. Nem todo pet gosta de dividir espaço, e apresentações mal feitas podem gerar estresse, conflitos e problemas de saúde.

Além disso, o orçamento também deve ser avaliado. Alimentação, vacinas, consultas veterinárias, banho e tosa fazem parte da responsabilidade.

Pipoca ainda espera pela chance certa

Apesar da devolução, Pipoca segue sendo o mesmo cão doce, carente e cheio de potencial. Ele precisa apenas da família certa, aquela que entenda que amor também é respeitar limites.

Interessados em conhecê-lo podem entrar em contato pelo e-mail: rpprojetoanimaissemteto@gmail.com

A adoção é destinada apenas a maiores de 25 anos, sem crianças, e, no caso de apartamentos, é necessário ter sacada ou quintal.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.